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A lição de um filme



Quando eu estava entrando na minha adolescência, dividida entre bonecas, livros, batons, festinhas, beijos roubados e tantas outras descobertas e experiências pertinentes a essa fase, assisti a um filme que me balançou o coração. O filme era um musical, estilo pouco popular naquela época, mas mexeu comigo de uma forma tão intensa que só há pouco tempo eu consegui entender. O título em português era "Godspell, a esperança" e trazia o Evangelho segundo São Mateus para o cenário da época.

A abordagem, apesar das inúmeras filmagens sobre o tema, era original, pois contava a história das mensagens de Jesus, de uma forma totalmente inusitada. Passada na década de setenta, a narrativa começava com uma versão moderna de João Batista chamando um grupo de distintos trabalhadores de Nova York a terem a oportunidade de seguirem e aprenderem com Jesus. Depois de recrutados todos formam uma companhia de artistas nômades que encenam as parábolas através de músicas, danças, mímicas e comédia. Os ensinamentos de Jesus terminam ao fim da última ceia, e aí estamos de volta às ruas de Nova York e ao batente do dia-a-dia.

A própria figura de Jesus já era uma nova forma de apresentar as coisas, travestido de palhaço, cabelos cor de fogo e maquiado como artista de circo ele encontra-se com seus discípulos, todos recrutados por João Batista, entre secretárias, atendentes, garçonetes em plena Nova York decadente e violenta. A mesma cidade que anos depois, tal qual fênix, não abaixa a cabeça e renasce das cinzas tentando se recriar a cada investida.

Pois bem, nesse cenário americano, onde a população americana é cada vez menor, chega Jesus à procura dos insatisfeitos, dos cansados da mesmice, dos desesperados por ar, por boas novas, por ouvir sons diferentes de buzinas, de portas batendo, sirenes, gritos, de ranger de dentes. Seus discípulos são despertados por uma corneta que os tira de suas vidas miseráveis e sem colorido. Um a um, vão despindo seus personagens chatos, mau-humorados, robotizados, condicionados. E vão entrando no circo mágico de Jesus. É circo mesmo, literalmente. O evangelho é encenado em meio a um misto de brechó com ferro-velho, um depósito de quinquilharias. Cada um dos discípulos veste-se tal qual deseja e o grupo transforma-se em um festival de cores, roupas engraçadas, surreais, substituindo os antes desbotados trajes de uniformes, ternos e terninhos.

E ali, naquele cenário inusitado e cheio de imaginário, Jesus faz com que encenem suas parábolas. É nesse momento que a mágica acontece. Os ensinamentos são aprendidos, compreendidos, debatidos e assimilados de forma lúdica! Não há dogmas, não há regras, não há sermões pragmáticos, não há rituais solenes. Cada passagem é uma descoberta de como despir-se das coisas inúteis que nos atrelam ao passado. As encenações vão ensinando os discípulos a simplificarem a vida, a serem felizes.

A brincadeira de circo vai crescendo, tomando corpo, expressando-se através de mímicas, gestos, cenários, música – e que trilha sonora! Os discípulos, tal qual crianças em um parquinho, se entregam à graça de gargalhadas e aos prazeres da vida simples. Essa é a mensagem de Jesus: desconstruir, descomplicar, simplificar, tirar o excesso, colocar colorido na vida, iluminar-se com sua própria centelha divina.

Para poder entender a mensagem é preciso perceber, antes de tudo, o excesso, o que pesa em cada um de nós, o que nos amarra, o que nos aprisiona, o que não nos deixa ser felizes! Mas, como hábitos, mesmo os piores, são trabalhosos de se largar, há sempre um Judas para estragar a brincadeira. E tal qual no Evangelho tradicional, o desfecho é o mesmo; Jesus é traído e crucificado. Alguém não conseguiu entender a mensagem e preferiu satisfazer as necessidades do EGO, em vez de ser feliz e viver livre das crenças que o faziam tão cinza quanto a decadente Nova York.

E aí fica a conclusão do conflito que nos acompanha desde o princípio dos tempos: o ser humano busca a felicidade, mas ainda não está pronto para ser feliz. Por mais paradoxal que isso pareça, ele prefere trabalhar como um autômato feito Carlitos em “Tempos Modernos” do que ser livre e viver segundo sua verdade interior.

Contudo, a história da nossa civilização comprova que podemos matar o mensageiro, mas jamais a mensagem. Ao contrário do que parece, ela ganha ainda mais força com essas atitudes e se propaga em larga escala. Afinal, como extinguir algo que brota de dentro de nós?

Heloisa Aragão
Instrutora de Meditação Ráshuah
Psicoterapeuta Ráshuah
www.rashuah.com.br
(21) 2484-1571
Texto revisado por Cris
Publicado dia 4/11/2007
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Autor: Heloisa Aragão    
Heloisa Aragão é jornalista, ministra cursos de Meditação Ráshuah, dá palestras sobre Frequencias Cerebrais, Os perigos da ilusão, Dramas de Controle, entre outros. Aplica Testes Vocacionais Ráshuah, maiores informações pelo telefone (21) 2484-1571 ou pelo site www.rashuah.com.br
E-mail: aragaoheloisa@yahoo.com.br | Mais artigos.

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