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A magia do fim do mundo



Conhecer os glaciais do Parque Nacional Los Glaciares em El Calafate na província de Santa Cruz, localizada no sul da patagônia argentina, é algo indescritível. É o passado da era glacial no presente, onde há milhares de anos grande parte do parque era coberto por glaciais. Com a mudança climática que incluiu o aumento da temperatura, a superfície de gelo foi reduzindo até chegar ao seu estado atual.

O maior deles, o glacial Upsala, possui cerca de 580 km quadrados, sendo o maior da América do Sul. Porém, com o aquecimento global dos últimos 20 anos, tem sofrido um retrocesso de cerca de 5 km quadrados. Em contrapartida, segundo os cientistas, o glacial Perito Moreno com 195 km de extensão tem se mantido em equilíbrio nos últimos 10 anos, um contrasenso que os especialistas ainda não conseguiram explicar a razão.

Além destes existem mais 14 glaciais no parque que ocupa uma superfície de 724.000 hectares e que foi, em 1981, tombado pela UNESCO como patrimonio natural da humanidade. O parque é um misto de geleiras, montanhas, vales, bosques, córregos de água cristalina e lagos de cor azul-turqueza, onde pode-se encontrar, entre outras espécies de aves migratórias, o flamingo e o cisne de pescoço negro.

As partes altas das montanhas da Cordilheira dos Andes, enquanto as condições climáticas permitirem, é habitada pelo huemul, cervo andino, e também pelo condor e aves carnívoras como as agachonas e os yales, além de pequenos roedores. Os bosques são habitados por mamíferos maiores como o huemul, já citado, o guanaco, o gato montanhês chamado hurón, o zorro colorado e o puma.

É uma região chamada equivocadamente de "princípio del fin del mundo". Deveria chamar-se de princípio do mundo ou paraíso, tal é a sua deslumbrante beleza natural. El calafate fica a 2.200 km de Buenos Aires e a 800 km de Ushuaia, o último reduto populacional do extremo sul da América antes de chegar ao continente branco, a Antártida.

O euro por aqui está valendo 4 pesos argentinos; o dólar, cerca de três e o real, um peso e quarenta. Fica mais econômico fazer turismo na Argentina do que no Brasil, além, é claro, de outras questões relacionadas, tais como a segurança do cidadão. Aqui está cheio de turistas das mais diversas origens, no entanto, não se vê policiais pelas ruas. Não é necessário... e a natureza parece estar, permanentemente, convidando-nos a passeios e aventuras, pois representa não existir lugar para o mau humor, a tristeza e a depressão, tal é a magia do contagioso espírito patagônico.

El Calafate ficou para trás. Agora estamos em Ushuaia, a 3.000 km de Buenos Aires. É a cidade mais astral do continente americano e faz divisa com o Chile a leste pela cordilheira dos Andes e a oeste pelo canal de Beagle, que une as geladas águas dos oceanos Atlântico e Pacífico.

Nesta grande ilha da "Tierra del fuego" como chamavam os primeiros exploradores que chegaram pelo canal de Beagle, porque viam de suas embarcações a fumaça que os índios faziam ao queimar madeira para se aquecerem, existe uma fantástica diversidade de fauna e flora, pois uma mesma realidade geográfica consegue unir montanhas nevadas, bosques e mar.

Uma cidade de 60.000 habitantes, localizada no "fin del mundo" e cortada por fortes ventos, mas que consegue reunir em um mesmo ônibus, avião ou embarcação, seres humanos vindos de todos os continentes, é uma prova de que o homem comum, independentemente de sua nacionalidade ou idade, continua sendo um ser sensível à magia que a natureza possa oferecer-lhe. E com relação a essa afirmação tem nos chamado especial atenção um casal inglês da terceira idade, que temos observado desde El Calafate, participando de excursões lacustres e terrestres. Um casal de idade avançada e que necessita de bengala para apoiar-se na caminhada, mas que nem por isso deixa de levar a sua mochilinha nas costas e extasiar-se com a energia vital que a natureza oferece aos seus olhos. E assim como o exemplo do casal inglês, precisamos de milhões de pessoas que possam perceber o significado de um momento e compreender que naquele instante mágico encontra-se a representação de seu Criador.

Ao nível do mar, as temperaturas de inverno oscilam entre 6 positivo e 15 negativo, e ventos fortes costumam soprar na primavera e verão. Estamos relativamente próximos da Antártida, o continente gelado. No entanto, não tem como não sentir a natureza em todo o seu explendor, talvez da mesma forma como os yamanas e os onas comungavam com o ambiente natural quando os primeiros colonizadores aqui chegaram no ano de 1880.

A terra do fogo, "la gran isla", assim como a patagônia, o pantanal matogrossense ou a amazônia como exemplos, são provas de que este planeta é um paraíso e que cabe ao seu habitante dotado de inteligência e sensibilidade, preservá-lo. O dever assumido com os cuidados que a natureza, através de um "SOS" começa a sinalizar, não pode ser mais adiado pelas políticas ambientais de todos os países. Urge um posicionamento definitivo que contemple a defesa dos mananciais de água, das florestas e da atmosfera de nosso planeta.

Reproduzo, a seguir, um texto copiado de uma placa de uma praça de Ushuaia, e que na minha ótica sintetiza o que o homem precisa fazer em relação à proteção da natureza:
"Cuando se trata de ecologia
muchos hablan,
algunos saben
poucos hacen...
Vos podes hacer algo concreto".


Creio firmemente que o despertar da sensibilidade ecológica esteja, principalmente, associado à maturidade do ser humano, uma tendência que precisaremos mudar com a inserção da educação ambiental nas escolas. Esta tese vem afirmando-se nesta viagem à medida que podemos observar a presença de grande número de pessoas de meia e terceira idades, o que vem a reforçar uma segunda tese: a de que o homem inicia o processo natural de desapego do ego somente com o avançar de seu tempo de vida, quando começa a compreender que, embora dotado de inteligência, é somente mais uma espécie inserida na cadeia da natureza, a teia da vida.

"A chama do ideal não perdeu a sua intensidade nem o seu calor, simplesmente adapta-se a uma nova fase em que a preocupação não significa mais uma luta isolada e muitas vezes inglória, mas uma união coletiva pela preservação do planeta, da espécie humana e pela expansão da consciência em busca da evolução."
Em nome do ideal

Psicanalista Clínico de Orientação Reencarnacionista.
flaviobastos

Texto revisado por Cris
Publicado dia 2/2/2007

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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com | Mais artigos.

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