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A medicina interpretativa dos contos de fadas


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Para os povos mais antigos, a doença era considerada uma manifestação de um deus agravado, que exigia atenção e outra postura em relação a ele.

Hoje em dia, podemos dizer que ocorre um processo semelhante, só que a divindade injuriada é algo que queremos esquecer, que não conseguimos questionar, embora nos incomode muito.

Isso é o que Jung denominou sombra, ou seja, tudo aquilo que não desejamos tomar consciência, que não aceitamos e não queremos ver. Mas como esse aspecto faz parte de nós, sua maneira de se fazer notar é através de um distúrbio físico.

A maioria das pessoas sente enorme dificuldade em falar sobre os seus problemas mais profundos, muitas vezes até por desconhecê-los, e é aí que entram os sintomas - a forma mais clara de sugestão do que se passa no íntimo das pessoas.

Para acessarmos o agente gerador dos sintomas físicos, dispomos de vários recursos eficientes: os contos de fadas, as fábulas, a mitologia, a grafologia, o mapa astrológico...

Quando utilizamos o recurso dos contos de fadas para um  conhecimento mais profundo de uma pessoa, pedimos que ela indique o de sua preferência, aquela história que acha que tem algo a ver com ela, mesmo não sabendo dizer o porquê.

Jung mostrou o quanto é necessário um conhecimento sólido e amplo da simbologia universal e das mitologias para a utilização dos contos de fadas como referencial de análise e o quanto se deve ater à simplicidade dos significados.

Vamos ver alguns símbolos:

* A presença de animais sugere a natureza primitiva, instintiva do homem. Cobra, dragão e lobo são utilizados para lembrar o lado perverso do ser huumnao. Quanto mais selvagem é o animal, mais intenso e reprimido é o instinto.

* Círculo é associado à individualização da porção da energia universal, que é o homem.

* Quadrado ou cruz faz referência à matéria terrestre, ao corpo, à realidade.

* O espelho é o símbolo da verdade material, já que ele não mente, apenas reflete o que lhe é apresentado.

* Formas pontiagudas sugerem agressividade e estão presentes nas torres e espinheiros.

* As pedras representam o que não pode ser mudado, pois trazem a indicação do que deve ser contornado já que não pode ser removido; tratam do espiritual, simbolizam o receptáculo das forças divinas e imutáveis.

* O fogo traz o caráter purificador.

* As armas brancas (punhais, lanças, espadas) são o mecanismo eficiente da defesa contra o mal.

* Música mostra a representação simbólica de situações hipnóticas e de envolvimento involuntário.

* Tempestades, trovões e nuvens escuras são prenúncios de que algo mais irá acontecer.

* Bruxas e madrastas são figuras femininas más que não dão a proteção maternal e carinho; sua função é obrigar ao crescimento e trazer uma percepção mais maliciosa da vida.

* Cores: branco representa a pureza; vermelho fala de energia vital; azul fala de paz; verde traz a esperança; amarela representa o ouro, a riqueza; preto pode trazer a dor; cinza fala de uma situação ruim que pode melhorar.

* Floresta representa o inconsciente.

Todos nós somos compostos de um mundo real, prático, e de um mundo mágico, onde encontramos referências para as soluções dos nossos problemas.

Os contos de fadas são o esqueleto básico universal; temos é que encontrar onde nos encaixamos a fim de obter, se quisermos, o tipo de orientação necessária para saber chegar também a um final feliz.

Já que existe uma divisão entre os atos conscientes, que fazem parte do nosso dia a dia, e o inconsciente, onde tudo é possível, é preciso saber estabelecer o vínculo entre eles.

Às vezes, o problema parece insolúvel no nível racional, mas quando o consideramos num nível mágico e sabemos fazer a decodificação correta, encontramos a orientação necessária.

Assim, podemos dizer que os contos de fadas cumprem relevante papel. São expressão cristalina e simples de nosso mundo psicológico profundo.

Com um conteúdo muito rico, os contos de fadas trazem a fórmula mágica capaz de envolver a atenção das crianças e despertar-lhes (idem nos adultos sensíveis) sentimentos e valores intuitivos que clamam por um desenvolvimento justo, tão pleno quanto possa vir a ser o do intelecto.

Em essência, os contos de fadas podem ser vistos como pequenas obras de arte, capazes que são de nos envolver em seu enredo, de nos instigar a mente e comover-nos com a sorte de seus personagens.

Causam impacto em nosso psiquismo porque tratam das experiências cotidianas, permitindo que nos identifiquemos com as dificuldades ou alegrias de seus heróis, cujos feitos narrados expressam, em suma, a condição humana frente às provações da vida.

Os contos de 1001 noites serviram ao califa como verdadeira terapia, pois, no fim, estava completamente apaixonado por Sherazade e transformado interiormente pela beleza de suas histórias; liberta-se de sua depressão, suspende a pena e a pede em casamento.

A propósito, esse é o procedimento adotado desde a antiguidade pela medicina hindu, chamada Ayurveda, na qual os pacientes são convidados a meditar sobre contos de fadas para que sua mente se purifique, condição prévia para que qualquer cura seja alcançada. Mas por que os contos de fadas nos impressionam tanto? Por que suas histórias são instigantes. Não há como alcançar completamente seu sentido em termos puramente intelectuais, fato que nos desperta a percepção intuitiva.

A fantasia, justamente pelo inverossímil que expõe, provoca uma reviravolta em nosso mundo psíquico, o qual, estimulado, aguça-se na tentativa de compreendê-la. E não há como explicá-la pelos padrões da razão.

A história de fadas é per si sua melhor explicação, do mesmo modo que as obras de arte encerram aspectos que fogem do alcance do intelecto, já que trazem emoções capazes de comover os que diante delas se colocam.

O significado desses contos está guardado na totalidade de seu conjunto, perpassando pelos fios invisíveis de sua trama narrativa.

O próprio Jung disse certa vez que "nos contos de fadas podemos melhor estudar a anatomia comparada da psique"; Quis dizer com isso que os contos de fadas espelham a estrutura mais simples, ou o "esqueleto" da psique, e que muitas peças acabam por fundir-se, compondo os grandes mitos que expressam toda uma produção cultural mais elaborada.

Baseado em pesquisas da Internet e no livro A história sem fim, Michael Ende

Marisa Petcov

Sacerdotisa e Terapeuta da cura. Ritualista

Comunicadora da MKKWEBRADIO, com o programa Papo de Bruxa, todas as terças-feiras ao meio-dia

Texto Revisado
 

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