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A raiva natural

por Theresa Spyra

Publicado dia 30/1/2008 em Autoconhecimento

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Talvez você ache estranho que eu fale que existe uma raiva natural. E se existe uma raiva natural, também deve existir uma raiva “artificial”. Aprendemos desde pequenos que a manifestação da raiva não é legal, deve ser contida. Aqui no Brasil isso ainda é mais forte do que em meu país, a Alemanha. Ao alemão é mais natural mostrar seus sentimentos, e por isso ganhamos o apelido de “duros” e “bravos”. Já o brasileiro tem o hábito de evitar discussões, confrontos e passa um jeito mais amável. Mas isso tudo é cultural e não existe o jeito certo e o jeito errado: cada povo é diferente.

Como sempre faço, não desejo julgar o comportamento externo, o que o outro faz ou deixa de fazer: o meu trabalho me faz sempre sugerir que você olhe para dentro de si, e perceba. Neste caso, perceba como a raiva atua em você! É difícil?

Bem, pode ser, e vou explicar o porquê: disseram, lá num passado um pouco distante, que gritar com o irmãozinho está errado. Lembra aquele dia em que o papai prometeu e não cumpriu: e a gente começou a ficar com raiva e levou a maior bronca? E quando o jovenzinho levanta a voz para o patrão e é mandado embora... Pouco a pouco, começamos a colocar na cabeça que expressar a opinião e mesmo perder a cabeça de vez em quando é perigoso! Pronto! Está feito o estrago! Cria-se um impasse: não gostamos de algo mas não falamos. Ou se falamos e expressamos, sentimos culpa. Não é assim?

Convido você novamente: olhe para si, nos momentos em que está com raiva. O que é melhor: engolir ou expressar? Bem, depende de cada um. Só que, se você engolir a raiva constantemente, que é uma forma de energia, uma hora ela sairá: seja em forma de explosões em momentos e situações que não têm nada a ver, ou em forma de doenças psicossomáticas. Daí você me pergunta: mas uma pessoa que expressa a sua raiva o tempo todo, não é prejudicial aos outros?

Vamos dizer assim: é desagradável, com certeza. Mas, pela minha experiência, a pessoa que expressa a raiva o tempo todo, não está expressando a raiva com consciência, senhor dos seus atos, sente muita culpa, se reprime, e cria um mecanismo contínuo: não gosta de algo-raiva-culpa-repressão-não gosta de algo-raiva-culpa... e assim vai.

Expressar suas emoções conscientemente é sabedoria. Não apenas raiva, mas amor, ternura, medo, tristeza, solidão, alegria. Se algo não me agrada, não me agrada e por que não posso expressar? Depois disso, passou... sem culpa, sem repressão. Se estou triste, estou triste... Se estou alegre, estou alegre. A pessoa que age dessa forma começa a se aceitar plenamente e gradualmente suas emoções ficam equilibradas.

Minha sogra é um bom exemplo disso. Uma senhora que todos olham e falam: nossa, que senhora gentil. É o que ela aparenta, pois está sempre sorrindo, servindo aos outros... Bem, minha sogra é um... vulcão! Pela sua criação, e porque quis ser assim, ela se condicionou a sorrir o tempo todo, mesmo quando não quer, e a servir os outros, esperando que os outros percebam isso. Ela não gosta de muitas coisas, mas não se expressa. Até que a coisa explode! Bum!!! Bem, na verdade, explodia...

Começamos a trabalhar e a perceber, em conjunto, cada sentimento envolvido no dia-a-dia. Tem a necessidade de servir alguém, quando você não quer? Não? Então, deixa isso. Tem a necessidade de sorrir quando está triste? Não? Joga fora! Tem a necessidade de explodir com alguém que não tem nada a ver com as coisas que você engoliu? Ah, você não consegue... então, exploda! E esqueça, não fique com culpa... Tem a necessidade de ser dura no seu trabalho, porque o companheiro foi incompetente? Ah, isso tem... Ah, mas você não impunha respeito no trabalho? Que tal agora colocar dureza no momento certo?

Resultado: em pouco tempo, ela está mais leve, não tem explodido, ficou muito mais competente no trabalho, não se sente culpada e está mais feliz...

Raiva natural ou raiva artificial. Deixei para o final pra explicar isso. A raiva natural é aquela onde o bicho-homem é realmente ameaçado, sua vida corre risco e é necessário reagir, defender-se. Quantas vezes ocorreu esta situação na sua vida? Acredito que poucas.

Todas as outras raivas são artificiais. Devemos contê-las? Não, devemos olhar nos olhos dessa raivas, expressá-las e deixá-las perderem a força, naturalmente. O homem não é um ser ruim. Não existe nenhum ser ruim. No íntimo de cada um, existe um manancial de ternura, amor e é esse manancial que deve ser estimulado a se expor. O potencial para o homem ser feliz e realizado está presente agora, neste instante, e não é necessário coibir nada, reprimir nada, condenar nada... mas simplesmente aceitar-se em plenitude e desapegar-se dos conceitos de certo e errado que você tem sobre si mesmo.

Você nunca esteve errado em nenhum momento da sua vida. E também nunca esteve certo. Certo e errado são conceitos que não levam à realização. Você deve se ater somente numa questão: do jeito que está hoje, estou satisfeito? Se não está, em vez de buscar o certo e querer punir o errado que você acha que existe em si, simplesmente comece aceitando tudo. Naturalmente, a realização começa a tomar conta do seu ser porque o seu ser é perfeito!

Abraços carinhosos e até a próxima!

Siddho Theresa Spyra
Consultora e facilitadora de Constelação Familiar Sistêmica.
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Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Theresa Spyra   
Theresa Spyra é alemã, trainer e terapeuta com especialização em constelação sistêmica familiar, organizacional e estrutural. Estudou com a também alemã Mimansa Erika Farny, pioneira na introdução do método sistêmico de Bert Hellinger no Brasil, e aprofundou-se nos sistemas estruturais e organizacionais, com estudos no Brasil, Alemanha e Suíça
E-mail: [email protected]
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