A Realidade sobre o Perdão, o Mito da Cura Total e a Margarina

A Realidade sobre o Perdão, o Mito da Cura Total e a Margarina

Autor Beatriz Villac

Assunto Autoconhecimento
Atualizado em 9/20/2026 3:33:00 PM



A palavra grega para perdão, "aphiemi", frequentemente usada no Novo Testamento, significa "enviar para longe", "deixar ir", "liberar". Psicologicamente é um processo emocional que envolve o reconhecimento e a liberação da dor, raiva e ressentimento causados, independentemente da reação do outro.

Este processo é fundamental para romper com o ciclo de dor emocional e seguir em frente sem carregar os sentimentos negativos que a situação deixou.

Isto não ocorre de uma vez. É um processo de ir soltando aos poucos a dor da ferida e ir regenerando os corpos físico e sutis através de auxílio terapêutico, onde a medicina vibracional também cumpre um papel de grande valia.

Perdoar não significa esquecer o que aconteceu e nem fingir que não houve dano, mas sim mudar a forma como se lida com aquilo, optando por não deixar que a dor e a raiva continuem a dominar e controlar os pensamentos, emoções e reações diante de novas experiências.

Se você já passou por uma dor profunda, daquelas que quebram a confiança e reviram a vida do avesso, provavelmente já esbarrou no discurso da "cura total" e de que "o perdão é libertador". Esta é uma ideia romântica de que, se você trabalhar bem as suas emoções, chorar o que tem que chorar e liberar o perdão, um dia acordará leve, pleno e flutuando.

Eu tenho uma notícia para te dar: a vida real não tem trilha sonora de violino, e o comercial de margarina é uma mentira.

A ideia de que é possível se libertar 100% de algumas dores, e de zerar sentimentos como um pouco de repulsa, perplexidade um certo desconsolo e é uma ilusão que a própria experiência humana desmente.

Existem atos tão graves e absurdos que quebram pactos de confiança de forma tão violenta, que a mente humana simplesmente não possui ferramentas para "digerir" por completo.

O que você sente faz total sentido pelas seguintes razões:

1. A repulsa é um mecanismo de defesa biológico e emocional

A repulsa não é um defeito; é uma proteção. Assim como sentimos nojo de uma comida estragada para não nos envenenarmos, sentimos repulsa pelas ações (e pela proximidade) de quem nos causou um dano profundo. Esse sentimento serve para manter você longe do perigo e garantir que você nunca mais baixe a guarda perto daquela pessoa ou de dinâmicas parecidas.

2. A perplexidade é uma resposta à quebra de lógica

Quando alguém age com crueldade, egoísmo extremo ou deslealdade, sua mente tenta encontrar um nexo causal ou uma justificativa humana que simplesmente não existe. Esse "pingo de perplexidade" permanente é, na verdade, o seu senso moral saudável dizendo: "Eu não consigo e não quero normalizar isso". É um sinal de que seus valores continuam intactos.

3. O desconsolo é o luto pelo que foi quebrado

Certas ações destroem coisas que não podem ser reconstruídas: a inocência, a confiança cega, a projeção de um futuro seguro ou a imagem que tínhamos de alguém. O desconsolo é o eco desse luto. Aceitar que esse eco existe é muito mais realista do que tentar forçar uma positividade artificial.

Sendo assim, é preciso cair na real e desmistificar a ideia de que o processo de superação termina com um final feliz e entender que:

"A Cura Total de Comercial de Margarina" e o "Perdão Total" não existem na nossa condição humana.

A verdade nua e crua é que o processo de superação não termina sem deixar rastros. Muitas vezes, o que sobra é uma ressaca emocional esquisita. Um resíduo indefinido que vira e mexe volta para te visitar. Esse resíduo não é uma falha, é um sentimento real, uma percepção quase física no peito que fica para sempre no coração.

Por isso que, mesmo muito tempo depois de a tempestade passar, da raiva ter sido liberada e do choro ter secado, você olha para dentro e ainda sente um pingo de perplexidade, uma repulsa e uma tristezinha silenciosa pelo que foi feito e que aparece do nada acompanhada de um sincero: "Mas que porre!".

O ganho real: Hoje você tem mais clareza, autonomia e uma força que ninguém te tira. Você não tem saudade da ingenuidade do passado. Essa cicatriz emocional faz parte da sua história, da sua bagagem e é a prova de que você passou por algo absurdo e sobreviveu.

Se você lidou com a parte mais barulhenta, dolorosa e exaustiva do processo, mas sobrou esse resíduo que simplesmente não dissolve, reconheça o esgotamento do assunto, ajuste as alças da mochila, fortaleça a sua musculatura e continue caminhando. Com o tempo, a pedra não fica mais leve, mas você fica mais forte, e o peso dela deixa de ser a única coisa em que você pensa enquanto caminha.

Se hoje você é uma pessoa mais madura, se tem mais clareza sobre o mundo e desenvolveu mais autonomia emocional, essas conquistas são exclusivamente suas, e não um agradecimento pelo mal que te causaram. Você aprendeu porque foi resiliente e foi juntando os pedaços no decorrer  do seu caminho.

 "O imposto espiritual" que fica, essa ressaca, não significa que você regrediu, que não superou ou que está alimentando o passado. Isso é apenas ter uma memória, um registro difícil na sua biografia.

A cura não significa que a dor nunca existiu, mas sim que ela não te domina mais. A verdade sobre o perdão é que ele funciona como um processo de desinfecção emocional, a remoção do veneno da ferida e não uma amnésia do ocorrido. Trata-se de uma decisão de preservação para minimizar o máximo possível o ciclo da dor e do rancor, permitindo a convivência com as cicatrizes do passado sem que a dor continue a ditar o presente.

Isto não absolve o agressor e nem resolve esse ranço. A autonomia conquistada e a sensibilidade no peito coexistem. Você aprendeu, amadureceu, tem uma vida mais funcional, protegida e melhor no presente, e ainda assim sente aquela cicatriz feia e pensa:

"Que fim da picada... mas que bom que eu saí de lá!".

https://terapiamaissaude.com.br/tratamentos/terapias-integrativas


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Autor Beatriz Villac   
. Astrologia e Tarô fundamentados na psicologia junguiana . Master Reiki, Karuna e Seichim Reiki . Master facilitadora em Magnified e Light Healing . Master facilitadora do Método Melchizedek e Gaiadon Heart . Cromoterapia . Terapia Floral . Radiestesia e Radiônica . Geobiologia e Feng Shui . Formação em psicologia analítica
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