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A sintonia do sofrimento



A infância é uma fase em que a criança fica suscetível às impressões que absorve do mundo à sua volta, principalmente do ambiente familiar, quando os pais ou substitutos são referências máximas no sentido do relacionamento próximo e afetivo. Toda indiferença ou distanciamento dos responsáveis adultos, gera na criança um vazio de amor, e se forem acrescidos a essa lacuna, maus tratos e/ou violência sexual, a demanda de amor gerada pelos traumas psíquicos fica registrada em seu inconsciente para o resto da vida.

Muitos adultos com histórico de episódios depressivos apresentam esse "clichê" de sofrimento gerado por experiências marcantes na infância, neuroses que os mantêm fixados vindo a interferir diretamente no amadurecimento emocional. E, geralmente, com a auto-estima baixa não conseguem sair do padrão de sofrimento que exige de si o preenchimento do vazio de amor que ficou do passado.

Dessa forma, na tentativa de saciar a fome que pressiona o inconsciente lançam-se de corpo e alma a aventuras amorosas na expectativa de encontrar no parceiro ou na parceira a extensão parental e o "alimento" que lhes faltou na infância. E entre uma relação amorosa e outra, frustrantes porque o "outro" nem sempre é uma pessoa resolvida emocionalmente, a química do sofrimento volta a atuar em seu psiquismo através de novas crises depressivas que o mantêm "atado" ao clichê da infância, uma vez que a atávica fome ainda não foi saciada pelo alimento da cura emocional: o amor.

Portanto, a química do sofrimento no adulto traduzida em somatizações/patologias é uma consequência do processo gerado na infância e que o mantém prisioneiro de si mesmo, já que somente um outro processo, o do autoconhecimento, poderá interferir no sentido de liberá-lo para o amadurecimento emocional.

Sem um acompanhamento psico-espiritual o indivíduo refém de um ciclo vicioso ligado ao passado e possivelmente com sintonia em vida(s) anterior(es), dificilmente conseguirá por si só superar a tendência de buscar, inconscientemente, situações que estejam relacionadas à química do sofrimento como padrão cristalizado em seu comportamento emocional.

Contudo, se tivermos ferrenha força de vontade na autotransformação e persistirmos em querermos mudar esse glichê mental que historicamente vêm nos condicionando emocionalmente, a solução será encontrada em nós mesmos sem ajuda de terceiros, porque no nível da alteração das sintonias mentais, como diz o dito popular: "Querer é poder!"

Reportando-nos ao documentário "Quem somos nós?" que faz a ponte entre a ciência e a espiritualidade, vimos que estamos imersos no nosso próprio sofrimento. A cada evento que consideramos desagradável reagimos com desarmonia, com mais desagrado e assim geramos mais sofrimento. A esse círculo vicioso e condicionado o budismo chama "samsara".

Isabela Bisconcini em seu artigo "É possível sair do sofrimento?", afirma que qualquer trabalho de transformação pessoal se propõe a abrir novos caminhos, visões, percepções, atitudes, em última instância, novas relações entre os neurônios cerebrais e entre os receptores celulares. Mas, para isso precisamos gerar uma energia para a mudança. Segundo Isabela, Lama Rinpoche nos diz que "é preciso ter experiências positivas para querer repetí-las". É preciso relembrar através do nosso espelho de sabedoria que somos feitos de uma energia pura e bela e que, embora nossos condicionamentos nos mostrem um caminho "batido", há outras possibilidades. Eu não sou minha insegurança, não sou meu medo dos outros, não sou minha sensação de rejeição, mas essas são as marcas que cunhei, que gravei no disco do meu continuum mental. Precisamos atualizar a percepção de nós mesmos, deixando de nos contar a mesma história todo o tempo, pois as nossas reações emocionais reforçam nossas crenças a respeito de nós mesmos.

A partir do entendimento de que a mente é que cria a realidade, o documentário aponta-nos a direção do caminho da transformação: precisamos aguentar a retirada química das nossas adições (nossa projeção de realidade!), a síndrome de abstinência ao vício das nossas reações químico-emocionais, da história do que nos contamos do que é realidade... e arriscarmos um passo à frente do outro, de momento a momento, não respondendo ao impulso gravado que surge como "um pensamento natural". No fundo, tudo se resume a resistir à tentação de crer que o que vivemos é a realidade, que as coisas "são assim". A realidade não existe. Sobretudo, devemos nos concentrar na intenção de tudo o que fazemos e direcioná-la positivamente. A mente cria a realidade.

Independentemente de que nossa mudança interior ocorra ou não com ajuda de terceiros, a química do sofrimento não é, absolutamente, uma sentença de condenação eterna à sintonia da amargura, mas uma motivação e acima de tudo um desafio para que nos tornemos alquimistas de nossa própria transformação química em busca da felicidade possível.

"O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino."
Carl Jung

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
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Texto revisado por Cris
Publicado dia 7/12/2007

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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com | Mais artigos.

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