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A Sobrevivência de uma Mulher!

por Irlei Wiesel

Publicado dia 12/5/2008 em Autoconhecimento

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Iniciei minha vida escolar aos quatro anos. Costumo dizer que, naquela época, comecei a desenvolver conceitos importantes como responsabilidade, foco e persistência. Por isso, lembro que, diariamente, um toque suave despertava-me do sono, dizendo: - Filha, está na hora!

Era minha mãe me despertando valores! Eu pulava para o seu pescoço quentinho, abria um lindo sorriso e desejava ficar ali. O mundo, naquele momento do abraço, era perfeito. O que uma criança de quatro anos poderia querer mais do que acordar para um abraço afetuoso?

No entanto, a sabedoria intuitiva da minha mãe me direcionava com todo carinho para o verdadeiro mundo. Sabia ela que o aconchego fazia parte da vida, mas não sobreviveríamos sem aprender a lidar com os desafios. Foi assim que, ao pular da cama de manhã, aos 4 aninhos, pulei para a vida.

Imaginem uma casa distante 4 km da escola. Estrada de chão, sem transporte escolar, sem o conforto dos pais para levarem à escola... Essa era a minha realidade. Quando pela manhã, a mãe abria a porta para eu ir para a escola, era completamente escuro. Eu saía de casa às 6:30hs. De mochila nas costas, acenava para quem deixava para trás. Sorrindo, seguia a pé!

No verão, a poeira quase asfixiava. Saía da escola com o relógio marcando 11:45hs. Iniciava-se o longo caminho de volta. Depois de uma hora e meia de caminhada, eu finalmente chegava em casa. O calor do sol era intenso, meu boné não impedia que o sol me machucasse. Lembro que ao chegar em casa minha mãe já me esperava na estrada, perto de casa e eu corria para ela.

Muitas vezes chorava de dor de cabeça, fome, calor, sede ou também porque, no caminho, os meus primos brigavam comigo, não me cuidavam como a mãe havia recomendado. Chorava também por medo, pois às vezes, as tempestades de verão eram monstruosas.

Algumas vezes contávamos com aquela árvore gigante que havia crescido no caminho por onde passávamos. Nela, nos abrigávamos dos raios e trovões. Contudo, nem sempre a árvore estava perto, então, era se encolher e desejar que o raio não nos encontrasse. Durante essas tempestades de verão, eu chorava muito, desejando muito estar protegida com minha mãe!

No inverno, o frio fazia o corpo doer. Apesar de estar bem agasalhada, nada impedia o frio da geada. Havia dias em que o gelo da estrada deixava tudo escorregadio. Eu segurava na mão de alguém, mas na maioria das vezes, eu resvalava e caía. Devido ao tombo minha roupa molhava. Meu coração ficava apertado pela dificuldade do trajeto. As extremidades do corpo congelavam.

Estou falando dos invernos no Rio Grande do Sul, onde os termômetros chegam a zero grau e, às vezes, a menos ainda. Nesse frio de congelar, saía de casa uma menina de 4 aninhos, enfrentando o escuro, a geada, a chuva, temporais, calor de quase 40 graus, sol, saudade do pai, da mãe, dos maninhos mais novos, da mamadeira, do cheirinho da cama quentinha... Saía uma criança para a vida.

O que na época era uma prática comum, hoje é raro. O conforto e a praticidade alcançaram as gerações escolares de hoje. No entanto, coube-me a difícil tarefa de sobreviver àquelas adversidades.

Hoje já estou adulta e a mulher que me dava suporte já é vovó. Sua neta, minha filha, vive outros desafios. Reconheço que muito mais confortáveis são os tempos de agora. Percebo que eu tive uma força incrível para suportar aquela rotina por cinco anos. Contudo, minha maior convicção é de que nada conseguiria sem a força de minha mãe.

Imagino o quanto era difícil para ela tirar um bebê da cama e jogá-lo a toda sorte de intempéries. Ela não podia acompanhar-me, proteger-me, amenizar o cansaço do caminho. Não... Podia apenas oferecer em sua atitude, a naturalidade. E ela o fez. Ela superou sua piedade de mãe e tratou de fazer de conta que aquilo tudo seria possível para uma menina como eu. Como a mãe nessa faixa etária sempre tem razão para os filhos, eu muito simpática e amável, comprei a idéia.

Assim, juntas, mãe e filha, apoiavam-se na lei da autoconfiança. Com essa estratégia, sobrevivemos. Caso ela tivesse olhado para mim com pena e tristeza, eu teria percebido e, certamente, encontraria uma desculpa, consciente ou inconsciente, para desistir tornando-me uma coitadinha, usando inúmeras desculpas para justificar futuros fracassos.

Orgulho-me da minha história e agradeço a Deus todos os dias por ter sido despertada, diariamente, por uma guerreira e igualmente vitoriosa: minha Mamãe!

Texto revisado por Cris

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