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A Sociedade Feudal e os Templarios - II



Devido ao fato de que o Rei é um primus inter pares, o primeiro entre os iguais, não tem suficiente poder militar para impor a forma de estado aos demais nobres; ademais, como são tribos, todo membro da tribo tem direito a ser chefe, a ser nomeado Rei e a primeira luta foi entre os Reis, para tornar hereditário o trono, e o povo bárbaro, para ter acesso ao trono. Os Reis debilitados dividem o poder com seus capitães, coronéis, por último, com a categoria militar.

A categoria militar forma os nobres que têm à sua disposição homens armados, pequenos exércitos; porque os Reis tinham pouco poder, se viram obrigados a confiar a seus oficiais militares a defesa de castelos, praças, cidades e territórios. Os que estão à frente desses pequenos exércitos são os duques, ou os condes, ou os marqueses e constituem a hierarquia militar como hoje em dia temos nossa própria hierarquia militar formada por tenentes, capitães, coronéis ou generais.

O ponto crucial de transformação dos cargos militares na nobreza ocorreu quando os senhores da guerra tornaram hereditários dos ditos cargos militares e os vincularam a suas famílias: nesse momento nasce a nobreza. A nobreza não é uniforme; por exemplo, existe uma alta nobreza na Espanha que ordenada hierarquicamente é composta por duques, marqueses, condes, viscondes e barões, e uma baixa nobreza, suficientemente rica para manter um cavalo, formada por cavaleiros e por fidalgos (lembremos que Don Quixote era um pobre fidalgo da Mancha).

Ademais, no caso espanhol temos os Grandes da Espanha que têm mais privilégios que os restantes nobres, tais como chamar o Rei de primo, não esperar para ser recebido em audiência ou olhar diretamente nos olhos do rei. Atualmente a nobreza espanhola é formada por 2500 títulos que, separados, são 143 duques, 1250 marqueses, 865 condados, 190 viscondes e 155 baronatos e ainda 385 que são os Grandes da Espanha; esses formam a alta nobreza aos que se tem que somar a baixa nobreza. Não se incluem os títulos nobiliárquicos concedidos pelos carlistas nem os títulos estrangeiros reconhecidos na Espanha.

Tanto a baixa como a alta nobreza vê na guerra o meio de aumentar seu patrimônio, ora lutando entre eles, ora lutando contra os muçulmanos na Espanha. Em ambos os casos a vitória traz consigo a aquisição de novos territórios e, como a riqueza reside na terra, aumentam seu patrimônio, fortalezas, servos da gleba, possibilidades de arrecadação de impostos e, enfim, poder.

E nesse ambiente de guerra constante porque não existe poder político centralizado que imponha a paz - que somente foi possível com as monarquias autoritárias - a Igreja vai, pouco a pouco, impondo sua autoridade àqueles bandos de foragidos a mando de um conde ou de um duque. E a Igreja o fez mediante as Tréguas de Deus, períodos onde aqueles bandoleiros se comprometiam a se respeitar e a não lutar.

As Tréguas de Deus não resolveram o problema de ordem pública porque os nobres continuavam lutando entre si para obter riquezas e por isso os Reis apoiaram a idéia das Cruzadas porque era um mecanismo para reduzir os conflitos internos, sobretudo quando o poder político era muito débil para se impor à nobreza. A energia da Europa, a energia dos duques e dos condes se dirigiu para a Terra Santa e a partir desse momento os Reis foram aumentando seu poder, seus exércitos e sua capacidade financeira, o que lhes permitiu financiar exércitos permanentes, fato que explica a construção do estado moderno.

Os duques, os condes viram na conquista da Terra Santa a possibilidade de aumentar suas riquezas, de fazer as Américas. A solução prática foi a fundação das ordens monásticas militares. O nobre se converte em monge, aceita a disciplina monacal e, ao mesmo tempo continua sendo militar. A cavalaria cristã se contrapõe à mundana de forma mais clara e na defesa apaixonada feita por São Bernardo da Milícia do Templo, cujos cavaleiros praticam todas as virtudes cristãs e dessas idéias se faz eco Gautier de Map, a quem se atribui a novela sobre a Busca do Graal. Martin J.Lu defensores e cavaleiros ... página 40.

Para os Reis Europeus a Ordem do Templo representou a solução de seus problemas com a nobreza insurgente, por isso não se deve estranhar a proteção dos Reis porque a Ordem do Templo solucionou um problema político que estava sem solução desde a destruição do Império Romano do Ocidente, e problema reconhecido de ordem pública.

Ademais, a Ordem do Templo resolveu mais dois problemas.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 25/5/2007

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