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A TERAPIA DO TOQUE SUAVE: INTEGRAÇÃO CRANIOSSACRAL



A Terapia Craniossacral é uma modalidade de terapia manual que promove condições ótimas de saúde, encorajando a vitalidade e o bem estar geral, regulando o funcionamento do sistema nervoso central e autônomo, usando toques leves e manipulações não invasivas de tecidos e fluidos corporais.

As pessoas procuram a terapia craniossacral por diferentes razões e motivações. São muitos os seus benefícios para o tratamento de problemas físicos agudos e crônicos, como terapia de apoio em situações de estresse, dificuldades psicológicas e emocionais e também para melhorar a qualidade de vida por promover uma integração do corpo, mente e espírito.

É uma terapia complementar, altamente eficaz, que tem como indicações gerais: dores agudas e crônicas; enxaquecas; problemas visuais e auditivos; labirintite; zumbidos nos ouvidos; problemas de coluna, hérnias de disco e calcificações; problemas menstruais, digestivos e circulatórios; dificuldades de aprendizado; autismo; síndrome de ATM; desequilíbrios psico-emocionais como estresse, depressão, cansaço crônico, ansiedade, insônia e no suporte a tratamento de traumas, choques e acidentes. É indicada também como terapia preventiva por aumentar a resistência do sistema imunológico e a capacidade de auto-cura natural do corpo, ajudando nas questões de envelhecimento e desequilíbrios hormonais.

Dependendo do paciente, os efeitos do tratamento podem ser imediatos e/ou cumulativos, muitas vezes eliminando a necessidade de cirurgias e reduzindo o uso de medicamentos, trabalhando em associação e sob a supervisão do profissional médico competente. Os pacientes mais jovens respondem mais rapidamente ao tratamento e os casos crônicos e mais severos podem necessitar de tratamento semanal por vários meses.

A profundidade do trabalho pode ser explicada pelo fato de ser aplicada no nosso sistema fisiológico mais importante e fundamental: o Sistema Craniossacral. Este sistema é formado pelo liquor (fluido cerebrospinal), as meninges, os ossos cranianos e o osso sacro na base da coluna vertebral. A terapia visa liberar as restrições que estejam impedindo o funcionamento adequado desse sistema, resultando nos problemas citados anteriormente.

Melhorar o funcionamento do sistema craniossacral significa melhorar a circulação do liquor que circula entre as meninges ao redor do cérebro e ao longo de toda coluna vertebral. O liquor é um líquido claro filtrado do sangue por estruturas específicas (plexo coroidal), nos ventrículos dentro do cérebro, que tem a função de nutrição e proteção mecânica e química do sistema nervoso, carregando também as toxinas de volta ao sistema venoso. Sua circulação resulta em uma flutuação rítmica ou pulsação (ritmo craniossacral) que pode ser sentida através de palpação específica em qualquer parte do corpo. Todas as funções mediadas pelos sistema nervoso central dependem do fornecimento adequado deste liquor. Se a fisiologia do líquido cerebrospinal estiver alterada, o funcionamento do sistema nervoso pode ser afetado com prejuízos na saúde do corpo todo.

Dr. Sutherland, pai da osteopatia craniana, considerava o liquor como “luz líquida” que carrega a energia da vida, conferindo a ele propriedades curativas distintas: ”O liquor é o ponto de encontro entre o sopro da vida e o corpo, é onde o físico e o espiritual se unem, a essência que conduz o príncipio de vida pelo corpo, como a seiva vital em uma árvore.”

Por sua íntima relação com o Sistema Nervoso podemos dizer que o bom funcionamento do Sistema Craniossacral é o requisito básico para o seu equilíbrio e de todos os outros sistemas por ele influenciados (Sistema Circulatório, Respiratório, Hormonal, Imunológico, etc.), ou seja, o corpo todo.

A terapia craniossacral tem sua base nos estudos pioneiros do osteopata americano Dr. William Sutherland no início do século 20 (1920-1930, aproximadamente). Ele observou que os ossos do crânio permitiam um pequeno grau de movimentação entre eles, uma idéia radical que contrariava os textos de anatomia que ensinavam que os ossos cranianos eram solidificados antes da idade adulta. Desenvolveu pesquisas e experiências que deram origem a um sistema de tratamento chamado de osteopatia craniana.

Nos anos 70, outro médico e osteopata americano Dr. John Upledger, descobriu acidentalmente o Sistema Craniossacral durante uma cirurgia de rotina. Ele desenvolveu uma série de estudos na Universidade de Michigan que comprovaram e deram origem à base científica do sistema craniossacral, sua função e técnicas de tratamento que podem resolver uma grande gama de problemas de saúde.

Principalmente nos Estados Unidos e Europa, a terapia craniossacral é a terapia alternativa que mais vem crescendo, graças aos resultados clínicos satisfatórios no tratamento e prevenção de bebês, crianças, adultos e idosos, não apresentando contra indicações desde que praticada por profissionais devidamente treinados. Existem maternidades na Inglaterra onde o terapeuta craniossacral, sob supervisão do obstetra, trata de recém-nascidos para prevenir problemas decorrentes da gestação e parto, já que pesquisas da Dra. Viola Frymann demonstraram a relação entre a alta porcentagem de bebês com distúrbios no sistema craniossacral e o desenvolvimento de sintomatologia.

Dependendo do país e suas leis, existem associações e regulamentos diferentes, sendo que no Brasil a Formação em Terapia de Integração Craniossacral vai iniciar a sua terceira turma em abril.

Atualmente, existem algumas vertentes de terapia craniossacral:
- a abordagem biomecânica e funcional onde são usados protocolos e técnicas de manipulações de estruturas físicas;
- a liberação somatoemocional que trabalha com a expressão de emoções guardadas na memória tissular;
- a abordagem biodinâmica que considera o ser humano em sua totalidade e trabalha a favor das forças inerentes de criação e manutenção da saúde, usando a compreensão do Sopro da Vida e da Respiração Primária conforme o pensamento original do Dr. Sutherland.

A Terapia de Integração Craniossacral tem um abrangente programa original que unifica e engloba estas diferentes abordagens e protocolos, situando a relação paciente-terapeuta em uma atmosfera amorosa de aceitação, levando em conta as necessidades e limites de cada paciente para a aplicação das técnicas.

Na visão holística da Integração Craniossacral consideramos que cada parte do corpo está conectada com a totalidade do ser e funciona em relação com todas as outras partes. O corpo faz parte de um continuum: mente, corpo e espírito. Somos seres complexos formados de traços individuais e experiências únicas, interagindo constantemente com a vida. O corpo registra as experiências, pensamentos e sentimentos e responde de acordo com as situações, originando um padrão de comportamento que é a expressão da totalidade do ser. O tratamento craniossacral leva em consideração a tentativa do corpo em lidar com a doença da melhor maneira possível e trabalha a favor da fisiologia individual do corpo, melhorando os mecanismos naturais de cura em direção à saúde e integração. Equilibrando o sistema nervoso autônomo, a terapia de Integração Craniossacral também promove um profundo relaxamento e um estado de quietude e harmonia.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 24/3/2007

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