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A Velha Religião - Ciclos Femininos - I



O que tem a lua para despertar tanta curiosidade e até mesmo uma pitada de terror? Por que há tantas lendas sobre feiticeiras, vampiros e lobisomens que aparecem na Lua Cheia?

Por outro lado, por que olhamos para a Lua e ansiamos por amor? Por que tantos poemas, canções e histórias destacam a Lua? E por que os povos primitivos no mundo todo adoram a lua, realizando rituais e festas na lua Cheia?

A Lua já foi objeto de adoração dos povos do mundo todo. Havia um elo entre a Lua, a fertilidade e os nascimentos e era feita alguma associação entre os ciclos menstruais das mulheres e o ciclo da Lua. A reverência universal pela Lua era um exemplo da superstição primitiva dos povos ignorantes, ou refletiria séculos de observação sobre o poderoso efeito da Lua?

A Velha Religião

Antes de o cristianismo ter-se tornado a religião dominante na civilização ocidental, havia muitos deuses. Entre os mais comumente adorados estavam as deusas da Lua, chamadas por muitos nomes, inclusive Diana, Ártemis e Hécate. As pessoas recorriam a elas para garantir a fertilidade, os partos sem problemas, as boas colheitas e o sucesso nas caçadas. Naqueles dias a taxa de mortalidade infantil e morte por parto eram altas, de modo que os seus templos eram populares. Nenhuma mulher que desejasse filhos e quisesse sobreviver à gravidez faria pouco caso de Diana.

Pela Europa toda, nos milênios anteriores ao cristianismo, predominava a religião da Lua. Eram rotineiros os rituais, cerimônias e festas da Lua Cheia. Algumas Luas Cheias eram consideradas particularmente poderosas e sagradas; talvez esses assim chamados primitivos estivessem sintonizados com as flutuações da energia e do poder da Lua. A festa da Lua Cheia pode ter constituído um canal de vazão seguro e possivelmente até saudável para as emoções que se acumulam durante o ciclo mensal e que tendem a precisar de uma descarga por volta da Lua Cheia. O Halloween (Dia das Bruxas) e a Páscoa são, na verdade, remanescentes das celebrações dessa era de que os padres da Igreja, astutamente, se apropriaram.

Conhecida agora pelos nomes de wicca, paganismo ou feitiçaria, a Velha Religião não era uma questão de bruxas e duendes e, certamente, não era uma questão de adoração do diabo ou satanismo. Pelo contrário, era uma prática espiritual baseada em séculos de observação da maneira como a Lua e outras forças naturais interagem com as plantas, os animais e os seres humanos. A velha palavra anglo-saxônica, wicca, significa simplesmente conhecimento e incorporava o conhecimento de quando plantar, caçar e pescar e de como curar usando plantas, ervas e outros meios naturais. Até hoje os bons fazendeiros sabem observar a lua para as épocas de plantio e colheita. Como os antigos, eles constatam que as sementes brotam muito melhor logo depois da Lua Nova, principalmente da Lua Nova em Touro que cai no fim de abril ou começo de maio. Da mesma forma, os pescadores dedicados compram calendários da Lua que indicam as melhores épocas para pescar.

A Lua corresponde ao lado mais feminino das pessoas, homens e mulheres, e a Velha Religião era em si uma celebração do aspecto feminino da natureza, com uma deusa e sacerdotisas no lugar de sacerdotes. À medida que o cristianismo se fortaleceu, a religião da Lua começou a ser encarada como perigosa e perversa, juntamente com o nosso correspondente lado feminino, que está ligado à Lua e às emoções, aos ritmos naturais e aos instintos. O declínio da Velha Religião ocorreu paralelamente a um período da história em que a sociedade se tornou marcadamente patriarcal e as mulheres foram colocadas numa posição inferior e menos poderosa.

A Velha Religião foi reprimida pela perseguição religiosa, as conversões à força, a caça às bruxas e a queima de feiticeiras, mas houve época em que foi a religião do povo. Talvez você tenha visto imagens de Maria com uma Lua crescente sob os pés. Isto é um símbolo do esmagamento da Velha Religião. Contudo, em locais onde a Velha Religião era forte, o cristianismo só triunfou implantando a veneração de Maria, através da qual persistiu o culto de Diana sob um leve disfarce. Eliminando a wicca pela força, infelizmente eliminamos também grande parte do conhecimento sobre a cura e os ritmos naturais que a acompanham.

Não estou absolutamente sugerindo uma volta à adoração da Lua, mas pelo menos podemos parar de ignorá-la e começar a prestar atenção nos ritmos e ciclos que ela representa. Podemos aliviar o stress deixando de agir contra a natureza. Podemos vir a saber quais são os períodos em que o corpo, a mente e o espírito precisam de descanso, bem como quais são os períodos mais produtivos para trabalhar.

A Antiga Ligação entre a Lua e os Ciclos Femininos

Os antigos rezavam a Diana, a deusa da fertilidade, para que o parto corresse bem, algo que, naqueles dias, não era uma certeza. Muitos povos diferentes por todo o mundo partilhavam a crença de que a Lua também tinha o seu ciclo menstrual. Mesmo os que não adoravam a Lua diziam que ela tinha seu período quando estava escura. Muitas tribos diferentes, ignorantes dos fatos da vida, acreditavam que as mulheres eram fertilizadas pela Lua Cheia. De onde se originaram tais crenças? Seria o produto de um raciocínio confuso e primitivo, ou haveria naquela época uma ligação íntima e facilmente observável entre a Lua e os ciclos das mulheres, levando-os àquela conclusão?

A pesquisa parece indicar uma efetiva ligação. Em 1898, o cientista vencedor do prêmio Nobel, Svante Arrhenius, realizou estudos meticulosos sobre os ciclos menstruais de 12.000 mulheres pacientes de uma maternidade sueca, constatando que a Lua realmente tinha um efeito específico sobre os ciclos delas. Em 1936, 10.000 alemãs foram catalogadas por Guthmann e Oswald, constatando-se que havia um número maior de mulheres cujos períodos ocorriam na Lua Nova e na Lua Cheia e não em qualquer época. Um estudo de mais de 7.000 mulheres feito em 1962 pelo cientista tcheco Dr. Jeri Malek demonstrou que o início do sangramento ocorre na Lua Cheia com mais freqüência do que em qualquer outra fase.(*)

A sabedoria popular também afirma que ocorrem mais nascimentos na Lua Cheia. Tais pesquisas levaram uma mulher chamada Louise Lacey, a especular que, nos tempos antigos, a maioria das mulheres da tribo ficava fértil na Lua Cheia e que seus ciclos menstruais eram sincronizados entre si. Já se observou que as mulheres que vivem juntas tendem a ajustar seus ciclos menstruais um ao outro. Os biólogos opinam que a explicação é algum tipo de percepção olfativa subliminar dos hormônios liberados. Imagine a vida num acampamento ou numa tribo onde a maioria das mulheres ovule ao mesmo tempo, estando na época mais reativa do ponto de vista sexual, enquanto lá em cima a Lua está cheia e as emoções atingem o auge. A ligação entre a Lua e a fertilidade seria forte nessa visão do mundo bem como a ligação com os nascimentos, já que nove meses lunares depois, também na Lua Cheia, as crianças nasceriam.

(*)Todos os estudos deste parágrafo foram citados em Moon Madness, de E. L. Abel (NY: Fawcett, 1976), pp.78-79. Outros estudos, citados em fontes que chegam até 1981, confirmam o período de pico na Lua Cheia.

Soraya Ferreira Mariani

Texto revisado por Cris
Publicado dia 8/4/2007

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Autor: CIRANDDA DA LUA    
Soraya Mariani é coordenadora do Projeto Cirandda da Lua.Tem formação acadêmica em artes e pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia e Arte Terapia. Agrega ao seu conhecimento diversas técnicas holísticas: floral, fitoterapia, encantação de contos, tarô; e ainda dedica-se ao estudo e prática da mitologia arquetípica, filosofia, antroposofia.
E-mail: ciranddadalua@yahoo.com.br | Mais artigos.

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