A vida que estou vivendo é realmente minha?
Autor Adriana Garibaldi
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 1/12/2026 6:15:55 PM
As decisões que tomo partem de mim?
Ou obedecem a um roteiro produzido por outros. por personalidades intrusas na minha mente, que insuflam comportamentos e reações que parecem ser meus, mas não são?
Muitas pessoas vivem e morrem sem jamais despertarem para aquilo que realmente são.
No entanto, despertar para a verdade é algo que está totalmente disponível a todos.
O único caminho é enfrentar a si mesmo.
Resgatar as partes de você que foram esquecidas no porão escuro da psique.
Olhar-se com clareza, sem as máscaras criadas para se proteger.
Vamos começar explorando isso.
Você já se perguntou por que tem carregado artifícios para se esconder de si mesmo?
Uma máscara social que você confunde com identidade - mas que não é.
Quando aprende a retirar essas camadas falsas e a silenciar as vozes que não são suas, descobre que é exatamente ali que a sua vida começa de verdade.
A mudança surge quando você sai do piloto automático e assume o controle da própria existência.
Não esperando que a transformação venha de fora, mas reconhecendo que ela nasce dentro.
Desde que você nasceu, algo foi sendo construído no seu cérebro.
Carl Jung chamou isso de persona, ou máscara.
Trata-se de um mecanismo psicológico tão real quanto o medo, a sede ou a fome.
No cérebro - especialmente no córtex pré-frontal - está a área relacionada à nossa interação social.
Quando você começou a perceber que certos comportamentos geravam aceitação ou rejeição, aprovação ou crítica, sem perceber, passou a criar uma personalidade fictícia.
Desde muito pequeno, você aprendeu que o choro gera cuidado, carinho e proteção.
E sua mente registrou: ser vulnerável gera aprovação.
Mas, se em outro contexto, ao chorar você ouviu frases como:
"Crianças grandes não choram" ou "engula esse choro",
o cérebro registrou outra mensagem: ser frágil gera rejeição.
E assim, experiência após experiência, você foi moldando, inconscientemente, as máscaras mais adequadas para se mover no mundo.
Usar máscaras sociais não é, em si, algo negativo.
O problema surge quando você deixa de reconhecer onde a máscara começa - e onde ela termina.
Quando se identifica tanto com ela que já não reconhece mais o próprio rosto.
Gastando uma enorme quantidade de energia para sustentar uma personalidade falsa.
Até que um dia você acorda se sentindo vazio.Sem compreender por quê.
Afinal, "tudo deveria estar bem".Você conquistou coisas, seguiu o roteiro esperado.E mesmo assim, algo não encaixa.
E então. eureka.
Você percebe que esse vazio é o seu Eu verdadeiro gritando por trás das máscaras.
O mais doloroso é que elas não escondem sua essência apenas do mundo -
elas a escondem de você mesmo.
Durante todo esse tempo atrás da máscara, muitas partes suas foram reprimidas.
Partes que precisaram ser silenciadas, escondidas.
Jung chamou isso de sombra -os aspectos que permanecem fora da luz da consciência.
A sombra é tudo aquilo que não cabe na máscara.
Se sua máscara mostra alguém sempre feliz,a tristeza migra para a sombra.
Se a máscara exibe racionalidade, a sensibilidade é empurrada para o inconsciente.
E o mais importante: a sombra não desaparece quando é negada. Ao contrário - ela se fortalece.
E, quando menos se espera, emerge com intensidade.
Chega então o momento em que você compreende: a vida que tem vivido não é sua, mas de um personagem que você aprendeu a interpretar -em uma peça que nunca escolheu e que sequer entende completamente.
Como lidar com a sombra, então? O primeiro passo é aceitar que ela existe.E reconhecer que não temos controle sobre tudo.
Segundo a psicologia analítica de Jung, a sombra não deve ser temida, mas acolhida.Ela carrega potenciais e feridas que, quando integrados, nos conduzem a uma vida mais autêntica.
Esse caminho é chamado de individuação: o processo de nos tornarmos quem realmente somos.
A individuação não é perfeição. É uma tensão viva entre opostos -um movimento em direção à totalidade, ao Self.
Não se julgue. Nem julgue os outros.
A sombra não é inerentemente má.
Ela é a parte reprimida, desconhecida e muitas vezes dolorosa da personalidade -que precisa ser reconhecida e integrada para que haja crescimento.
No processo de cura, conteúdos do inconsciente emergem à consciência por meio de símbolos, sonhos e sincronicidades, revelando verdades profundas.
Ao integrar a sombra, curamos feridas emocionais, ganhamos autoconfiança,construímos relações mais saudáveis uma vida mais plena.
Esse processo nos ajuda a compreender nosso lugar no mundo e a criar um sistema de valores mais autêntico -sem isolamento, sem autoabandono.
É um caminho para toda a vida, especialmente intenso na segunda metade dela, que nos conduz à plenitude, ao significado e a uma harmonia interna mais profunda.
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