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A Vidente - Capítulo 2

por Eduardo Paes Ferreira Netto

Publicado dia 10/6/2008 em Autoconhecimento

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- Alô... Mme Rosa?
- Sim!
- Gostaria de marcar uma consulta.
- Pode ser na próxima quarta-feira, às 16 horas?
- Pode ser.
- Por favor, dê-me seu nome e telefone.
- Antonio Pedro Coutinho. 8943-6745.
- Tudo bem, está marcada.

Quarta feira, o consulente chegou pontualmente ao consultório de Mme Rosa.
- Boa tarde, madame.
- Boa tarde, senhor Antonio, entre.

Ao apertar-lhe a mão a vidente sentiu um arrepio por todo o corpo. Acomodou o consulente e entregou-lhe a ficha da consulta para preenchimento. Enquanto isso, passou a analisá-lo.

Era um tipo estranho, a fronte baixa, olhar de soslaio, nariz aquilino com ponta redonda, lábios finos, apertados e caído dos lados. Todos os sinais de um tipo dissimulado, velhaco, ambicioso, orgulhoso, egoísta e cruel. Certamente não iria lhe pedir boa coisa. Uma entidade de mundo astral inferior o acompanhava.

O consulente entregou-lhe o formulário.
- Em que posso servi-lo, Sr. Antonio?
- Tinha uma marcenaria bem movimentada no bairro, até que um tal de Dagoberto se instalou perto de mim e aí os serviços foram escasseando e meus fregueses desaparecendo.
- E o que é que deseja que eu faça?
- Quero que ele sofra um acidente e fique paralítico sem poder trabalhar. Assim meus fregueses voltarão para mim.
- Meu caro, o senhor está mal informado sobre meus trabalhos. Eu não faço esse tipo de coisa. Posso lhe ajudar, talvez, tentando fazer com que alguns dos que se foram, voltem, mas essa maldade que está me pedindo, jamais! Isso é contra as leis de Deus. Se por acaso eu lhe atendesse estaria atraindo para mim e para o senhor um carma, certamente, terrível.
- Não entendo esse negócio de carma. O que quero é que esse sujeito, pelo menos, suma do bairro.
- A lei do carma é a lei de causa e efeito. Quer dizer que tudo o que fizer aos outros voltará para si. É como uma bola jogada contra a parede: ela voltará para si. O senhor gostaria de sofrer o que está desejando ao concorrente?
- De jeito nenhum, de jeito nenhum!
- Então, meu filho, precisa pensar noutra coisa.
- Como pensar noutra coisa? Não faz mal, não, eu quero mesmo é vê-lo sofrer, desaparecer de minhas vistas.
- Lamento, mas não posso atendê-lo.
- Eu preciso resolver esse problema! O que faço, então?
- Precisa modificar seu modo de ser. Sua clientela afastou-se porque não gosta de você e não por causa da concorrência. O Sr. Dagoberto é um artista, seu trabalho é de alto nível e ele oferece a seus clientes um tratamento diferenciado. O senhor é orgulhoso e despótico, trata mal os clientes e como é o único no bairro cobra muito alto por seus serviços.
- Eu preciso viver bem.
- Senhor Antonio, aqui está seu dinheiro de volta. Já lhe disse que não
faço o tipo de serviço que deseja.
- E o que é que eu faço?
- Não faço a mínima idéia.

O marceneiro pegou o dinheiro e saiu aborrecido, soltando imprecações. A vidente pôs num turíbulo uma combinação especial de incensos para limpar seu ambiente da influência deletéria deixada pela entidade companheira do consulente.

À noite, diante de seu altar acendeu uma vela, pôs um combinação secreta de incensos, colocou água nova num vaso de cristal e num pires um punhado de sal; no centro, uma estrela de cinco pontas. Acima do altar via-se a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seu protetor espiritual.

Iniciou seu cerimonial com uma oração ao Supremo Criador, invocou a presença do mentor espiritual pedindo sua interferência para ajudar o marceneiro, livrando-o da influência da entidade maléfica. Feito isso passou a meditar. Uma hora depois deu por encerrada a cerimônia com oração de despedida e agradecimento a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo e a seu mentor espiritual pela ajuda recebida.

O que se passou no mundo astral não se sabe, mas um mês após, o marceneiro pediu para marcar nova consulta. Chegou mais humilde.
- Então, Sr. Antonio, o que tem para me dizer?
- É, parece que as coisas começaram a melhorar. Surgiram alguns clientes novos e tratei de melhorar meus preços e meu modo de atendê-los. Bem, e agora o que acha que devo fazer?
- Procure o Sr. Dagoberto, converse com ele, torne-se seu amigo, você tem muito o que aprender com ele.

Mme Rosa ainda por cerca de meia hora manteve o marceneiro envolvido numa aura de luz enquanto o orientava no sentido de melhorar seu relacionamento com as pessoas. Num misto de recusa e aceitação dos conselhos da vidente, pagou-lhe a quantia estipulada e regressou à casa com a cabeça cheia, porém com o ânimo renovado.

Um mês inteiro relutou em procurar o concorrente, apesar dos sonhos induzidos à noite pela vidente, cujo trabalho não terminara com a conclusão da consulta. Nesses sonhos ele se via dialogando amistosamente com Dagoberto que lhe ensinava novas técnicas de trabalho e de administração.

Certo dia saiu a fazer compras na cidade e encontrou o concorrente no estabelecimento de seu fornecedor de madeiras. Dagoberto, reconhecendo-o, aproximou-se e cumprimentou-o amistosamente. Dali para frente mantiveram uma amizade muito proveitosa para ambos.

Antonio chegou à conclusão de que Dagoberto não lhe fazia concorrência, pois a clientela dele era de alto nível, só trabalhava com móveis de luxo. Melhorou a aparência de sua marcenaria, o preço de seus trabalhos e o modo de tratar seus clientes. A situação começou a melhorar e em tempo relativamente curto obteve um desenvolvimento bastante apreciável.

Mme. Rosa, após verificar essa mudança na vida do Sr. Antonio, deu por encerrada sua consulta, consciente de ter cumprido mais uma vez sua missão de disseminar entre seus consulentes AMOR E LUZ.

Parte 1

Texto revisado por Cris

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