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Adoção


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O que falar sobre adoção? Este é um assunto muito delicado, muito difícil.

Antes de mais nada, quero esclarecer que não sou contrária à ideia da adoção, pelo contrário. Afinal, existem muitas crianças e adolescentes que precisam de uma família. Mas a adoção exige certos cuidados e uma boa orientação de profissionais para que não resulte em trauma para todos os envolvidos.

Em primeiro lugar, é preciso desconstruir ideias romantizadas sobre a maternidade / paternidade e sobre a adoção. É claro que a maternidade e a paternidade são muito gratificantes e podem trazer grandes alegrias, mas as dificuldades também são muitas e determinadas situações podem ser muito desafiadoras.

Quanto à adoção, cada caso tem as suas particularidades. Existem casos de adoção em que o relacionamento entre pais e filhos é muito bom, tranquilo. Mas também existem inúmeros casos em que a convivência não é nada fácil. Então são muitos os casos em que os pais adotivos acabam desistindo da adoção, principalmente durante o período de adaptação. Os números são alarmantes. E não é o caso de julgar estas pessoas. Vamos analisar a questão um pouco melhor.

Em primeiro lugar, trata-se de pessoas tentando criar vínculos. Este processo não acontece de uma hora para outra. Mães e pais biológicos têm 9 meses para se preparar para a chegada de um bebê. Mesmo assim existem pessoas que passam por depressão logo depois da chegada da criança e pouco se fala sobre isso. É preciso discutir mais a questão da depressão pós parto. Você já ouviu falar de depressão pós adoção? Este é um risco sobre o qual muitas pessoas nada sabem.

No caso de uma adoção, trata-se de pessoas que têm um determinado "background" recebendo outra pessoa que vem de um sistema familiar e social totalmente diferente. É compreensível que isto provoque estranhamento e até mesmo rejeição. Se aquela criança ou adolescente veio de um meio onde havia violência e promiscuidade, por exemplo, podemos considerar normal que pessoas que vêm de outra realidade não aceitem facilmente palavras e atitudes que vão contra os seus valores. A adaptação não é nada fácil, mas é possível.

Além disso, muitas das crianças e adolescentes que estão esperando ser adotados têm problemas psíquicos, pois têm histórias de vida muito difíceis, cheias de sofrimento. E não posso deixar de observar que pessoas que têm problemas psicológicos e até mesmo psiquiátricos normalmente deixam as pessoas do seu convívio doentes também. Então muitas vezes aqueles que estão passando pelo processo de adotar uma criança ou adolescente precisam de assistência psicológica e em certos casos podem precisar recorrer a um psiquiatra. Não quero assustar aqueles que estão pensando em se tornar pais adotivos, mas esta é a realidade. Uma opção pode ser recorrer à terapia familiar sistêmica.

Aliás, é claro que os pais adotivos também podem ter problemas psíquicos, o que certamente interfere na construção do vínculo, na dinâmica da relação. Se o(a) adotante tiver problemas psicológicos e/ou psiquiátricos tais problemas podem se tornar mais intensos e o relacionamento pode se tornar mais difícil. Nestes casos é ainda mais necessária a intervenção de profissionais. Não quero desestimular ninguém que queira se tornar pai ou mãe adotivo(a), mas se o adotante tem problemas psíquicos esta é uma questão que deve ser levada seriamente em consideração no momento de tomar a decisão de adotar uma criança ou adolescente. Você se sente em condições de enfrentar intensos desafios?

Mesmo que a adoção aconteça quando a criança ainda é um bebê, o trauma da separação da mãe fica no inconsciente e problemas psicológicos ou psiquiátricos podem mais tarde se manifestar, e de fato se manifestam em muitos casos. Apesar disso, não sou contrária à ideia da adoção, como já observei.

É preciso observar que no nosso país muitas vezes os processos de adoção são realizados às pressas, sem os devidos cuidados. Então um alerta para aqueles que desejam adotar uma criança ou adolescente: exijam que o processo de adoção seja realizado com cautela, durante o tempo que for necessário.Também é importante que os adotantes exponham as suas expectativas e necessidades, além de fazer todas as perguntas que sejam consideradas necessárias sobre a criança ou adolescente. É necessário não romantizar, pensando: "Eu não escolheria se fosse meu(inha) filho(a) biológico(a), então não vou fazer nenhuma exigência. Não vou fazer perguntas. Aconteça o que acontecer eu vou dar conta". Não é bem assim. Em muitos casos, os adotantes não dão conta de lidar com as situações vividas. Em outras palavras, é preciso que os candidatos a pais adotivos tenham consciência das suas expectativas e das suas necessidades psicológicas, emocionais. Também é preciso que os adotantes estejam conscientes das suas limitações e das suas qualidades como futuros pais.

É lamentável, mas muitas crianças e adolescentes não recebem o devido preparo psicológico antes da adoção. A mesma coisa acontece com os adotantes. Existem cursos de preparação para adoção, mas durante estes cursos muitas vezes não ficam claras para os adotantes as dificuldades pelas quais poderão passar.

Então se você está pensando em adotar uma criança ou adolescente fica aqui a minha sugestão: é importante procurar a orientação de um(a) psicólogo(a). Algumas das questões que podem ser trabalhadas com a ajuda de um(a) terapeuta são as seguintes: Você está preparado(a) para ser pai ou mãe? Você tem a base emocional necessária para adotar uma criança ou adolescente? Quais são as suas motivações para querer ser mãe ou pai? Quais são as suas expectativas? Você está preparado(a) para enfrentar as dificuldades que podem surgir (e surgem) durante o processo de adotar uma criança ou adolescente?

Um parênteses: qual(is) é(são) a(s) motivação(ões) correta(s) para decidir adotar uma criança ou adolescente? Li em algum lugar que o ideal é adotar uma pessoa porque o adotante deseja oferecer a ele(a) um lar, independentemente dos resultados. Independentemente dos resultados? Como assim? Mas é por aí mesmo. Você tem força interior para enfrentar este desafio?

Se um casal está pensando em adotar uma criança ou adolescente as reflexões a seguir são importantes: Vocês estão realmente na mesma sintonia no que se refere à educação de uma criança ou adolescente? O relacionamento de vocês é sólido o suficiente para assumir esta responsabilidade de dar apoio a uma criança ou adolescente? Estas questões também podem ser analisadas com a ajuda de um(a) psicólogo(a).

O apoio psicológico é importante antes, durante e depois do processo de adoção. É verdade que o atendimento por um(a) psicólogo(a) pode ser caro, mas existem estudantes ou profissionais que atendem gratuitamente. Se for o caso, procure informar-se na Prefeitura de sua cidade, em uma Universidade ou em uma igreja ou centro espírita próximo da sua residência. Inclusive há iniciativas de atendimento psicológico ou psicanalítico gratuito e online.
 
Aline* é uma mulher que eu admiro muito. Já contei de maneira breve sobre a sua história anteriormente. Ela é uma pessoa muito religiosa, forte e tem um coração imenso. Aline, como eu, também é portadora da síndrome de Turner e o seu diagnóstico foi tardio. Por isso, ela tem um pouco menos de 1,30 m de altura. Ela adotou Cléber*, um menino que tem raquitismo e deficiência mental leve. Quando eles se conheceram o garoto tinha dificuldade para se comunicar. Ela teve pouco apoio da família e esforçou-se para conseguir os tratamentos de que o seu filho precisava, inclusive com fonoaudióloga. Ele também passou por uma cirurgia ortopédica para corrigir suas pernas tortas. Hoje Cléber* é outra criança e está sendo alfabetizado. Ela contou que passou por muitas dificuldades emocionais ao adotar o garoto, pois ele não sabia escutar "não", por exemplo. Estes problemas foram superados com ajuda de um(a) psicólogo(a). Sem dúvida esta foi a mais bela história de adoção que escutei até hoje.

Uma observação final: a "família de comercial de margarina" não existe. Mesmo uma família que parecia ser de conto de fadas, como a de Angelina Jolie e Brad Pit, teve seus problemas. O casal acabou se separando. Li alguma coisa a respeito. Brad Pit reconheceu que o seu problema de alcoolismo foi o que prejudicou a relação do casal. Então é preciso ao mesmo tempo ter os pés no chão e saber que, apesar dos grandes desafios, a experiência da adoção pode ser algo lindo e gratificante.
 
* Nomes fictícios

Atendimento psicológico / psicanalítico gratuito e online:

- Sociedade Brasileira de Psicanálise de SP

https://www.sbpsp.org.br/cursos-e-eventos/eventos/rede-sbpsp-19/

- Centro de Estudos Psicanalíticos de São Paulo/SP

https://centropsicanalise.com.br/rede-de-atendimento/

- Instituto de Psicologia da USP

https://www.ip.usp.br/site/apoiar-atendimento-on-line/

Para saber mais:

- Matenidade - Patrícia Marques Barros https://www.somostodosum.com.br/clube/artigos.asp?id=58223
- "Depressão pós-adoção: superando os imprevisíveis desafios da adoção" - co-autora Karen Folin
- "Como superar a depressão pós-parto" https://soumamae.com.br/como-superar-depressao-pos-parto/
- "Depressão pós-adoção"   https://soumamae.com.br/depressao-pos-adocao/
- "Depressão pós-adoção"   https://temosquefalarsobreisso.wordpress.com/2015/06/21/depressao-pos-adocao/
- "Estudo avalia causas e sintomas da chamada depressão pós-adoção " (Estadão)   https://ciencia.estadao.com.br/blogs/ciencia-diaria/estudo-norte-americano-avalia-causas-e-sintomas-...
- "A depressão pós-adoção:um risco incompreendido" https://amenteemaravilhosa.com.br/depressao-pos-adocao/
 
Dicas de leitura:
- "A trilha menos percorrida" - M. Scott Peck
- "A graça bate à sua porta" - Max Lucado

Texto Revisado


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Conteúdo desenvolvido por: Patricia M. Barros   
Sou jornalista e advogada. Atualmente sou funcionária pública e estudante de psicologia e psicanálise. Sempre me interessei por questões que envolvem comportamento e o desenvolvimento pessoal. Espero contribuir um pouco para o bem-estar e felicidade de algumas pessoas!
E-mail: patriciambarros@zipmail.com.br | Mais artigos.

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