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Angústia e Afeto



Inúmeras vezes falamos ou ouvimos outras pessoas falarem sobre como estão angustiadas com alguém ou com um fato específico. O quanto isto ou aquilo as afetam. O quanto estão apegadas a determinadas situações ou rejeitam determinada pessoa ou experiência, própria ou de terceiros..., mas, o que vem a ser esses sentimentos?

O que vem a ser a angústia? E qual a sua relação com aquilo ou aqueles que nos afetam?

Apesar de em algumas ocasiões ser confundida com o medo ou com a ansiedade, pela proximidade com ambos aqueles sentimentos, a angústia se caracteriza como um sofrimento. Este sofrimento pode se relacionar a causas reais, quando resultante de fatos provenientes da vida material, como uma expectativa advinda de um perigo iminente, possível de se reconhecer. Entretanto, pode também se relacionar a causas internas do indivíduo, a chamada angústia de causa neurótica. É esta última que nos interessa neste estudo.

Como afeto podemos compreender tudo ao qual nos dispomos, como estar inclinado a alguém ou voltado a alguma coisa em particular, positivamente ou negativamente. O afeto, assim, é um agente do psiquismo humano, que influencia o pensamento, os sentimentos e a forma como interagimos com as pessoas, seres, objetos e situações da vida.

Vejamos as suas correspondências?

A angústia neurótica é desencadeada a partir de repressões inconscientes. São originadas de impulsos considerados perigosos. Impulsos íntimos que são temidos pelo sujeito, embora o verdadeiro perigo não seja conhecido conscientemente, por isto reprimido.

A partir do exposto, verificamos que a angústia neurótica somente pode existir em relação a quem ou ao que nos afetamos. E pode resultar dos seguintes sentimentos:

  1. um profundo desamparo, muitas vezes relacionado com sentimentos de abandono ou de culpa de um ou de mais agentes;
  2. um pesar pela perda ou o sofrimento de não possuir os melhores meios de controle, em razão da imposição de uma força vista como superior e ameaçadora, para manter o objeto do desejo (que pode ser uma pessoa, uma situação ou qualquer coisa à qual possua afeto); e
  3. um sentimento de castração, no caso da mulher, resultante da desilusão com a figura materna, adicionada de uma sobrecarga psíquica de temor pela perda da admiração paterna ou, no caso do homem, um sentimento de não estar à altura da figura paterna ou por não corresponder ao que ambos (mãe e pai) dele se espera.
NOTA: Cabe observar que os termos mulher, figura materna, homem e figura paterna, são representações simbólicas do psiquismo humano, ou seja, daqueles que lhes correspondam, podendo estar relacionados com pessoas de todos os gêneros.

Em verdade, somente nos angustiamos pelo que temos afeto, ou seja, tem que haver alguma forma de afetação, de desejo, através de relações de amor e ódio, de acolhimento e desamparo, de realizações e frustrações, que borbulham a partir do inconsciente, para que nos deparemos com pessoas ou situações que identifiquemos como perigosas, que tememos não dar conta de lidar ou que não podemos aceitar.

Sendo a angústia, assim, resultante do afeto, seja este positivo ou negativo, por apego ou rejeição, o que mais interessa ao indivíduo, portanto, é se questionar sobre suas formas de afeição: como age e reage diante de suas experiências e se relaciona e interage com o outro, a partir de si mesmo?



   




Publicado dia 11/3/2018
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Autor: Wiliam Wagner Silva Sarandy   
O meu propósito é apoiar as pessoas a desenvolverem seus potenciais interiores, vivenciarem melhores relações interpessoais e promoverem suas competências de comunicação e liderança, utilizando as mais modernas metodologias, estratégias e ferramentas para que também possam realizar seus propósitos e alcançar suas metas pessoais e profissionais.
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