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Ano-novo, emoções velhas?



Passadas as comemorações de fim e de início de ano, muita gente se sente meio esvaziada, solitária, incapaz de assimilar tanta emoção ou de experimentar a alegria prometida por festas, trocas de presentes e muitas demonstrações afetivas que fazem parte de um pacote especial para a época.

Os inquietos de plantão, mesmo em contato com outras pessoas, acabam se sentindo meio estranhos nesse ninho. Não adianta recorrer a explicações relativas à perda de sentido do Natal, excessivamente comercializado, nem destacar o temperamento de cada um; ocorre que explicar, ou tentar fazê-lo, não ameniza o sentimento de tristeza que perpassa a alma, justamente em meio às festividades coletivas, carregadas de emoção e envolvidas numa aura de ‘alegria verdadeira’ que nem sempre cumpre o que promete.

Eis um dos lados complicados do ser humano: a exuberante demonstração de contentamento pode redundar num certo cansaço, num certo fastio, algo assim como se os fatos estivessem além da capacidade pessoal de repercutir em si e na mesma intensidade o que ocorre à sua volta. Complicado? Ocorre que a manifestação emocional externa acaba por exaurir, estafar o indivíduo, desconstruindo o mundo imaginário da infância, quando a crença no bom velhinho alimentava expectativas de um tempo especial, com presente mágico, fosse ele o que fosse, importando sim a presença de algo (alguém) que simboliza a pura generosidade.

Parece que a perda dessa ilusão, que felizmente não se efetiva pra valer, faz desmoronar uma concepção de vida que garantia a presença do invisível bondoso junto de nós, relembrado todo ano. Mas ele, o bom velhinho, cobra cash ou com cartões de crédito, a presença delicada. Ah, vale para as crianças de sempre, que crescem e muitas vezes sentem a frustração, o vazio nessa época. Uma tristeza fina que machuca a alma e se acomoda junto a tantas outras, mas remexe-se, pois deseja falar de si para quem a experimenta. Pois que fale! Deixe sua dor se expressar, ainda que solitariamente. Escreva, pinte, dance, viaje, ouça seu coração e respeite suas necessidades. Fazer a vontade da alma, especialmente em tempos de comemoração coletiva com grande impacto emocional e envolvimento em vários sentidos, pode não resolver traumas de infância, mas é uma maneira de olhar para as próprias necessidades.

E vale a pena se perguntar a respeito de algumas de suas expectativas como adulto, à espera de um acontecimento inesperado, milagroso mesmo, um presente de Natal que possa sanar carências afetivas, sociais, profissionais, enfim, tantas e tantas demandas que causam angústia, especialmente quando tudo parece encaminhar-se para uma solução feliz. Ah, se assim fosse o tal presente de Natal e ano-novo seria perfeito!

O bom velhinho, que lembra o arquétipo do velho sábio, vive de alguma maneira em cada um de nós, no dia-a-dia, na construção de uma personalidade equilibrada, em paz consigo mesma, capaz de resistir a dores, que fazem parte do pacote da vida real, e de dar a volta por cima, ainda que com a ajuda de uma mão amiga que amanhã poderá buscar a sua. É, porque a solidariedade, a generosidade, o amor, a compaixão também fazem parte do tal pacote da vida real.

E quem sabe esses conteúdos estão fazendo falta para muitos que se empanturram de guloseimas, presentes dispendiosos, festas de arrasar, mas continuam se sentindo empobrecidos pela falta de algo mais simples, que pode ser distribuído gratuitamente o ano todo, sem gerar déficit no orçamento. E essa busca de uma personalidade harmoniosa, que exige o desenvolvimento pessoal, das habilidades, dos talentos, para que se abram as portas da alma para novos dias... talvez seja o melhor presente de Natal e ano-novo que muitos desejam, mas não pedem... e por quê?

Afinal, essa escolha não depende de um passe de mágica, mas indica o caminho de quem ouve o coração que deseja sobretudo a realização da alma. Parece difícil? Provavelmente seja mais fácil que contar apenas com a sorte ou esperar por um milagre.

Felizes dias novos em 2007.<

Sandra Rodrigues Garcia é psicóloga e psicoterapeuta.
Atende em São Paulo, com hora marcada.
3661-5785
Texto revisado por Cris>



Publicado dia 3/1/2007
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