ANTES EU QUERIA ENTENDER. HOJE EU SÓ QUERO ME LIVRAR.
Autor Dudi Rios
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 9/29/2026 1:50:27 PM

Em algum momento, começamos a trocar uma pergunta por outra.
Antes, diante de uma dificuldade, talvez perguntássemos:
"O que isso quer me mostrar?"
Hoje, com frequência, a pergunta parece ser:
"Como eu me livro disso?"
Estou ansioso. Como faço para parar?
Estou triste. Como faço para melhorar?
Estou sofrendo. Como faço para esquecer?
Meu relacionamento está difícil. Como termino isso?
Estou insatisfeito com meu trabalho. Como saio daqui?
Tenho um pensamento que não gosto. Como elimino?
Existe algo muito sedutor na ideia de resolver rapidamente aquilo que nos incomoda. Afinal, compreender exige tempo. Exige olhar para dentro, sustentar perguntas, reconhecer contradições e, muitas vezes, admitir que aquilo que estamos sentindo não apareceu do nada.
A cultura da solução imediata pode nos fazer acreditar que todo desconforto é um problema que precisa ser eliminado.
Mas e se nem todo desconforto estiver ali para desaparecer?
Alguns sentimentos precisam ser compreendidos antes de serem transformados. Alguns sintomas podem estar apontando para algo que precisa ser olhado. Alguns conflitos revelam necessidades que não foram comunicadas. Algumas repetições mostram padrões que continuamos reproduzindo sem perceber.
Quando queremos apenas nos livrar daquilo que sentimos, corremos o risco de eliminar o sinal sem compreender a causa.
É como desligar o alarme porque ele incomoda, sem verificar o que fez o alarme tocar.
Isso não significa que precisamos permanecer sofrendo ou transformar toda dor em uma longa investigação sobre nós mesmos. Existem situações em que agir, mudar, estabelecer limites ou buscar ajuda é exatamente o necessário.
Mas talvez exista uma etapa anterior que estamos pulando:
compreender.
O que estou sentindo?
Por que isso me afeta dessa maneira?
O que esse sentimento está revelando sobre mim, sobre minhas necessidades ou sobre a situação que estou vivendo?
Que padrão está se repetindo?
O que eu estou tentando evitar sentir?
Talvez o novo movimento não seja apenas buscar respostas mais rápidas.
Talvez seja aprender novamente a fazer perguntas.
Porque compreender não significa ficar preso ao problema.
Às vezes, compreender é justamente o que permite sair dele de uma maneira diferente.
Nem tudo que incomoda precisa ser eliminado imediatamente. Algumas coisas precisam primeiro ser escutadas.
Talvez autoconhecimento seja exatamente isso: não perguntar apenas "como eu me livro disso?", mas ter coragem de perguntar:
"Por que isso está aqui?"
E talvez a resposta mude não apenas aquilo que você sente, mas também a maneira como você escolhe viver.
@Dudirios
Um olhar que une O UNIVERSO DA SIMBOLOGIA e o espaço da ESCUTA à arte do AUTOCONHECIMENTO presente nos detalhes da vida e nas histórias que a habitam.
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