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Aprenda a lidar com a Raiva!


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Aprendemos desde cedo que sentir raiva é ruim, feio e, acima de tudo, pecado. Diante dessas imposições sofremos muitas vezes calados, mesmo que a situação nos desagrade. Queremos sentir raiva da mesma forma que sentimos prazer. Mas, nosso senso de humanidade nos proibiu de demonstrar esse sentimento que é igual a todos os outros que sentimos.

Num de meus cursos, uma pessoa me perguntou por que sentia muita raiva do cunhado. Devolvi a pergunta a ela pedindo que me descrevesse a situação que a deixava furiosa. Para própria surpresa, ela conseguiu comparar as atitudes do cunhado com as da mãe. Ou seja, o sentimento de raiva estava todo deslocado para o cunhado porque pela mãe ela não pode ter esse sentimento. Na verdade, ela alimentava, e talvez ainda alimente, a raiva de uma mãe que conheceu no passado e que a fez sofrer muito. Agora é outra realidade. Mas por que ela sofre tanto com isso? Pelo simples fato de termos “duas mentes”. Uma emocional e outra racional, segundo Daniel Goleman. A mente emocional é muito mais rápida que a mente racional.

O primeiro impulso é do coração, não da cabeça. A mente racional em geral não decide que emoções “devemos” ter. O que ela pode controlar é o curso dessas reações. Tirando umas poucas vezes, não decidimos quando ficarmos furiosos, tristes, irados...

A lógica da mente racional é associativa; toma elementos que simbolizam uma realidade ou disparam uma lembrança dela como se fosse a própria realidade. A mente emocional é infantil e tanto mais quanto mais forte se torna a emoção.

Quando negamos este sentimento é como se disséssemos para nós mesmos: “Não sinta isso”. Mas pagamos um preço por essa negação: perdemos o domínio, ficamos fracos, inseguros e medrosos. E quando recalcamos a raiva, ou seja, a guardamos em nosso inconsciente, ela surge disfarçada de variadas maneiras: timidez, moralismo, magoar-se com facilidade, depressão.

Para finalizar, a raiva não é apenas um processo mental porque os aspectos mentais e físicos estão interligados e não podem ser separados. A raiva, a frustração e o desespero que sentimos têm muita relação com o nosso corpo e também com os alimentos que ingerimos, com os programas que assistimos.

Mas isso é um outro capítulo. E não se esqueça de procurar um psicoterapeuta.

Roberto Possarle
Educador e Psicanalista com Especialização em Psicopatologia
[email protected]
www.desintoxicando.com.br

Texto revisado por Cris

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