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As incríveis fábricas de robôs humanos



O nosso organismo, durante o início da gestação, reconhece como próprio tudo o que é registrado pela glândula chamada timo, a glândula endócrina da individualidade localizada na parte superior do tórax, estendendo-se até perto do coração. Se, durante a fase fetal, reconhecêssemos também como nossas as células de outro ser, não haveria o problema da rejeição de transplantes.
 Do mesmo modo, verdades e crenças inculcadas em nossos cérebros desde a mais tenra idade, quando não enquanto ainda em fase gestacional, acabam nos tornando tolerantes a elas, e nós passamos a aceitá-las como nossas próprias verdades, e o cérebro, assim programado desde cedo, aceita mais tarde qualquer coisa sem questionar, num comportamento que é reforçado pela atual educação formal de crianças e jovens.

Porém, em determinadas circunstâncias, há fatos que quebram essa tolerância e os indivíduos começam a ousar questionar ideias implantadas e reconhecidas anteriormente como próprias. Começam a questionar as verdades tidas como tais por estarem em livros ditos sagrados, pois escritos por suposta inspiração divina. É quando o ser descobrindo-se máquina começa a se rebelar contra a sua condição.

Começa a se perceber vagando a esmo nas trevas interiores, concentrado em seus esforços cotidianos para ter e obter enquanto algemado à vida pelo relógio que o escraviza na incessante busca de não sabe ao certo o quê. Um sonâmbulo de olhos abertos, com expressão vaga e distante e com a consciência entorpecida, em busca de uma via de saída. Um ser que precisa mudar a forma de perceber o viver e a vida para que possa adentrar em dimensões mais sutis da existência onde a matéria já não representa uma prisão para o espírito.

Quão diferente e que bom seria se desde a infância fizessem parte do currículo escolar discussões sobre os corpos celestes, planetas, estrelas, galáxias, sobre a origem da Terra e o seu ciclo de vida, bem como o ensino dos fundamentos da filosofia e a discussão das diferentes linhas de pensamento. Tudo isso ensinado de forma a promover o conhecimento e o raciocínio pelo prazer de saber e pensar e não apenas para cumprir um estéril e enfadonho programa de estudos onde, em geral, o principal interesse dos alunos está em tirar nota para passar de ano.
Que bom seria se acoplado ao ensino da biologia estivesse o despertar para o milagre do existir e da vida e se o ensino da matemática e geometria fosse acompanhado pela sua demonstração na constituição do Universo.
Que bom seria se a gratidão fosse discutida e sua exteriorização incentivada nas salas de aula. Gratidão pela vida. Gratidão a tudo e a todos que nos cercam, pois todos, de alguma forma, e cada um à sua própria maneira, contribuem para o maior significado e propósito da experiência humana na Terra. Que bom seria se nas escolas, desde a mais tenra idade, fosse ensinado que o Amor maior é o sentimento que nos conecta com o Universo.
Que bom seria se tudo isso fizesse, por pouco que fosse, parte da atenção e das conversas dos homens e das notícias da mídia no mundo. Então, mais frequente poderia ser o desabrochar de uma consciência superior na raça humana, e a paz e a felicidade tão almejadas mais cedo poderiam ser alcançadas.
Entre os educadores, uma tentativa notável para alavancar o aprendizado infantil foi o trabalho de Sabina Spielrein (1885 - 1942), membro da Sociedade de Psicanálise de Viena, contemporânea de Carl Jung. Em 1923, Sabina criou na Rússia uma escola infantil com todas as paredes e as mobílias de cor branca, o que deu ao lugar o apelido de “a creche branca”. A instituição tinha como principal finalidade o desenvolvimento do pensamento crítico e analítico das crianças com base em metodologias lúdicas, implantando dessa forma a semente do autoconhecimento. Infelizmente, três anos depois, a "creche branca" foi fechada por receio de que a difusão dos seus métodos de ensino viesse a dificultar a manipulação da mente das massas.
Sabemos que o feto está ligado à mãe física e espiritualmente e o que uma mãe sente e vivencia afeta o seu bebê tanto física como emocionalmente. Por isso, que bom seria se desde a fase da vida intrauterina a gestante e seu companheiro acariciassem a barriga da mãe e falassem com o futuro filho sobre o amor, as virtudes, o altruísmo, a ética, a moral, e sobre o respeito pela natureza, pois para a construção de um mundo melhor são necessários homens melhores, e tais grandes homens têm que ser preparados desde a vida intrauterina.
Grandes homens são homens de feitio moral superior que, por seus contínuos esforços são agraciados com carisma, elevação intelectual, e principalmente com a expansão da consciência. Homens que são definidos pela forma como lidam com os fracassos e como combatem as injustiças da vida, sem jamais desistir. Grandes homens são aqueles que, nas horas mais difíceis, demonstram o tamanho do seu coração, sua determinação, sua força de vontade e sua eterna esperança de um mundo muito melhor do que o que temos hoje.
Dessa forma, a esperança de um mundo melhor em muito depende de uma reforma revolucionária do ensino, com escolas com professores qualificados, respeitados e valorizados. Escolas capazes de integrar ciência, filosofia e espiritualidade (diferente de “religiosidade”) de forma harmônica. Escolas de qualidade para todas as crianças, pois em um mundo melhor a educação não pode depender da condição econômica dos pais. Infelizmente, enquanto não houver tal reforma radical do ensino, em sua esmagadora maioria, as escolas continuarão sendo incríveis fábricas de produção de humanos cada vez menos humanos e mais robôs.

(Renato Mayol é autor do livro “FIOS de ARIADNE - Autoconhecimento e Meditação para um Mundo Bem Melhor”)
Texto Revisado

Publicado dia 26/7/2018
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