Autoconfiança baseada em "esperteza" (malandragem) x autoconfiança baseada em ética

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Autor Dalton Campos Roque

Assunto Autoconhecimento
Atualizado em 1/12/2026 9:12:52 AM


Autoconfiança é uma palavra valorizada, mas raramente investigada em sua origem. Costuma-se tratar a confiança em si mesmo como uma virtude neutra, quase automática, quando na prática ela nasce de fundamentos muito diferentes. Há uma autoconfiança construída sobre a chamada "esperteza", a malandragem, a sensação de levar vantagem, e há outra, silenciosa e menos vistosa, fundada na ética, na coerência interna e na responsabilidade pelos próprios atos.

Ambas produzem segurança aparente. Ambas podem gerar resultados imediatos. Mas os efeitos conscienciais, psicológicos e kármicos são radicalmente distintos.

Este texto propõe separar essas duas bases, não por moralismo, mas por lucidez.

A autoconfiança da "esperteza"

A autoconfiança baseada na malandragem nasce da percepção de superioridade momentânea. O sujeito sente-se confiante porque acredita saber "jogar o jogo melhor que os outros". Ele burla regras, manipula narrativas, distorce informações, antecipa brechas e explora ingenuidades.

Essa forma de confiança se sustenta em três pilares principais:

- Comparação constante com os outros
- Validação externa pelo ganho imediato
- Negação ou racionalização das consequências

O indivíduo não confia em si porque é íntegro, mas porque acredita ser mais esperto que o sistema ou que as pessoas ao redor. Sua segurança depende da crença de que ninguém percebeu, ninguém reagiu, ninguém cobrou.

O problema é estrutural: essa confiança não é interna, é defensiva. Ela exige vigilância contínua, controle do ambiente e manutenção da máscara. Qualquer exposição, falha ou confronto real gera irritação, cinismo ou vitimismo.

No fundo, trata-se de uma autoconfiança frágil, sustentada por tensão.

Efeitos conscienciais da malandragem

Sob a ótica consciencial, a malandragem produz um enrijecimento do campo mental e emocional. O sujeito passa a operar em estado de alerta permanente, sempre calculando vantagens, riscos e narrativas.

Isso gera:

- Desgaste bioenergético crônico
- Dificuldade de silêncio interno
- Incapacidade de autocrítica profunda
- Medo latente de perda de controle

Karmicamente, a lógica da "esperteza" não passa despercebida. Não por punição mística, mas por ressonância. A pessoa começa a atrair ambientes, relações e situações onde será tratada exatamente do modo como trata os outros: com oportunismo, superficialidade e desconfiança.

É a autoconfiança que cobra juros.

A autoconfiança baseada em ética

A autoconfiança ética nasce de outro lugar. Ela não depende de comparação, nem de vitória sobre terceiros. Surge da coerência entre pensamento, emoção e ação.

O indivíduo ético confia em si porque sabe onde pisa. Ele conhece seus limites, assume erros, não precisa sustentar personagens e não negocia princípios por conveniência momentânea.

Essa confiança se estrutura em:

- Autorresponsabilidade
- Previsibilidade interna
- Alinhamento entre discurso e prática

Não é uma confiança inflada. Muitas vezes é discreta, quase invisível. Mas é estável. O sujeito não precisa vencer o outro para se sentir seguro. Ele precisa apenas não se trair.

Força silenciosa e liberdade interna

Do ponto de vista consciencial, a ética liberta energia. A pessoa deixa de gastar recursos psíquicos com controle de danos, mentiras auxiliares e justificativas internas. Isso gera clareza mental, presença e serenidade.

A autoconfiança ética permite:

- Agir sem medo excessivo de exposição
- Ouvir críticas sem colapso do ego
- Atravessar crises sem desespero identitário
- Manter dignidade mesmo em perdas

Karmicamente, ela cria um campo de confiabilidade. As relações se tornam mais simples, os conflitos mais diretos e as consequências mais proporcionais. Não há atalhos, mas também não há armadilhas ocultas.

É uma confiança que caminha em terreno firme.

O falso dilema entre ética e ingenuidade

Um erro comum é confundir ética com ingenuidade. A ética consciencial não é submissão, passividade ou incapacidade de estratégia. Ela apenas recusa o ganho obtido pela distorção deliberada da realidade ou pela exploração do outro.

Ser ético não é ser bobo. É ser inteiro.

A diferença central está no ponto de apoio:
A malandragem apoia-se na falha alheia,
A ética apoia-se na própria coerência.

Conclusão

Toda autoconfiança cobra sua conta. A baseada na esperteza cobra em forma de tensão, desconfiança e desgaste progressivo. A baseada na ética cobra apenas constância e responsabilidade, mas devolve liberdade interna, clareza e solidez consciencial.

No longo prazo, não é a esperteza que sustenta o indivíduo, é a integridade. A confiança verdadeira não nasce de levar vantagem, nasce de não precisar se esconder de si mesmo.



Autoconfiança ética não faz barulho, não se exibe e não promete atalhos. Mas atravessa o tempo.


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Autor Dalton Campos Roque   
Médium, projetor astral consciente, sensitivo, escritor e editor consciencial, autor de dezenas de obras espiritualistas. Eng. Civil e Professor de Informática (aposentado), pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e em Educação em Valores Humanos (linha de Sathya Sai baba). @Consciencial YT: @DaltonRoque
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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