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Borboleta na janela

por Flávio Bastos

Publicado dia 17/6/2020 em Autoconhecimento

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"O melhor presente que podemos dar ao mundo é a nossa própria transformação". (Lao Tsé)

Esta experiência chegou ao meu conhecimento pela própria pessoa, que é de naturalidade brasileira, mas reside na Califórnia, EUA, há alguns anos.

Márcia -vamos chamá-la pelo seu pseudônimo- é terapeuta holística, adepta da meditação diária e cuidadora de idosos. Há cerca de 8 anos se dedica ao estudo e desenvolvimento de virtudes desconhecidas (ou reprimidas) de nossa natureza espiritual. No seu processo de autodescoberta, usou, de forma controlada e permitida, em cerimônias religiosas ou holísticas, o chá de Ayhuasca como forma de expandir a sua inerente sensibilidade suprassensorial, o que ajudou-a de forma mais lúcida no processo de autoconhecimento.

À medida que foi fluindo a vertente de quem busca o conhecimento sobre a abrangência do amor, Márcia começa a ter experiências inéditas e a expandir a sua visão sobre o significado da vida no universo, ao mesmo tempo que muda hábitos arraigados e se liberta de relacionamentos tóxicos, até adquirir uma sensação de leveza existencial compartilhada com novas amizades de interesses afins.

Passa o tempo e Márcia se sente naturalmente feliz, mais integrada com a sua natureza e o seu mundo, tocando a vida de forma mais leve e presente, sem alimentar angústias em relação ao futuro. Estava mais centrada em si mesma e, desta forma, curtia a vida com mais intensidade entre a profissão, estudos, lazer e a meditação.

Certo dia, ao amanhecer, Márcia notou algo estranho na lateral do colchão de sua cama. Aproximou-se para se certificar do que era e concluiu que tratava-se de um casulo de borboleta. Ficou ensimesmada: mas como? Ela arrumava todo santo dia a sua cama antes de sair para trabalhar e nunca tinha visto aquele casulo grudado ao colchão! Ficou impressionada com a experiência, que logo lhe faria nova e inesquecível surpresa. Ao chegar em casa e acessar o seu dormitório, viu uma majestosa borboleta na janela do quarto, movimentando vagarosamente as suas asas. Márcia, então, dirigiu o olhar para o casulo ao lado do colchão e notou que ele estava rompido. Era "ela", a sua companheira de dias e noites de silêncio que havia nascido para a vida e aguardava, pacientemente, que ela abrisse a janela para alçar voo rumo à liberdade. Márcia emocionou-se e com as lágrimas veio a mensagem captada intuitivamente: a borboleta era ela.

A metamorfose da borboleta é uma metáfora da evolução humana, ou seja, a trajetória de nosso próprio crescimento. Enquanto nos permitimos rastejar como faz a lagarta, limitamos nosso espaço à poeira do chão, impedidos de voos mais altos em busca de si mesmos.

No entanto, num dado momento, sem dia e hora marcada, somos chamados ao casulo, oficina onde laboramos, angustiosamente, a vida íntima, a descoberta de nós mesmos. Nesses momentos centramos nossas atenções ao que somos, ao que podemos e devemos ser. É um trabalho que requer recolhimento e serenidade, à semelhança da lagarta, cuja casca abriga, pacientemente, a metamorfose.

Em seu belo artigo "A lagarta e a borboleta - Metamorfoses humanas", Sirina Wadud lembra-nos que o círculo de evolução biológica de uma borboleta passa por quatro estágios, e em cada estágio, a forma, o habitat e o comportamento, podem variar tanto que poderíamos dizer que tratam-se de quatro indivíduos distintos, se não soubéssemos que se trata de um único. Do ovo nasce a lagarta, da lagarta forma-se a crisálida, e da crisálida surge, então, a borboleta.

Um ser adulto está em constante evolução. Evolução física, emocional, intelectual, psicológica e espiritual etc.. Quantos metamorfoses acontecem durante o amadurecimento de um ser humano adulto? A psicologia costuma dividir as etapas de uma experiência humana em quatro fases: criança, adolescente, adulto e idoso. Mas as metamorfoses humanas superam essas divisões, e a cada evento novo da vida social o humano se transforma. Deslumbrantes, livres e sociáveis como borboletas adultas, ou enclausurados, solitários e aparentemente inertes como crisálidas; humanos vivem entre metamorfoses múltiplas constantes. Desafios profissionais, formação intelectual, convivência social, relacionamentos... a vida de um adulto é tumultuada por evoluções e conflitos. E nessa que mais parece uma selva tropical de existências humanas tão distintas e distantes, encontra-se o indivíduo íntimo, exclusivo, essencial. O indivíduo só, incorporando o todo, continuando a ser só ele mesmo.

Portanto, é tempo de voar, e superar crisálidas. Como no voo das borboletas, em que cada indivíduo sendo simplesmente, colabora para a manuntenção de um equilíbrio. Ou como no movimento Browniano onde as partículas se movem aleatoriamente sem se chocar. Somos partes de um todo que desconhecemos, e tão importante quanto abandonar o tempo de lagarta para se fechar em crisálida, é ter motivação para libertar-se da crisálida e alçar o grande voo.

Texto Revisado

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Sobre o Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: [email protected]
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