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BRUXARIA, CASTANEDA E DON JUAN (final)



IV. FAZER, NÃO FAZER E PARAR O MUNDO

Castaneda nos ensina que o objetivo final do bruxo é se tornar um “homem de conhecimento“ e que no estágio anterior ele deve viver como um guerreiro. O guerreiro por sua vez é um impecável caçador à procura de coragem e disciplina que age dispensando a “importância pessoal“, asumindo TOTAL RESPONSABILIDADE por suas ações.

No trabalho junto a Don Juan, Castaneda aprendeu, ainda, a ENXERGAR, A VER O MUNDO, ao invés de simplesmente olhar, levando-o, assim, a interpretar o mundo pela essência, não pelas aparências. Para poder ENXERGAR, Carlos Castaneda aprendeu como NÃO FAZER, e consequentemente, PARAR O MUNDO. Don Juan mostrou ao seu aprendiz que FAZER é o consenso que torna o mundo existente, palpável, real, ou o mundo da nossa realidade comum, cotidiana. NÃO FAZER conduz ao PARAR O MUNDO que são etapas antecessoras do ENXERGAR. Quando o bruxo realiza o NÃO FAZER desmantela a descrição da realidade ordinária, colocando-se num estado especial e amplificado de consciência, no qual ele consegue PARAR O MUNDO do FAZER cotidiano, passando a compartilhar de uma outra realidade, mágica, transcendente, um espaço-tempo diferenciado, o universo da feitiçaria.

Nos primeiros anos do aprendizado de Carlos Castaneda, devido à sua forte tendência racionalista, característica do universo acadêmico no qual transitava, Don Juan utilizou-se de ervas alucinógenas para levar o seu aprendiz ao NÃO-FAZER. Após uma década de intensos trabalhos e práticas Castaneda não precisava mais dos alucinógenos vegetais, pois havia aprendido a PARAR O MUNDO.

Don Juan mostrou a Castaneda no transcorrer do seu aprendizado que para acumular poder pessoal ele deveria, ainda mais, CONSIDERAR-SE COMO MORTO, porque o fato de encarar a morte como um fato inevitável e presente em nossas vidas, diariamente, é um aliado extraordinário para processarmos mudanças – pois adquirimos o senso da transitoriedade de tudo e todos - incentivando-nos a cumprir nossas TAREFAS EXISTENCIAIS dentro do tempo de vida física do qual dispomos, com vontade e disciplina.

V. SONHOS E DIÁLOGO INTERNO

Na obra "PORTA PARA O INFINITO" Castaneda revela-nos que o bruxo utiliza os sonhos como instrumento para alcançar o poder, podendo exercer sobre eles um controle perfeito, advindo da sua vontade treinada para tal resultado. Não é novidade que os sonhos sempre trazem algum tipo de mensagem para o ser humano, pois a partir dos estudos de Freud e, posteriormente de Jung sobre a natureza dos sonhos, evidenciou-se serem eles uma abertura do inconsciente para o consciente, na forma de imagens simbólicas fundamentais no processo de evolução do homem.

Entretanto, Carlos Castaneda nos diz que para o bruxo os sonhos nada tem de simbólico, porque ele consegue fazer dos mesmos, ao contrário da passividade do sonhador comum, um mundo de ações determinadas pela vontade do sonhador-bruxo, onde este realiza tarefas e executa atividades de diversos tipos, ligadas ou não à bruxaria.

Don Juan afirmava que o homem comum está sempre “tagarelando” consigo mesmo num verdadeiro burburinho interior, o qual denominamos DIÁLOGO INTERNO. Esse diálogo é tão intenso, nas maioria dos seres humanos, que quase sempre somos dirigidos por ele sem percebermos o que nos torna verdadeiros autômatos, rôbos. Castaneda aprendeu como “parar“ o diálogo interno, como forma de obter poder, poder pessoal, atingindo, assim, outras realidades. Para termos uma noção de como o uso consciente do diálogo interno é importante, a PNL – Programação Neurolinguística que é um conjunto de técnicas para melhorar o desempenho do ser através da reprogramação da mente/cérebro, ensina-nos a “usar” nosso diálogo interno – PNL não é bruxaria - para pensarmos com mais criatividade, descortinando para o homem novos potenciais.

VI. MUDANDO A CONSCIÊNCIA

A obra de Carlos Castaneda é uma descrição pormenorizada do universo mágico da feitiçaria praticada por seu guia, Don Juan Matus, de seu benfeitor Don Genaro, e outros personagens estranhos que conduziram-no a mundos fantásticos, além da lógica e da razão, fazendo dele um verdadeiro desbravador dos territórios obscuros do espírito humano.

Ainda que muitos resumam a obra de Castaneda a um manual sobre os efeitos das plantas alucinógenas na mente, afirmo, sem medo de errar, que o conteúdo filosófico contido no conjunto de seus livros supera, e muito, quaisquer detalhamentos sobre as ervas e técnicas de bruxaria usadas no seu aprendizado.

A proposta de Carlos Castaneda transcende o terreno movediço da feitiçaria, alicerçando-se sobre a premissa de que somente deixaremos de ser CRIANÇAS PROFISSIONAIS – orgulhosos, arrogantes, cheios de auto-importância - quando nos determinarmos a viver como GUERREIROS, buscando de maneira impecável, com disciplina e vontade, a mudança de consciência para níveis mais elevados do ser, abrindo as portas de outras realidades, outros mundos, outros seres, em direção à luz: leiam Castaneda e concluam!

Texto revisado por Cris
Publicado dia 20/4/2007

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