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CANSAÇO

por Maria Luiza Silveira Teles

Publicado dia 13/6/2008 em Autoconhecimento

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Gosto muito da vida. É a maior viagem e a maior graça. Gosto de gente, de bichos, de plantas. Amo a aurora e o pôr do sol, os rios, os mares, os lagos, as cachoeiras. Gosto de música, de literatura, de artes plásticas, de cinema. Entretanto, sou obrigada a confessar que muita coisa, no mundo de hoje, está me cansando e tirando um bocado da alegria.

Às vezes, ao acordar, sinto-me desanimada, não por estar viva e ter que trabalhar e enfrentar os problemas do dia-a-dia, mas por ter que viver pela metade... Estou cansada de ligar a televisão e ver propagandas de péssimo gosto em que a figura da mulher é vulgarizada e coisificada. Estou cansada de novelas que sempre mostram os requintes da maldade humana. De ouvir falar de amor, palavra gasta e banalizada, que não expressa, na maioria dos discursos, o sentimento nobre e sublime, a essência divina presente no ser humano, mas apenas impulsos menos nobres como desejo, paixão, posse, carência...

Estou farta de não poder andar tranqüila pela noite, como sempre gostei, porque o perigo está à espreita. Não agüento mais viver cercada de mil dispositivos de segurança porque o medo nos encarcera.

Não suporto mais a politicagem suja e desonesta que está sempre a favor do próprio bolso e da classe privilegiada, massacrando aqueles que realmente trabalham pelo engrandecimento do país.

Não tolero mais saber que irmãos meus, em todo canto do planeta, sofrem com a fome, as catástrofes, a doença, a humilhação, a guerra, com todos os seus horrores. Não suporto mais a mentira, a falsidade, a hipocrisia, a corrupção, a fogueira das vaidades, os escaravelhos humanos que vivem a revirar a sujeira do submundo, da qual se alimentam.

Repudio os traficantes de ilusões que não se envergonham da riqueza que cresce à custa de vidas, lágrimas e lamentos.

Ah, já não agüento a violência que, como uma erva daninha ou um câncer maldito, vai tomando conta do trânsito, das ruas, das famílias, dos corações. Estou cansada da exaltação da beleza corporal e da juventude eterna como se fossem vergonhosas as marcas do tempo e a marcha inexorável da vida.

Gostaria de poder voltar à minha infância despreocupada e inocente, à adolescência e juventude, plenas de romantismo e beleza.

Fico triste ao ver partirem as poucas pessoas plenas de humanidade que ainda subsistem em nossa sociedade. Ah, que saudade de uma Irmã Dulce, de um Chico Xavier, de Madre Teresa de Calcutá, do papa João Paulo II, de Betinho...

Meu amado São João da Cruz, como você, estou vivendo a minha “noite da alma”, e só não desisto da luta, só não me deixo soçobrar porque dentro de mim estão sempre vivas e ardentes as velas da Fé e da Esperança. Bendito o Amor do Mestre que ainda me move e me conserva de pé, pura no meio da lama, com tudo ao meu redor se deteriorando, apodrecendo e desmoronando.

Maria Luiza Silveira Teles

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Maria Luiza Silveira Teles   
Fui professora de Inglês e, depois, professora universitária de Psicologia e Sociologia. Tenho 29 obras publicadas pelas editoras Vozes, Brasiliense e Parêntese. Hoje, trabalho como professora-visitante por todo o Brasil, sou consultora pedagógica e editorial e faça Reiki nas pessoas necessitadas que me chamam.
E-mail: [email protected]
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