Carnaval e a quaresma: Será que o diabo está solto?
Autor Rosana Ferraz Chaves
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 2/16/2026 1:31:03 PM
Me lembro que quando era criança circulavam muitas histórias assombrosas, que ocorriam sempre durante o carnaval e a quaresma.
Algumas eram tão tenebrosas, que nunca me esqueci delas e vou relatar algumas aqui, resumindo o que me lembro.
A procissão das almas.
Dona Benê ainda era uma criança pequena, quando morava lá nos confins de Minas Gerais.
Desde criança ela já via coisas que as outras crianças não viam, mas seus pais muito católicos, não acreditavam nela e seus irmãos também crianças, tinham era medo das coisas que ela dizia que via e ouvia.
Um dia, durante a quaresma, Benê que estava dormindo no quarto com os outros irmãos, acordou de madrugada, ouvindo uma cantoria.
Na casa dela não havia relógio, mas ela viu pela fresta da janela antiga e meio quebrada, que apesar da escuridão, havia luz do lado de fora e gente cantando.
A cama dela ficava próxima à janela, então a pequena Benê se esgueirou por cima da cama, para olhar o que estava acontecendo lá fora.
Pela fresta da janela ela viu uma longa procissão de gente vestindo túnicas brancas, sujas e rotas, que vinha lá pelos lados do cemitério, indo na direção da igreja.
Uma pessoa ia na frente, tocando uma sineta, enquanto todos a seguiam, rezando, cantando músicas antigas, quase murmúrios e orações, com cada um segurando um toco de vela acesa.
Todos estavam descalços e de cabeça baixa. A criança olhava aquilo assustada, sem entender muito bem o que era aquilo tudo, até que uma mulher, que fazia parte dessa procissão, percebeu que estavam sendo observados por uma pessoa, pela fresta de uma janela.
Em questão de segundos, a alma penada rompeu furiosa da procissão, na direção da janela, ficando frente a frente com a menina assustada, que estava espionando.
A menina congelou, até que o espírito disse para ela "vá dormir, menina!".
Benê deu um grito que acordou a todos na casa, só que para espanto dela e dos outros, ela estava na cama, deitada e tudo lá fora continuava normal.
O fantasma do baile de carnaval.
Geraldo estava muito desgostoso da vida, porque havia acabado de terminar um relacionamento, com a mulher que ele queria desesperadamente, sem ser correspondido.
Ela havia induzido essa mulher a se casar com ele, na esperança de que o amor nasceria depois de um tempo, mas isso nunca ocorreu.
Geraldo não podia ter filhos e mesmo sabendo disso, sempre culpava a mulher, se negando a procurar um médico e isso piorou tanto a situação, até que por fim, se separaram.
Era carnaval e Geraldo resolveu primeiro tomas umas e depois se divertir onde desse.
Já era por volta das 22h e Geraldo saiu do boteco, caminhou um pouco e começou a ouvir música alta, na rua onde se encontrava.
Era um baile de carnaval e ele resolveu entrar. Lá dentro a maioria das pessoas, eram casais, todos fantasiados.
Geraldo encostou num canto para tomar uma e dar uma olhada mais detalhada na festa, até que seus olhos se depararam com uma linda mulher, ricamente fantasiada, usando uma máscara que escondia apenas os olhos.
Sozinha, ela sorriu para ele, que imediatamente tomou o resto da bebida e se dirigiu para ela, convidando-a para dançar.
Dançaram durante horas, sem dar uma palavra, já que a música era bem alta.
Uma mulher linda, elegante, muito bem trajada e antes que a festa terminasse, Geraldo resolveu convidá-la para dar um passeio lá fora ou quem sabe, terminar a festa de uma outra forma, em outro lugar.
- Você não gostaria de sair para tomar um pouco de ar?
- Sim, claro!
Animado, Geraldo sequer perguntou o nome da moça.
- Uma moça tão bonita como você, não deveria terminar esse baile sozinha. Que tal se nós fossemos agora para um lugar mais calmo, para a gente se conhecer melhor?
- Eu aceito, mas só se for na minha casa!
- Melhor ainda, minha querida, desde que seu marido não esteja em casa!
- Não tenho marido faz tempo.
- Ótimo! Vamos então!
Começaram a andar sem falar nada. A moça ficou quieta, de cabeça baixa, caminhando na frente, enquanto Geraldo já pensava em se gabar para os amigos no dia seguinte, do que ele achava que estava prestes a acontecer. Nem se deu conta para onde estavam indo, quando de repente, estavam na porta de um cemitério.
- Não estou entendendo? Onde você mora afinal?
- Eu moro aqui!
Geraldo gelou e congelou por uns instantes, até que o rosto da moça começou a se transfigurar e quando ela finalmente levantou a cabeça, ele viu que tinha algodão nas suas narinas.
Saiu correndo, de volta para a festa que já tinha acabado. Algumas pessoas o viram e um homem perguntou para ele.
- Está tudo bem, senhor? O senhor está pálido, parece que viu um fantasma!
- O senho estava no baile?
- Sim, por que?
- O senhor por acaso me viu na festa? O senhor viu aquela moça que estava dançando comigo?
- Sim! Eu o vi no baile, afinal o senhor chamou a atenção de todo mundo, já que danço sozinho a noite toda, como se estivesse acompanhado!
O jogador com pés de bode.
Edmundo era solto na vida e tinha pavor de se casar. Achava que a vida de casado era monótona, uma prisão, um tormento e para se livrar da pressão que a família fazia sobre esse assunto, ele logo cedo arrumou um emprego de comerciante.
Se deu bem nos negócios e como trabalhava por conta própria, viajava muito, nunca perdendo a oportunidade de fazer novos negócios.
Um dia durante a quaresma, precisou viajar e fazer a entrega de uma mercadoria, justamente um dia antes da sexta-feira santa. Sua mãe muito beata, o havia advertido, sobre a necessidade de não trabalhar naquele período, pois o tinhoso tinha mais poder durante a quaresma.
Edmundo não acreditava em nada além do poder do dinheiro, ainda mais agora, bem posicionado na vida, não deixaria de fechar um negócio por conta dessas crendices, ainda mais que estaria bem perto da cidade onde morava e poderia retornar para casa no mesmo dia.
Levou a mercadoria, voltou para a sua cidade foi direto para um cabaré, onde passou boa parte da noite fumando, bebendo e se envolvendo com mulheres de vida difícil.
Já era de madrugada quando ele resolveu sair de lá e retornar para casa.
Acendeu mais um cigarro, pegou sua maleta e saiu com o paletó nas costas, andando a pé.
Quando estava no meio do caminho, ouviu umas vozes e um pouco de luz, numa clareira dentro do bosque, que ficava ao redor do caminho.
Viu que se tratava de três homens jogando cartas, bebendo e fumando, sentados em volta de uma mesinha.
- Boa noite senhores! Vejo que estão jogando! Será que posso me juntar a vocês?
Apenas a luz da lua e dos cigarros acesos iluminada o local e um deles fez sinal para que ele se juntasse ao grupo.
Jogaram cartas e Edmundo sempre perdia. Em três rodadas, Edmundo perdeu tudo o que havia ganho no negócio que havia fechado recentemente, até que por fim, resolveu parar.
- Para mim chega! Ufa! Os senhores não são de falar muito, mas como tem sorte! Em três rodadas, cada um de vocês ganhou de mim, um após o outro! Perdi tudo o que ganhei no meu último negócio, então preciso parar por aqui.
O homem que havia o convidado para o jogo, assentiu com a cabeça.
- Mas antes que eu me vá, gostaria de fazer uma pergunta. Como é que os senhores tem tanta sorte assim?
O mesmo homem que havia falado com ele antes, ergueu a barra da calça perna esquerda e fez um sinal para que Edmundo olhasse.
Assim que Edmundo olhou, viu que os pés dos três jogadores, eram de bode!
Edmundo saiu correndo, gritando de pavor e a partir daquele dia, nunca mais desrespeitou a quaresma!
Verdade ou mentira, eu ouvi essas histórias. E você? Conhece alguma?
Nesse vídeo eu conto para vocês se realmente a energia muda durante esse período e o que ocorre no plano espiritual, na época da quaresma e do carnaval: https://youtu.be/0QVq48N-TEo
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Autor Rosana Ferraz Chaves Oraculista, sensitiva e escritora. Se dedica aos estudos de anjos, baralhos e tarots antigos, ministra cursos de oráculos, neurolinguística. Desenha mandalas e cria perfumes mágicos em seu atelier. Autora do livro Magid - O encontro com um anjo. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |
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