auravide auravide

Confidências...

por Maria Silvia Orlovas

Publicado dia 21/2/2008 em Autoconhecimento

Compartilhe

Facebook   E-mail   Whatsapp


Camila ligava todos os dias para Claudia que às vezes nem tinha tempo de se trocar, pois o telefone tocava assim que ela colocava o pé em casa. Assim, ela ficava correndo com o telefone sem fio de um lado para o outro arrumando a bagunça que largou pela manhã, colocando a comida no microondas, ligando a máquina de lavar, enquanto a amiga se debulhava em lágrimas, reclamava do namorado, comentava das dificuldades no trabalho.

Camila se considerava uma boa amiga porque era uma boa ouvinte e tinha uma enorme paciência, muitas vezes deixando de lado seus próprios interesses para atender as demandas da amiga. Ela sentia que era um sentimento puro, espiritual mesmo, porque não pedia nada em troca. Apenas ouvia e imaginava que a amiga estava ali presente em sua vida, compartilhando seus desafios, abrindo o coração.
E, assim, passaram-se meses, anos. Tudo igual sem mudanças. As mesmas reclamações, as mesmas respostas, as mesmas desilusões.
Claudia até acreditava que aprendia com os erros da amiga, porém nunca confessou sua ignorância sobre alguns assuntos porque ela estava na posição de dar conselhos. Então, era bom saber o que dizer e não fazer, como alguns terapeutas que devolvem a questão sem resposta. Ela tinha respostas... Se não tinha, fabricava alguma.

Claudia acreditou que a vida inteira seria assim. Até que um dia Camila não ligou, e no outro também. Quando, finalmente, Claudia resolveu saber o que tinha acontecido, espantou-se em saber que daquela vez o namoro ia muito bem e que a amiga fazia planos de ir com o namorado novo para o exterior.
-“Conto de fadas”, disse ela sem pensar que ofenderia a Camila apaixonada.
Ofendeu mesmo e dessa ofensa começou o fim da amizade.

“Maria Silvia, era tudo tão íntimo, eu fui tão boa amiga. O que fiz para merecer a traição?”

Perguntou Claudia, numa sessão individual comigo após contar sua história.

Devo fazer um parêntese aqui, amigo leitor, para explicar que muita gente me procura porque sofre por amor, mas não é apenas o amor do relacionamento entre homem e mulher. As pessoas sofrem por amor em geral... E sofrem especialmente quando se sentem traídas.

Claudia se sentia traída porque acreditava que dera muito de si na relação de amizade com Camila, mas isso de fato aconteceu como ela imaginou?

Perguntei para Claudia se ela falava de si e tinha coragem de mostrar seus sentimentos, se participava das confidências ou não se colocava.
Claudia me respondeu sem preocupações que não se abria para ninguém porque não confiava nas pessoas. Ela achava melhor poupar as amigas de suas desgraças, falava apenas o necessário, mas sabia ouvir...
Conversamos sobre auto-estima, sobre acreditar em si mesmo a ponto de se expor a vida sem medo de errar. Convidei Claudia para participar dos meus grupos e expliquei da necessidade dela colocar verdadeiramente para fora seus pensamentos.

Ela parecia não entender onde eu queria chegar com minhas ponderações até que lhe perguntei:
“Você gostava de ficar horas ouvindo sobre a vida da sua amiga? Não se entediava com os assuntos intermináveis da outra? Não sentia vontade de comentar sobre algo do seu dia a dia?”
“Claro que sim, mas parece que nunca sobrava tempo de abordar os meus assuntos. Tudo era sobre ela”.
“E você, cadê o seu espaço na vida?”
“Maria Silvia, juro que pensei que era um karma. Digo ouvir, cuidar das pessoas. Achei que isso acontecia comigo porque tinha abandonado alguém no passado e que agora era minha vez de cuidar dos outros. Na verdade cuido de todo mundo, da minha mãe, dos colegas”.

Como não é fácil mudar um padrão de comportamento, expliquei para Claudia que seria preciso empenho da parte dela em fazer as coisas de forma diferente. Expliquei que não há nada de errado em ajudar as pessoas, ouvir histórias dos amigos, ajudar. O erro estava justamente em não se dar espaço nessas relações, omitindo-se, querendo sempre agradar os outros.

Confidências não são fáceis de receber, nem de expor. É preciso abordá-las com sabedoria, dosando o quanto se colocar e o quanto manter esses assuntos no coração. E como na vida não tem muita regra, é preciso testar, amar as pessoas e correr riscos. Quem se poupa demais deixa de viver, de aprender e crescer.

Os Mestres ensinam que está no tempo de crescermos emocionalmente. Segundo eles, desenvolvemos nosso aprendizado intelectual, mas no aspecto emocional, muitos de nós ainda se comportam como crianças sofrendo sozinhos com medo do escuro dos sentimentos.

Maria Silvia é terapeuta e escritora, trabalha com grupos voltados ao autoconhecimento. Venha participar do workshop "Ancorando os Raios divinos".
Venha mergulhar fundo nos seus sentimentos para curar emoções e se libertar dos medos.

Texto revisado por: Cris

Compartilhe

Facebook   E-mail   Whatsapp
  estamos online

Gostou deste Artigo?    Sim    Não   

starstarstarstarstar Avaliação: 5 | Votos: 117

foto-autor
Sobre o Autor: Maria Silvia Orlovas   
Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores.
Me acompanhe no Twitter e Visite meu blog
E-mail: [email protected]
Visite o Site do autor e leia mais artigos.


Veja também
artigo Treinando a não-mente
artigo Horário
artigo Ativação dos sentidos interiores
artigo Amigos extrafísicos

© Copyright - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução dos textos aqui contidos sem a prévia autorização dos autores.


auravide

 

Voltar ao Topo

Siga-nos


Somos Todos UM no Smartphone
Google Play


© Copyright 2000-2020 SomosTodosUM - O SEU SITE DE AUTOCONHECIMENTO. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade - Site Parceiro do UOL Universa