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CONVERSAS FORTALECEDORAS

por Tania Paupitz

Publicado dia 31/8/2008 em Autoconhecimento

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O título acima acabou surgindo de forma inesperada, através de um bate-papo com uma pessoa pela qual tenho grande estima e admiração. Encontrava-me, na ocasião, participando de um encontro semanal (grupo de estudos) quando surgiu como um “flash” essa frase que achei bastante sugestiva para desenvolver um próximo tema relacionado às coisas que costumeiramente gosto de refletir e escrever.

Inesperadamente me veio à lembrança uma pessoa que ocasionalmente acabava encontrando e que na maioria das vezes estava sempre reclamando da vida de modo geral; era o marido que não a ajudava em casa, as amigas nas quais não podia confiar, a vida que estava difícil, os filhos que incomodavam... Enfim, sua vida era um constante reclamar de tudo e todos, por isso, dificilmente encontrava-se satisfeita com alguma coisa.

E o que fazer numa situação dessas, a não ser apenas, ouvir pacientemente? Quando uma pessoa utiliza sua energia de forma tão negativa prevalece nela uma grande urgência em desabafar, em pôr para fora aquilo que a incomoda. Então, nesse momento, o que me restava era simplesmente escuta-la pacientemente procurando a ocasião propícia quando pudesse de alguma forma interferir, mostrando a ela o quanto, talvez, estivesse exagerando, pois costumamos ver os defeitos alheios sempre bem maiores do que na verdade eles são. Além do mais, algumas pessoas também têm uma grande tendência a aumentar de maneira desproporcional o problema com o qual estão lidando.

Meus esforços, porém, acabavam tornando-se inúteis, pois ela não dava abertura e muito menos oportunidade de sequer tentar ajudá-la com alguns conselhos que eu considerava importantes. Sua necessidade de desabafo era tão intensa que me tornava somente "ouvidos", deixando que ela falasse tudo o que lhe viesse à cabeça. Isso acabava gerando em mim certa sensação de alívio, do tipo “missão cumprida”, o que me deixava também mais confortável com minha consciência.

Só que quando ela acabava de colocar todas as suas queixas e já ia embora, sempre muito melhor do que havia chegado - tipo “feliz da vida” - eu literalmente despencava, ficando tão cansada e exaurida que após sua saída tinha que me deitar para recuperar toda a energia que havia sido sugada. Realmente conversar ou até mesmo encontrar com essa pessoa era para mim, na ocasião, algo bastante complicado e desagradável, pois como tirar alguém de um estado tão negativo e transmutá-la para o lado positivo da vida?

Foi nessa passagem que comecei a me dar conta do bem que proporcionava à pessoa e do mal que acabava fazendo a mim mesma de maneira até mesmo inconsciente. Concordo que é algo muito positivo ajudarmos uma pessoa a sair de uma situação problemática, ouvindo-a, para que ela possa colocar seus conflitos; porém, torna-se importante a experiência e sabedoria para termos a capacidade de transformar um simples desabafo (onde há somente o interlocutor) numa conversa fortalecedora, ou seja, num diálogo estimulante e desafiador.

Os aprendizados que obtive através dessa experiência acabaram me propiciando um novo olhar para determinadas situações, percebendo que não podemos deixar que alguém domine uma conversa, principalmente, sendo ela negativa, pois não somos obrigados a ouvir o que não desejamos ou, muito menos, sermos usados por alguém que está somente a fim de despejar todo seu conteúdo negativo em cima de nós. Para tratar desse tipo de situação existem pessoas especializadas na área da Psicologia, Terapia Comportamental-Cognitiva, Psiquiatria e tantos outros profissionais da área.

O que aprendi com tudo isso? Bom, na verdade, a coisa mais importante que talvez tenha aprendido é que ouvir nem sempre significa aceitar qualquer coisa como uma verdade imposta pelo outro, ou seja, colocado “goela abaixo”. No fundo, todos nós sabemos que não precisamos ouvir o que não desejamos ou gostaríamos e que todos, uma vez ou outra, precisamos aprender a separar o “joio do trigo”.

Para ouvir o que outro tem a nos colocar precisamos nos encontrar abertos e receptivos para sabermos acolher a sua necessidade, desde que ele também nos proporcione a chance de interação, ou seja, que possamos estar com ele no sentido de efetuarmos um diálogo e não um monólogo. A troca ou o sentido de estar se compartilhando algo ou alguma coisa com alguém é de extrema importância dentro de qualquer tipo de relacionamento, ocasionando o que chamo de uma “conversa fortalecedora", quando os dois somam na questão de conhecimentos e aprendizados.

Hoje mais consciente de que essa não seria a maneira mais correta de ajudar alguém, diria que estou ainda em processo de aprendizagem, aprendendo a separar as coisas, ou melhor, os problemas de cada um, separando o que é meu do outro, tentando administrar melhor o pensamento de que o problema está fora de mim e de que não faço parte dele. Penso que, talvez, esse seja um dos pré-requisitos quando se deseja ajudar alguém que se encontra em dificuldades.

Para isso, é de suma importância não nos envolvermos emocionalmente no problema da outra pessoa; termos a capacidade de separar a razão da emoção, sem sermos tragados por ela. Se entramos na emoção, com certeza, não estaremos ajudando e, sim, quem sabe, piorando a situação, deixando que a pessoa acabe tornando-se prisioneira da própria situação na qual se encontra. A pergunta é: como posso ajudar alguém que está se afogando e deliberadamente me jogo no mar, se não sei nadar?

Estou aprendendo que só posso me permitir entrar na vida do outro quando me predisponho a saber até onde vão meus limites e de que maneira posso ser útil; pois se percebo que o outro somente quer me usar para desabar seus conflitos ou problemas emocionais, então, é hora de sair fora. Com isso, me dou conta da importância de preservar esse sentimento interno de autoproteção como uma forma de não ser envolvida por questões que não me dizem respeito ou nas quais não me sinto preparada para atuar.

Uma conversa fortalecedora tem por objetivo, principalmente, o fato de aprendermos a visualizar o lado positivo dentro das coisas negativas, pois a vida acaba nos mostrando que, por trás de toda adversidade, sempre haverá de surgir uma luz no final do túnel, ou seja, poderemos vislumbrar a claridade após a tempestade. É dessa forma que acabamos aprendendo, através das várias lições, que cada problema traz dentro de si a chave para sua resolução.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Tania Paupitz   
Tânia Paupitz é Artista Plástica e Professora de Artes, há 30 anos, sendo sua marca registrada as cores fortes e vibrantes, influência dos estudos de vários artistas Impressionistas como Pissarro e Van Gogh. Cursos de Pintura para Pintura em Óleo ou acrílica sobre tela -iniciantes ou não. www.taniapaupitz.com.br wathsapp - 48 999723446
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