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Curso Gratuito de Ética - Introdução



Quando cursava Direito iniciei um trabalho sobre Ética. Ao entrar para o STUM perguntei-me: Qual será meu primeiro artigo? Sobre o que irei escrever?

De formação religiosa com bases católicas, na adolescência fui “chamada” para o espiritismo. Descobri-me médium. Nessa época os livros-chaves foram "A Magia da Percepção Extra-Sensorial" e "O Poder do Subconsciente", de Joseph Murphy. Tomei, depois, contato com a Umbanda. Durante anos pus-me a seu serviço. O livro-chave foi de Babajiananda, "Lições de um preto-velho". Mais tarde, tornei-me estudante da AMORC – Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis. Um dia um livro na vitrine de uma livraria saltou-me aos olhos: "Os 7 Raios da Grande Fraternidade Branca". Acabei comprando esse e "Luzes da Grande Fraternidade Branca – os Grandes Mestres da Sabedoria" e "Manual de Canalização dos 12 Raios e do Disco Solar". Uma amiga apresentou-me um espaço ligado à Ponte Para a Liberdade. Bem, tudo se unia, de maneira fantástica! Nem sei de que maneira cheguei também à Summit Ligthouse e à Fraternidade dos Guardiões da Chama. Fiz cursos de Metafísica com o Prof. André e de Terapia, unindo Astrologia e Teatro – com Patrícia Teixeira - na Ponte para a Amizade, em São Paulo. Participei do Congresso Internacional de Metafísica, promovido pela Pax Universal, em 1998, com palestras de, entre outros, Dr. Lair Ribeiro e Roberto Shinyashiki.

Tudo desembocou no que realizo hoje: Bacharelado em Teologia e Licenciatura em Filosofia. Pergunta difícil mesmo é: qual é sua religião? Tenho comigo uma grande certeza enraizada: Jesus resumiu tudo em “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” e “Ama ao próximo como a ti mesmo”. A grande regra de ouro do Cristianismo - fazer ao outro o que gostaria que lhe fosse feito - será a grande tábua de salvação para nossa sociedade carente de valores. Por isso decidi publicar, em capítulos, aqui no STUM, meu trabalho sobre Ética.

Grandes mestres além de Jesus discutiram e discutem Ética: Aristóteles, Gandhi, Martin Luther King, Leonardo Boff, Jurandir Freire. Quero ser apenas um instrumento...

INTRODUÇÃO

A Humanidade conseguiu inúmeros avanços no século XX. Chegamos ao século XXI podendo, através dos progressos da cibernética, conversar em tempo real com alguém do outro lado do planeta. Chegamos ao controle do átomo, realização de transplantes, clonagem, conquistas espaciais com satélites e naves, fibra ótica, robótica, etc. Em contrapartida não temos respostas para questões relacionadas à fome, à violência, à corrupção, à degradação e exploração do meio-ambiente, à falta de respeito com outras formas de vida e para com outros semelhantes. A libertação do homem em decorrência do progresso técnico-científico não ocorreu, como se esperava. “Estamos mais próximos de um suicídio coletivo do que de uma libertação.” (Fernando Guedes de Mello, in: link Falou Peter Drucker: “O caráter e a integridade por si só, nada realizam. Mas sua ausência aniquila tudo o mais.”

Ética vem do grego “ethico” que se origina em “ethos”, caráter, forma de ser. Ética significa as coisas referentes ao caráter. “A palavra moral - em latim moralist, como adjetivo, e mos, morés, substantivo - nos leva à moralidade que tem a ver com a ação de seu ego, self ou sujeito que relaciona a sua ação com a ação dos outros. A moral é individual, enquanto a ética é a moral pensada, mas na prática.” (Maria Aparecida Ferreira de Aguiar, in Revista UNICSUL, nº7, p.46).

Aristóteles afirmava que o homem é um ser feito para a convivência social. O filósofo viveu entre 384 a.C. e 322 a.C. e já se preocupava com a Ética, a ciência dos costumes. Para ele o homem é ser racional e seu sumo bem não se realiza na vida individual. Muitos colocam a felicidade ou no prazer ou na honra ou na virtude. Em um ponto, porém, temos que concordar, ainda em nossos dias, com a premissa aristotélica de que conquistamos a virtude com o exercitarmo-nos em atos virtuosos.

Certa vez, uma mãe levou seu filho pequeno até Ghandi, dizendo: “Ghandi, meu filho come açúcar demais e isso é ruim para os dentes dele. Por favor, diga-lhe que pare.” Ghandi pediu gentilmente que a mulher voltasse dali a duas semanas com o menino e quando ela o fez, Ghandi olhou o menino nos olhos e disse: “Você não deve comer tanto açúcar, faz mal para os seus dentes.” A mãe, muito feliz, agradeceu o mestre e já saindo com seu filho, voltou-se e perguntou: “Mas por que o senhor simplesmente não lhe disse isso há duas semanas?” E Ghandi respondeu: “Porque há duas semanas eu ainda comia açúcar.”

"Na vida, há uma distinção entre uma resposta e uma reação. A reação é instantânea, repleta de emoção, desprovida de um pensamento direcionado e consciente e a resposta é uma conduta mais ponderada porque é dirigida mais pela razão e pela reflexão e menos pela emoção. A reação não leva em conta as conseqüências, ao passo que a resposta é determinada pela reflexão sobre as conseqüências." (Gilclér Regina in Revista Vencer, n.54, p.12).

Precisamos mais de respostas e menos de reações. Para o psicanalista Jurandir Freire Costa (A Ética e o espelho da cultura, p.10), "os indivíduos no Brasil tornaram-se social e moralmente supérfluos. Eles nada valem como cidadãos, pessoas que têm responsabilidades. Ao contrário, são postos em situação de desqualificação e tutela. O que vigora hoje, no Brasil, é uma razão cínica. No lugar da indignação, produziu-se um discurso desmoralizante que diz que toda lei é convencionalismo, formalismo, idealismo, conservadorismo."

Se observarmos atentamente a sociedade verificamos que os grupos sociais são fontes inexauríveis de normas e, por conseguinte, o Estado não é o único criador de normas jurídicas. As normas fundam-se na natureza social humana e na necessidade de organização no seio da sociedade. Fato, valor e norma são elementos do Direito. Para Miguel Reale (Lições preliminares de Direito, p.33), “as leis éticas, ou melhor, as normas éticas, não envolvem apenas um juízo de valor sobre os comportamentos humanos, mas culminam na escolha de uma diretriz obrigatória numa coletividade.”

A lei é, pois, uma convenção sem a qual não podemos sobreviver à desordem da natureza. A aniquilação da lei é um ato suicida. Um exercício de auto-agressão. Um motorista que estaciona na faixa de pedestres é, em certo sentido, tão violento quanto um assaltante que metralha sua vítima. Ambos se julgam acima da lei e estão se destruindo com isso.

“Não se trata apenas do desespero do desempregado ou do sujeito que cada vez mais vê o salário ficar abaixo das contas ou dos pais que temem pelos filhos nas cidades violentas. O pior é ver aumentar a sensação de que fazer o bem, ser correto, querer crescer como pessoa, não vale a pena. E esta sensação é o maior problema que o Brasil vive hoje, pelo que significa de ofensa à dignidade e pelo que implica perda de critério e ânimo.” (Daniel Piza, in O Estado de São Paulo, 04.04.2004, p.3D).

Necessitamos de uma ética do caráter intimamente ligada à fé na natureza humana, no potencial criativo do ser humano. Um trabalho “de dentro para fora”. Lembra-nos Fernando Guedes de Mello (op.cit.): “uma flor nunca desabrocha de fora para dentro”.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 10/6/2007

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Autor: Monika Alves de Almeida Picanço   
Teóloga, jornalista, radialista, professora. Pós-graduada em Filosofia. Licencianda em Letras. Palestrante. Cantora e compositora. Mestranda em Teologia Histórica e em Ciências Sociais da Religião. Autora dos livros Redescobrindo o Ser Ético: http://migre.me/exvRM Reflexões Teológicas Vol. 1: http://migre.me/exw2i Contatos: monika@vivos.com.br
E-mail: monika@vivos.com.br | Mais artigos.

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