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Curso Gratuito de Ética - Parte II - Ética e suas sub-divisões



3.2 A Ética anarquista
A Ética empírica subdivide-se em: anarquista, utilitarista e ceticista.
A Ética anarquista repudia toda norma e todo valor. Para os anarquistas, todo convencionalismo é fruto da ignorância, da maldade e do medo. É assim, uma doutrina individualista, pois cada indivíduo tem uma vontade. Prevalece a “lei do mais forte”.
O anarquista busca também seu prazer acima de tudo (hedonismo). Até pratica o bem para se sentir confortável consigo mesmo (oposto ao altruísmo).
Divide-se em: anarquismo individualista e anarquismo libertário ou comunista. Ambos defendem a liberdade suprema do indivíduo e a extinção de toda organização política da sociedade. Segundo as duas correntes, até a ordem jurídica deve ser combatida.
O anarquismo libertário comunista diverge do individualista por pregar a violência em seus métodos, na luta contra o estado (ordem estabelecida). Para o comunista não deve existir a propriedade privada, sendo tudo comum e devendo ser utilizado por todos, já que a natureza não destinou seus bens a um indivíduo específico.
Já os individualistas a aceitam, mas propõem uma associação livre, em que todos subsistiriam sem regras e sem submissão ao poder do Estado.
Porém, a liberdade já constitui um direito. Sem normas, como assegurá-la? Toda comunidade necessita de regras básicas.

3.3 A Ética utilitarista
No utilitarismo, é bom o que é útil. A conduta útil, desejável, é aquela que observa a utilidade de determinado instrumento, enquanto esteja de acordo com sua real finalidade.
A Ética utilitarista preceitua que os meios, por si, são instrumentos da ação, que não requerem justificação, sendo falsa a afirmação de que “os fins justificam os meios”.
Passa a ser, então, uma “ética de fins”, pois os meios levam a finalidades úteis, não nefastas.
John Stuart Mill(1806-1873), difusor do utilitarismo junto com Jeremy Bentham(1748-1832), ensina que o objetivo da ética é a felicidade do maior número de pessoas, entendendo-se como a ausência do prazer e da dor. (META Concursos (ed.), op. cit., pg.2)
Mill afirmava que a felicidade é o fim desejável e que todas as outras coisas são desejáveis como meios para atingir essa finalidade. (José Renato NALINI, op. cit., pg.35)

3.4 A ética ceticista
Ceticismo é “a doutrina filosófica dos que duvidam de tudo e afirmam não existir a verdade que, se existisse, seria o Homem incapaz de conhecê-la”. (Melhoramentos (ed.), Dicionário, op. cit., pg.195)
Porém, para José Renato Nalini, citando Eduardo Garcia Máynez: “cético não é o que nega, nem o que afirma, senão o que se abstém de julgar”. (Eduardo Garcia MÁYNEZ, op. cit., apud José Renato NALINI, op. cit., pg.36)
A dúvida do cético não é a dúvida que leva ao conhecimento, mas a dúvida daquele que não julga porque não sabe. A dúvida, utilizada como método, é pausa transitória contra o equívoco. Busca atingir a certeza. Não é a postura cética. É uma dúvida temporária.
Os céticos se valem da dúvida sistemática. Falham em pensar que duvidam de tudo, pois isso já é uma certeza: acreditam que duvidam de tudo. Não duvidam que têm dúvida!
A dúvida acaba por paralisar a ação. Não se sabendo o que é certo ou errado, nada se faz. Não se toma uma atitude.
Porém, não fazer nada já é uma atitude, uma escolha de nada fazer. Assim, os céticos crêem que é melhor não se fazer nada, nem nada julgar, para abster-se de se estar certo ou errado.
Os próprios céticos não pregavam o ceticismo absoluto. Aceitavam algumas regras para alcançar relativa felicidade: seguiam as indicações da natureza; cediam a impulsos passivos – comer ao se ter fome e beber quando se sente sede; submetiam-se às leis e costumes de seu país e pregavam a não-inatividade e o cultivo das artes. Portanto, acreditavam em normas de conduta e na necessidade da moral. (José Renato NALINI, op. cit., pg.37-38)

3.5 A Ética subjetivista
Na prática, o subjetivismo divide-se em: individualista e social ou específico.
O individualista parte da premissa de que a verdade não é absoluta: cada indivíduo acredita na sua verdade, pois o que é verdadeiro para um, pode ser falso para outro.
Essa teoria conduz ao agnosticismo, “doutrina que afirma a impossibilidade de conhecer a natureza última das coisas”.(Melhoramentos (ed.), Dicionário..., op. cit., pg.40)
Atualmente percebe-se essa concepção ideológica em vários segmentos: estético, religioso, jurídico.
Para o subjetivismo ético social, os valores éticos provêm de apreciação coletiva. Se algo é considerado válido para alguém, só é realmente verdadeiro, se assim o for para outrem. Porém, se assim o fosse, não teríamos, na sociedade, condutas reprováveis, pois tudo o que fosse bom, verdadeiro e justo, assim o seria para todos.
O subjetivismo acaba, pois, convergindo sempre para o relativismo absoluto. Como ensina José Renato Nalini – “a moralidade intrínseca de um ato independe dos juízos estimativos sobre ele. O que é bom é bom em si, seja ou não assim considerado”. Portanto, o relativismo absoluto não pode servir de base para relações humanas.

3.6 A Ética dos bens
Sendo denominado bem supremo, ou seja, os seres humanos são capazes de qualquer coisa para que se tornem os primeiros em todas as suas atividades. Temos inúmeros exemplos desse tipo de ocorrência, como é o caso dos universitários, que escolhem a profissão a ser seguida para nela se aprimorar e assim obter sucesso.
Segundo José Renato Nalini (op.cit.), “o supremo bem da vida consistirá na realização do fim próprio da criatura humana. Para estabelecer a hierarquia dos fins, basta verificar qual deles pode ser, simultaneamente, fim e meio para a obtenção de outro fim. Quando se defronta com um bem que não pode ser meio de qualquer outro, então esse é o bem supremo”.
Há três importantes manifestações da ética dos bens. São elas: o eudemonismo, o idealismo ético e o hedonismo.
Eudemonismo deriva de eudemonia, em grego, felicidade. Para eles a felicidade já nasce com o homem. Este constitui um fim que não possui caráter de meio.
Já no Idealismo o homem busca a prática do bem. Fazer o que é bom é fim, não meio, mesmo que, sendo bom, não lhe traga nenhum benefício.
O Hedonismo, a felicidade, constitui prazer, seja qual for o prazer obtido.
Combinando-se essas formas puras podem surgir as formas mistas. “Há o eudemonismo idealista, para o qual a felicidade é o fim supremo, mas o caminho único a atingi-la é a virtude. O eudemonismo hedonista elegeu a felicidade como fim, mas o prazer como meio”.
Temos também a figura de Sócrates, de maior destaque na filosofia, que dizia: “Só sei que nada sei” e “Conhece-te a ti mesmo”.
A bondade era primordial. Para ser feliz é necessário ser bom, assim o conhecimento do bem torna-se virtude.
Sócrates teve Platão e Aristóteles como seus discípulos. Os três pensadores consideravam o homem um ser social. O homem só se aprimora na convivência comunitária.

Continua...

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Publicado dia 26/6/2007
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Autor: Monika Alves de Almeida Picanço   
Teóloga, jornalista, radialista, professora. Pós-graduada em Filosofia. Licencianda em Letras. Palestrante. Cantora e compositora. Mestranda em Teologia Histórica e em Ciências Sociais da Religião. Autora dos livros Redescobrindo o Ser Ético: http://migre.me/exvRM Reflexões Teológicas Vol. 1: http://migre.me/exw2i Contatos: monika@vivos.com.br
E-mail: monika@vivos.com.br | Mais artigos.

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