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DECLARAÇÃO DE AMOR.

por Christina Nunes

Publicado dia 30/7/2008 em Autoconhecimento

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Meu Velho... belo, imponente, solene...encantador!

Até então só te via, meio desconectada da tua realidade, nas imagens de tv! Ultimamente o teu nome vem sendo pronunciado com freqüência em decorrência das polêmicas que giram em torno do que andam querendo praticar contra a tua altiva integridade. Mas isto, agora, é doído de se considerar, por causa das implicações para o teu futuro*... então, vamos ao que interessa: a minha declaração de amor!

Meu Velho... não sabia da tua história. Não conhecia a razão do teu nome de batismo. Só ao conhecê-la, dentro de uma escuna, em tarde gostosa e ensolarada, na companhia de mais de cento e cinquenta turistas eufóricos, fascinados pela inesquecível majestade dos teus cenários, fui compreender o motivo do meu imediato encanto; da minha rendição imediata ao irresistível poder de sedução das tuas imagens paradisíacas!

É que foste descoberto, imenso, imponente, maravilhoso, justo no dia do meu aniversário - que por sua vez é o dia do santinho, do poverello de Assis, São Francisco de Assis, meu Velho!

Américo Vespúcio, o italiano conquistador, em quatro de outubro de mil quinhentos e um te redescobriu e rebatizou, homenageando o santo de Assis, já que anteriormente tu já possuíra outros nomes, como Rio das Esmeraldas! Esse italiano desbravador, então, com certeza, há mais de quinhentos anos, se deve ter tomado de amores e de fascínio pela aura gigantesca e aconchegante dos teus descomunais afluentes, das tuas dimensões generosas; pelas tuas dunas e margens luxuriosas de coqueirais infinitos; pelas belíssimas vegetações ribeirinhas com suas pinturas vivas, em forma de taperas e de casinhas brancas, perdidas na vegetação pródiga - casinhas humildes de pescadores que, na sua singeleza, todavia, não são superadas em encanto e em beleza pela orla urbana já requintada de Maceió, nem pelas raras moradias de grande porte entrevistas no emaranhado verdejante de toda a infinita extensão das tuas margens!

Na escuna, ouvindo o forró irresistível e contagiante do Nordeste, em toda a miríade rica e diversificada de suas versões, o navegar ia ao ritmo da música alegre a bordo. Ninguém ali fazia diferente de celebrar espontaneamente a vida, cada qual ao seu jeito: uns expansivos, outros embevecidos pelo panorama monumental, indescritível. Uns iam dançando, outros conversando; alguns mais fotografando ou filmando; uns bebendo ula-ula, outros comendo abacaxi...

Certo, e acima de tudo, todavia, é que não se viam ali os sulistas presentes em maioria nas suas máscaras urbanas usuais. Lá, no teu regaço acolhedor, meu Velho Chico, não existiram, ao menos durante algumas horas, médicos ou comerciantes, professores ou funcionários, ou técnicos, ou bancários, ou quaisquer profissionais que fossem, habitualmente viajando para longe, para a exuberância natural do Nordeste por estas épocas, em busca de terapia, de desafogo, de remanso para as agruras das tão badaladas quanto empobrecidas cidades grandes - grandes bagaços de cana já sem sumo, sem viço, sem sabor e sem sorrisos suficientes que nos recordem suficientemente, e com a tua poderosa competência, que a vida é, sim, bela! Que há beleza, e sossego, e regalo para os olhos e espíritos cansados, cinzentos! Que é mais do que possível - é imperioso! - viver despojado de stress, da ansiedade neurótica de tempos nos quais somos estranhamente compelidos a apreciar mais o desassossego de um shopping center do que a contemplação extasiante de um por-do-sol por detrás da plenitude do oceano vasto, perfumado, soberano das tuas águas, sentindo na pele a carícia deliciosa das tuas brisas!

Precisei ir a Maceió para enfim entender! Para me render ao encanto solene, magnético, hipnótico dos teus quadros magníficos, meu Velho Chico! Como criança extasiada, emocionei-me de forma inesperada, tocante! Nunca supunha poder verter lágrimas de saudades de um rio... um simples rio!

Mas é que, Velho Chico, não és um simples rio! Quem te visita, meu Velho amigo, é apresentado à plenitude misteriosa do teu Ser! Ser infinitamente terno, acolhendo a todos nos seus largos, pródigos e extensos braços abertos para receber a todos, indistintamente... tão reconfortantes, tão amorosos como um caloroso, vasto abraço de pai!

Que a Grande Mãe te preserve na plenitude eterna da tua Vida exuberante, Velho Chico!

Que passem as gerações inquietas das ambições transitórias que em nada contribuem para a manutenção da Existência...

Que tu fiques para a posteridade, intocado, pleno... paradisíaco... para que se acredite, que ainda e sempre se comprove que o Paraíso pode ser aqui e agora... já! Nesta nossa Terra, meu Amigo!

Que tu fiques, íntegro, intacto... meu amado Rio São Francisco!

Pela tua... pela nossa longa Vida!

*Referência à polêmica em torno da transposição das águas do Rio São Francisco.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
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