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Deus é o grande, eu sou o pequeno



Pai, tenho que lhe falar algumas coisas. Sei que você sabe, mas na sua imensa plenitude nunca quis interferir na minha compreensão. Deixou que eu caísse inúmeras vezes e deixou que a dor doesse, pois é assim que uma criança aprende. E eu caí. Caí principalmente no momento em que achei que não mais precisava de você me apoiando, pois achei-me grande. Como pode uma criança achar-se grande? Pois é, mas eu achava.

E comecei a caminhar. Soltei-me de suas mãos grandes e benevolentes, levantei o queixo, aprumei os ombros e comecei a caminhar. Mal sabia eu que você estava sempre ali, alguns passos atrás de mim, observando e sorrindo. Mal sabia eu que por mais que eu achasse que estava fazendo o meu caminho, na verdade não existia nenhum caminho que não fosse o Seu caminho. Esta foi a primeira queda. Pensei que fazia a minha vida. Pensei que aquilo que eu pensasse com determinação, ocorreria. Pensei que a fé removesse montanhas. Como posso fazer a minha vida, se toda vida é Sua? Quem disse que tenho que remover a montanha que o Senhor mesmo colocou? Ah, mente infantil... E foi por isso que você não correu para me levantar quando quebrei a cara e perdi tanto dinheiro.

Eu dizia a mim mesmo: "Estou fazendo o melhor pelas pessoas, sou tão bom profissional, sou espiritualista, ajudo os outros, e cadê você, Deus, que me deixa perder tudo?" Mas você simplesmente observou e sorriu. Viu o quanto eu era arrogante em achar que eu estava fazendo o “meu” caminho e depois ainda exigia o reconhecimento dos outros, das pessoas, dos clientes, dos amigos, dos parentes... Eu queria que eles vissem o quanto eu era bom... e eu não era. Era simplesmente uma criança arrogante e malcriada, que não reconhecia nem mesmo o Pai que estava ali o tempo todo. E eu gritava: "Deus, cadê você! Tira-me desta situação, pois estou fazendo tudo em seu nome!" Ah, quanto engano! Eu estava fazendo tudo em meu nome.

Continuei insistindo. "Agora eu consigo! Vou mostrar ao mundo o quanto sou bondoso, honesto, trabalhador! Vou mostrar à minha família que estou cumprindo direito o meu papel!" E achava que estava. Mal percebia que o único papel que existe é Dele. Perante Deus não sou o pai dos meus filhos: sou simplesmente o tutor. Quem manda em meus filhos é Ele, não eu. Mas eu não via assim. E gritei desesperadamente quando minha filha adoeceu: "Deus! Cure a minha filha!" Mas ela não era a minha filha. Era a Sua filha. E Você sabe muito bem o que faz com Seus filhos... Foi o segundo tombo.

Amargurado, desiludido, falei: "Vou, enfim, fazer o caminho que Você quer." E lá fui eu acolhendo pessoas, conversando, querendo ajudá-los, salvá-los, mudar a vida dos outros. E eles não reconheciam os meus esforços. Muitas vezes, nem obrigado recebia... Quem sou eu, pequenina criança, dizendo que existe alguém para ser ajudado, já que este alguém também é Seu filho? Se Você permite, quem sou eu para dizer que tenho que salvar alguém? Como posso salvar se todos os Seus filhos já estão salvos? E o meu caminho de caridade e perfeição caiu por terra, em meu terceiro tombo...

Cansei, estou exausto, Pai... Reconheço, não posso fazer o meu caminho... só posso me entregar ao Seu caminho... Volto a Você, Pai, e rogo sua mão, novamente: deixe-me segurar, Pai! Não quero mais me aventurar sozinho, achando que posso mudar alguma coisa que nem precisa ser mudada, já que Você mesmo a tudo observa. Coloco-me no papel de pequeno. Sou seu pequenino, ínfimo filho, e o respeito como meu Pai. Nem perdão posso pedir, porque entendo que você nunca me viu como culpado. Sempre ao meu lado, a poucos passos de distância, a tudo viu e sorriu, diante de tantas peraltices que cometi. Brincando de mocinho e bandido, de médico, de boneca, neste mundo tão infantil, levei tudo a sério, enquanto o Senhor a tudo sorri...

Obrigado Pai, por me dar a mão novamente. Não exijo mais curas. Não exijo mais milagres. Não exijo mais dinheiro. Como pode uma pequena criança exigir de seu grande Pai? O que sabe uma pequena criança dos desígnios criados pelo Pai? Por que quero interferir naquilo que não me compete? Estou cansado, pai. Deixe-me descansar em seus braços. Agora serei eu, seu pequeno filho, sempre, e juntos caminharemos. Sua bênção, Pai...

Seu pequeno filho.

Alex Possato
Terapeuta e consultor de vida
www.nokomando.com.br

Texto revisado por Cris
Publicado dia 5/12/2007

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Autor: Alex Possato   
Terapeuta sistêmico e trainer de cursos de formação em constelação familiar sistêmica
E-mail: alexpossato@hotmail.com | Mais artigos.

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