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Do outro lado do espelho

por Wilson Francisco

Publicado dia 19/11/2008 em Autoconhecimento

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Inácio Ferreira, através da mediunidade de Carlos Baccelli, no livro "Do Outro Lado do Espelho" comenta o quanto ficou surpreso quando viu na dimensão espiritual sua mãe transfigurada, com uma aparência de moça, com brilho nos olhos e trajando-se de maneira elegante. Recordou-se de sua mãe, ainda na Terra, e disse com sinceridade:

"Por vezes, eu chego a pensar que a vida da senhora era inútil... Entenda-me: inútil para o seu espírito: a senhora não saía de casa, não lia, não se interessava pelos acontecimentos... A senhora mal chegava ao portão, mamãe! Ao que ela retrucou:

Mas eu pensava, Inácio, pensava e orava... Trabalhava com o pensamento, vagueando a incomensuráveis distâncias. As mães não apenas amam: as mães igualmente raciocinam. Espiritualmente eu tentava me disciplinar. Não acredite você que eu fosse tão vazia de idéias quando aparentava..."

Extraordinário este diálogo. Confesso que em minha vida, principalmente na religiosa, fui muito tentado a fazer bastante: era dirigente de CE, fazia campanhas, visitava hospitais, presídios, dava passe etc e tal. Participei por muitos anos do movimento espírita. Se uma lista de atividades abrisse as portas do céu, para mim, elas estariam escancaradas. Ledo engano. Não é assim, hoje eu entendo. Há outros caminhos e muito mais verdadeiros, como percebemos na conversa acima entre mãe e filho.

Por conta disso, tomei um rumo diferente, agora tenho poucas atividades, seleciono minhas ações e procuro, isto sim, estar sempre antenado com as pessoas e com os seres da dimensão espiritual e material, disponibilizando dia a noite meus recursos em prol do Universo. E tenho tido experiências importantes, demonstrando que podemos e somos muito úteis, onde estivermos.

Nem por isso, deixo de dar meus cursos, realizo algumas palestras e escrevo para alguns sites. Mas tudo bem dosado, sem ansiedade e correria, com a consciência de que somos seres de luz, irradiando para tudo e todos nossa energia, na medida de nossa transformação e disponibilidade.

Na vida física, experiências se multiplicam mostrando caminhos inacreditáveis. Uma cliente, por conta de um acidente, está afastada do trabalho. E em decorrência desse afastamento, ampliou uma depressão que já ameaçava seu psiquismo. E ela fica muito desanimada, porque entende que o trabalho que desenvolvia na empresa, era o que fazia dela uma mulher, um ser social, uma integrante do mundo.

Há mesmo um conceito muito ruim na cabeça das pessoas. É comum, por exemplo, se perguntar assim: Você trabalha? E a resposta, é: Não, eu cuido da minha casa. Ora, e cuidar da casa, passar roupa, fazer comida, levar filhos na escola, acompanhar suas lições, enfim, manter toda a estrutura de limpeza, alimentação e estudo dos filhos e ainda cuidar das coisas do marido, não é trabalhar?

Essa cliente, contaminada pelo pensamento acima, entende que, em casa, acompanhando os afazeres da sua mãe e buscando avidamente tratamentos para seu corpo, não significa tudo. Ela se sente mal, desprovida de uma vida própria e de projetos e sonhos.

Está enganada, eu disse isso a ela. Estamos na vida para o desenvolvimento de nossos talentos divinos, das qualidades que nos podem transformar em seres humanos essenciais. O trabalho profissional pode ser um caminho, pois nele estabelecemos relação com pessoas, temos oportunidade de dar valor ao tempo, a compartilhação, em várias oportunidades confrontamos situações, pessoas que nos contemplam com ensinamentos ou nos pedem atitudes.

No entanto, ela lá na casa dela, no convívio pacífico com sua mãe, está também desenvolvendo talentos; há muitas criaturas que invejam a situação dela. Poder estar ao lado da mãe, em casa, cuidando de si e de seus bens. Por outro lado, cuidar da saúde, procurar remédio para suas dores, é também um caminho onde aprendemos o quanto importante é o nosso corpo.

Uma situação que merece reflexão é a das pessoas em estado de coma, vida vegetativa. Quando isso acontece, o primeiro impulso é se dizer que de nada vale a continuidade da existência daquela criatura. No entanto, já tive oportunidade de acompanhar casos em que a pessoa saiu do coma ou de uma vida vegetativa, “reentrando” no mundo físico e, para espanto geral, diz que ouvia e sentia tudo que se fazia ao seu redor.

Isso quer dizer que o Espírito estava ali ao lado do corpo. E por que então esse tempo de inanição física? Ora, para quem considera que a vida material só vale pelo que podemos realizar fisicamente, então um tempo desse é improdutivo, mas para quem sabe que a grande validade dessa nossa existência está nas ações essenciais que executamos, tanto na vida física, como na mental, emocional e espiritual, então os conceitos de utilidade da vida devem ser repensados.

E nesse particular, eu destaco a atitude de uma prima minha que teve seu marido dominado por uma vida vegetativa, após AVC contundente, por dois anos. E era interessante e emocionante, vermos ela saindo de nossa casa às pressas para dar o almoço ou o café da tarde, para o marido. Ele estava sempre ali imóvel, na cama. Mas para ela, era o seu companheiro. E fazia seu trabalho com a maior dignidade. Com certeza, ele do outro lado, mesmo não podendo ter qualquer reação emotiva, aplaudia a dedicação da esposa. E ela, por sua vez, desenvolvia seus talentos, com fidalguia.

No entanto, essa compreensão de utilidade do tempo e do trabalho ainda afeta muito as pessoas, principalmente aquela criatura que se aposenta. E o índice de depressão e consumo de álcool aumenta de maneira significativa nessa época, porque principalmente o homem se acostumou a pensar que trabalhar é estar numa empresa, realizando as obrigações que o seu ofício exige. Ainda bem que, na atualidade, a sociedade elaborou esse programa fantástico voltado para a terceira idade, resgatando nas pessoas a idéia de que conviver com outras pessoas, dançar e passear também é uma atividade, tanto ou mais importante que aquela que ela exercia.

Este foi um passo importante, no entanto, há muito que se fazer, principalmente na resignificação do dinheiro, que é outro vilão que ameaça quase sempre a estrutura das criaturas, embora seja um ingrediente muito importante na receita para que possamos realizar a nossa felicidade.


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Sobre o Autor: Wilson Francisco   
Terapeuta Holístico. Desenvolve processo que faz a Leitura da Alma; Toque Quântico para dar qualidade à circulação e aos campos vibracionais; Purificação do Tronco Familiar e Cura de Antepassados para Resgatar, Atualizar e Realizar o Ser Divino que há em você. Agendar pelo WhatsApp 011 - 959224182 ou pelo email [email protected]
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