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Do Sexo ao Samadhi



Patanjali fez o impossível. Ele descreveu tanto quanto possível cada passo, cada integração, cada chacra – seu funcionamento e como transcendê-lo, até o sahasrar e até mesmo foi além. Em cada chacra, em cada roda de energia, uma certa integração acontece. Deixe-me contar-lhes...

No centro sexual, o primeiro centro – o mais primitivo, porém o mais natural, aquele que está disponível para todos – a integração ocorre entre o exterior e o interior. É claro que é momentâneo.

Uma mulher unindo-se a um homem ou um homem unindo-se a uma mulher acontece por um único momento, num instante, onde exterior e interior se encontram, se mesclam e se fundem um no outro. Essa é a beleza do sexo, o orgasmo... essas duas energias, energias complementares, unem-se e formam um todo. Mas isso será momentâneo porque a união se dá através do elemento mais grosseiro, o corpo. O corpo pode tocar nas superfícies, mas não pode realmente penetrar no outro. Isso é como cubos de gelo. Se você colocar dois cubos de gelo juntos, eles podem se tocar um no outro, mas se dissolvem-se e tornam-se água, unem-se e se mesclam um no outro. Depois vão para o próprio centro. Se a água evaporar, então a união torna-se muito profunda. Dessa forma, não há nenhum Eu, nenhum você, nenhum interior, nenhum exterior.

O primeiro centro, o centro do sexo, lhe dá uma certa integração. É por isso que existe tanto anelo por sexo. Isso é natural; é em si mesmo benéfico e bom, porém se você parar aí, então, você parou no portal de um palácio. O pórtico é bom, lhe conduz para dentro do palácio, mas não é um lugar adequado para fazer sua moradia. Não é um lugar para ficar para sempre... e a bem aventurança que está aguardando por você nas mais elevadas integrações de outros centros estará perdida. Em comparação com essa bem aventurança, felicidade e alegria, a beleza do sexo não é nada, o prazer do sexo nada é. Isso simplesmente lhe dá um vislumbre passageiro.

O segundo chacra é o hara. No hara, vida e morte se encontram. Se você alcançar o segundo centro, você consegue um orgasmo de integração mais elevado: vida encontrando morte, sol encontrando a lua. O encontro agora é interior, assim pode ser mais permanente, mais estável, porque você não depende de ninguém mais. Agora você está encontrando sua própria mulher interior ou seu próprio homem interior.

O terceiro centro é o umbigo. O positivo e o negativo se encontram aí – a eletricidade positiva e a eletricidade negativa. Este encontro é até mesmo mais elevado do que vida e morte. Isso existe antes da vida, existe após a morte. Vida e morte existem por causa da bio-energia. Este encontro da bio-energia no umbigo, nabhi, lhe dá uma experiência mais elevada de ser um, integrado, uma unidade.

Depois é o coração. No centro do coração o mais baixo e o mais alto se encontram. No centro do coração o prakriti e purusha, o sexual e o espiritual, o mundano e o outro-mundano – ou você pode chamar isso de encontro do céu e da terra... Isso é ainda mais elevado porque pela primeira vez algo do além manifesta-se; você pode ver o sol nascente no horizonte. Você ainda está enraizado na terra, mas suas ramificações estão se espalhando pelo céu. Você tornou-se um encontro. É por isso que o centro do coração dá a mais elevada e a mais refinada experiência ordinariamente disponível – a experiência do amor. A experiência do amor é o encontro da terra e do céu; assim o amor é de uma maneira terrena e de outra maneira celestial. Se Jesus definiu Deus como amor, essa é a razão, porque na consciência humana o amor parece ser o reflexo mais elevado.

Geralmente as pessoas nunca vão além do centro do coração. Mesmo alcançar o centro do coração parece ser difícil, quase impossível. As pessoas permanecem no centro do sexo. Se forem bem treinados na Yoga, Karatê, Aikido, Tai Chi, então alcançam o segundo centro, o hara. Se forem treinados no profundo mecanismo da respiração, prana, então alcançam o centro do umbigo. E se eles forem treinados para olhar além da terra e para enxergar além do corpo, para olhar tão profundamente e tão sensivelmente que você não fica mais confinado no grosseiro, e o sutil pode penetrar seus primeiros raios em você... só assim, atingem o centro do coração.

Todos os caminhos da devoção, Bhakti Yoga, trabalham no centro do coração. Tantra começa do centro do sexo, Tao começa do centro do hara, Yoga começa do centro do umbigo. Bhakti Yoga, caminhos da devoção e do amor – sufís e outros – começam a partir do centro do coração.

Mais alto do que o coração é o centro da garganta. Outra integração... ainda mais superior, mais sutil. Este centro é o centro de dar e receber. Eu tenho visto milhares de pessoas – todas famintas de amor, sedentas por amor, mas ninguém de modo nenhum tentando dar. Todos eles acreditam que estão dando, porém, não estão recebendo. Uma vez que você dá você recebe, naturalmente. Isso nunca aconteceu de outro modo. No momento em que você dá, o amor precipita-se em você. Isso não tem nada a ver com pessoas. Isso tem algo a ver com a energia cósmica do divino.

O centro da garganta é o encontro do dar e receber. Você recebe e dá a partir desse centro. Esse é o significado do dito de Cristo que você tem que se tornar uma criança novamente. Se você traduzir isso para a terminologia da Yoga significará: você precisa vir novamente para o centro da garganta.

Todas as pessoas criativas são doadoras. Elas podem cantar uma canção para você ou dançar uma dança ou escrever um poema ou pintar um quadro ou lhe contar uma história. De novo, para todos eles o centro da garganta é usado como um centro para dar. O encontro do dar e receber acontece na garganta. A capacidade de dar e receber é uma das maiores integrações.

Síntese Osho
Continua em Do sexo ao Samadhi 2.

Um beijinho ao coração.
Sahwenya

Texto revisado por Cris
Publicado dia 4/11/2007

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