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E de ti, irmão, o que sabes?



O comentário sobre a vida alheia tornou-se tão comum que algumas pessoas "especializam-se" na arte de falar mal dos outros. O que não sabem é que, ao desencarnarem, podem levar consigo esse mal hábito como instrumento de poder e de dominação.

Tanto aqui na escola da vida, quanto na temporária estadia no plano espiritual, somos aquilo que somos, ou seja, acessíveis às novas lições de amor e crescimento consciencial, ou bloqueados ao novo, mas orgulhosos do poder que julgamos ostentar.

Certa feita, Chico Xavier recebeu a visita de um certo "amigo". Enquanto Chico se entregava ao trabalho da correspondência, o tal sujeito disse: "Chico, estão falando "isso" e "isso" de você..." Calado estava, calado Chico permaneceu. Vendo que Chico não dera muita importância à fofoca, o amigo atacou novamente: "Chico, estão falando "isso" e "isso" de você. E aí? Você não vai dizer nada?" E o querido médium, naquela calma de sempre e sem tirar os olhos do papel, encerrou a conversa da seguinte maneira: "Olha, meu irmão. Não dizendo nada, já estão falando tudo "isso" a meu respeito, imagine se eu disser alguma coisa, não é mesmo?"

A fofoca, costume até bem pouco tempo considerado sem maior importância, passa a ser motivo de pesquisa no campo da psicologia. "Quando você faz fofoca, fica associado às características da pessoa de quem você falou". Esta é a conclusão de uma pesquisa científica dirigida pelo Dr. John Skowrovski, e quer dizer que essas características citadas são, inconscientemente, transferidas para o autor da maldade - é o feitiço virando contra o feiticeiro, ou a lei da causa e efeito.

A nova mania da televisão mundial, ou seja, espiar a vida das pessoas comuns, como o programa "Big Brother", conforme a psiquiatra Maria Lucrécia Zavaschi, é sentir a mesma emoção da infância quando se espiava pelo buraco da fechadura. Freud define o voyeurismo como uma forma de privilégio que nos habilita a ver o proibido. Observar sem ser observado é como tomar posse de outras vidas, nos firmar sobre elas e torná-las nossas. Ao exercitarmos esse hábito, exercitamos também, segundo a psiquiatra, o sentimento de maldade.

E foi com esse sentimento de maldade bem presente em seu âmago, que o nosso amigo, orgulhosamente, apresentou-se como um ser poderoso que havia conseguido desviar do ideal espírita um antigo trabalhador da casa. Gabava-se do feito e através da médium que lhe dava passagem, tentava intimidar o grupo de encarnados presente à reunião mediúnica, dizendo: "Eu sei da vida de todos vocês, nada me escapa. Eu entro no pensamento de todos e sei o que cada um está pensando nesse momento..."

Diante da pretensa sabedoria que o irmão dava a entender que possuía, o dirigente do trabalho mediúnico deixou que fluísse a sua fala em tom de ameaças dirigidas ao grupo. Até que num determinado momento interrompeu-o com uma voz firme e questionadora, dizendo: "E de ti, meu irmão, o que sabes?" E continuou a sua fala: "Tu pareces saber da vida de todos que estão aqui. Mas e a tua verdade interior, meu amigo, porque a negas há tanto tempo?"

Aparentando segurança, a resposta da entidade veio firme: "Trabalhamos em grupos, somos uma legião. Eles pedem para fazer, eu faço e divirto-me fazendo. Vocês deveriam nos agradecer pelo fato de estarmos informando-os do verdadeiro motivo de tal afastamento".

Retomando a linha de ação no diálogo estabelecido com a entidade, o dirigente argumenta: "Eles pedem? Mas e a tua liberdade, meu amigo, onde está? Dizes que fica à disposição de ordens superiores, mas e o teu livre arbítrio, a tua vontade onde está? Perdida no tempo, no passado que tu negas?"

O espírito comunicante reage à argumentação: "Aqui eu tenho liberdade, eu vou para onde eu quero...", finaliza. "Liberdade?", indaga o dirigente, e continua: "No entanto, somente és livre para obedecer ordens... isso consideras liberdade?"

Diante da hesitação na resposta, o dirigente segue a sua linha: "Tu, meu irmão, já foste um ser livre e já experimentastes esse sentimento de liberdade, embora não lembres dessa experiência. Desejas revivenciá-la?"

Demonstrando menos arrogância e lembrando a sua última vivência, o espírito responde através da médium: "Eu tive uma vida sem amor. Todos me abandonaram. Ninguém gostava de mim, por isso que agora faço isso, porque amor não existe..."

Chegado o momento oportuno, o dirigente, ao solicitar aos médiuns que elevem o pensamento no sentido da ajuda ao irmão, pede permissão à equipe espiritual presente ao trabalho, para que ele possa experienciar uma vivência em que fluira o sentimento de amor.

Uma mulher sorridente vêm ao seu encontro. Ele percebe a sua aproximação e, aos poucos, comovido, vai reconhecendo-a. Era a sua amorosa mãe de vivências passadas e o seu sentimento de amor fez com que ele fosse trazido àquela sessão mediúnica para o reencontro e para o seu necessário despertamento e acolhimento na Luz.

O que carregamos de mal resolvido internamente, invariavelmente, manifesta-se contra nós mesmos, seja nessa vida, em outra vida ou no plano espiritual. Porque o sentimento de maldade vêm a ser um mecanismo de defesa que, inconscientemente, adotamos por medo da verdade revelada sobre nós mesmos. E, muitas vezes, perdemos séculos, milênios nessa sintonia do medo da verdade, condição que, infelizmente, têm nos fixado em sentimentos inferiores que vêm prejudicando vida após vida a nossa evolução consciencial.

Disse o profeta Lucas (6:45): "A boca fala daquilo de que está cheio o coração". Portanto, os antagônicos sentimentos da maldade e do amor passam por esse processo que inicia-se no nosso interior e manifesta-se pelo pensamento e/ou pela boca. E o exercício desses sentimentos faz parte das nossas escolhas no cotidiano da vida.

Podemos fazer como fez Chico Xavier com humilde sabedoria ao ignorar a maldade alheia, ou podemos deixar fluir essa baixa sintonia ao fazer comentários da vida alheia que podem virar uma "bola de neve" que aumenta de volume conforme roda: "Acabei de saber, por uma amiga aqui do trabalho, que..."

As escolhas no presente são nossas... assim como serão de nossa inteira responsabilidade, as consequências futuras de tais escolhas. Pratiquemos, portanto, o sentimento de amor em nossas vidas. Não percamos mais tempo com as máscaras encobridoras da verdade que negamos. Sejamos livres para amar, porque plantando hoje, colheremos os saborosos frutos do amanhã!

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
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Curso de formação em Psicoterapia Interdimensional e Terapia Regressiva. Informações no site do autor.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 8/10/2007

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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com | Mais artigos.

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