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Educação dos filhos. Amar inclui se responsabilizar.



É interessante como a queixa de parte dos pais sobre a perda de controle na educação dos filhos tem se tornado muito acentuada. Tomam-se como principais culpados as instituições de ensino, professores, psicólogos, avós, televisão, amizades, etc. Notaram que dentre os culpados falta uma peça chave? Sim! Os próprios pais!

Essa reflexão me veio na última reunião da escola das crianças, quando foi solicitado aos pais, através da instituição de ensino, terem condutas firmes de educação para transformarmos os pequenos em futuros adultos equilibrados. A equipe gestora da escola notou, nos últimos tempos, um aumento de agressividade e falta de educação das crianças, assim como posturas negligentes na execução de tarefas propostas para casa.

As mães (aliás, alguns pais compareceram, mas em número ainda pequeno) reclamaram de sua incapacidade de imporem limites, regras e, então, relembraram a época em que havia mais respeito, algumas décadas atrás. Aí começaram a investigar os culpados por chegarmos hoje a esse ponto e, dentre os muitos, citaram os psicólogos, e até o Içami Tiba (Quem Ama Educa), pasmem! Isso porque ele se mostra contrário à punição física, como se esse fosse o foco do problema. Lembrei-me de uma citação de Nietzsche, bastante oportuna neste caso: “Não existem fatos, mas interpretações”. Tiba deixa bem claro a necessidade de impor limites para formarmos adultos saudáveis e também uma série de alternativas sem termos de recorrer à força, medida extrema. O uso da força é o coroamento do “fracasso” das alternativas diplomáticas de convencimento.

Eu poderia citar os demais culpados já enumerados anteriormente pelo “fracasso” da educação, mas presumo não ser necessário, pois o foco que pretendo abordar é bem mais simples. Quando buscamos os culpados pela educação de nossos filhos no ambiente ao redor, num contexto social e suas interações, estamos assumindo uma postura bastante escapista. Vamos ter em mente o seguinte: somos responsáveis diretos pela educação passada a nossos filhos! Devemos ter a coragem suficiente para assumirmos as vitórias ou fracassos sobre esse fato. Não há garantia nenhuma de sucesso, neste ou naquele método sobre o futuro, mas temos que assumir!

Notei nessa reunião que a possibilidade desses “fracassos” na educação foram jogados em todo contexto social, mas nunca sobre quem tem o dever claro de educar. Os pais! Se os filhos têm problemas devemos assumir o fracasso como pais, com coragem! Mudemos a conduta e vamos crescer junto com os pequenos. Na maioria das vezes em que as crianças precisam de psicólogos e a terapia acaba não resolvendo, são eles que fracassaram. Devíamos parar e refletir que provavelmente somos nós que precisamos da terapia. Mas o ego não permite que sejamos fracassados na criação dos filhos (aliás, em nada)... Dói muito... Imagina! O que iriam dizer?

Um sinal bem claro disso percebi quando de um conselho da mãe para a professora ao impor regras a seu filho: “Ele usa muito de chantagem, então, você precisa ser dura com ele. Diga que ele não ganhará coisas ao agir incorretamente. Eu fiz uma proposta a ele que só receberá dinheiro para a cantina se fizer isso, ou aquilo...” Notaram!?! Como acham que ele aprendeu o uso da chantagem?

Vamos ter consciência que agir corretamente não é um negócio, não se compra, mas uma necessidade para uma convivência satisfatória com nossos semelhantes. Agir corretamente também não garante a aceitação de nossa atitude por ninguém, muito menos que gostem de nós. Que fique claro! Mas temos que nos auto-aceitarmos, pagando o preço por nossas escolhas, assumindo nossa responsabilidade com resignação.

Ao educarmos nossas crianças devemos aprender a ensiná-los a agir corretamente através de nossa coerência. Elas lêem nossos comportamentos, nossas incoerências. Ao interagirem com as pessoas teremos reações positivas ou não, independentemente de nossa intenção que, a meu ver, esta sim é que precisa ser correta. Esse é o ponto a ser ensinado. Teremos vitórias e fracassos com isso naturalmente, mas cresceremos se estivermos perceptivos.

Então, não vamos delegar a outrem a responsabilidade de educar nossas crianças, que é nosso dever indiscutível. E ao assumirmos corajosamente as vitórias e fracassos sobre isso estaremos dando um passo humilde em nossas limitações, nos perdoando e nos permitindo uma reflexão mais qualitativa sobre o que significa ser pai. A partir daí, um mínimo de ações deve ser empregada, mas com um máximo de determinação para atingirmos o objetivo de educar. Isso estará caminhando ao lado de nosso amor incondicional de pais, abrindo caminhos e alternativas para melhorar a luz na vida desses nossos parceiros de evolução.

Abraços a todos!

Texto revisado por Cris
Publicado dia 4/5/2007

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