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ESPELHO, ESPELHO MEU...



Em nenhuma época se cultuou tanto o corpo como na atual. São cortes, recortes, enchimentos, repuxos, tudo para ficar dentro do “padrão” de estética que o sistema criou. O corpo é tratado com uma boneca de pano que se vira e desvira, retalha, aumenta, diminui, na expectativa e ânsia de se chegar naquela medida ideal. Aí a porta da felicidade se abrirá... e... seremos felizes para sempre! Porque as rugas incomodam tanto? Porque nos ocupamos tanto só com o exterior?

Vivemos a época dos excessos. Excesso para mais e para menos (diferente de escassez).
De um lado, o pelotão dos obesos que, por uma profunda carência afetiva, tentam compensar esse vazio pela boca. Do outro lado, os que não comem para ficarem dentro do “padrão” estético ditado pela mídia, não importa se para isso desenvolvem distúrbios alimentares como a bulimia e a anorexia. Importa ficar com aquela aparência de modelo. É a mesma carência tentando ser preenchida pelo outro extremo. É um "ninguém me ama" e um "me ama pelo amor de Deus"! O equilíbrio, esse coitado se perdeu, saiu de moda, é careta, que se dane!

Exterior é sempre efeito, interior é causa. Se um dia quisermos trazer o equilíbrio de volta, precisamos mexer no interior. Aí, a “retaliação”, os cortes e enchimentos são mais profundos. Precisamos fazer incisões no nosso pensamento e sistema de crenças. O pensamento é nosso ponto de partida para qualquer alteração pertinente, duradoura e verdadeiramente eficaz na cura da nossa ânsia por aceitação.

Sim, porque todo esse sacrifício que é impingido ao corpo e ao bolso para alcançar aquele “ideal” é simplesmente para ser amado, aceito pelo outro. Enquanto não acontecer o enamoramento por si mesmo, a auto-aceitação, a auto-aprovação e a auto-estima, a conquista do outro nunca poderá se efetivar. Simplesmente não fará efeito, não terá ressonância.

Você conhece alguém que já fez alguma intervenção corretiva estética no corpo, apenas uma, e tenha parado por aí? Eu não sei de nenhuma. Só se o fator financeiro não permitir. Sempre há mais uma, mais uma e mais uma...! Nunca está bom o suficiente.

Sou plenamente a favor do cuidado com o corpo, através de uma dieta balanceada, exercícios, algumas pequenas correções que causam desconforto e até correções para amenizar as marcas da idade, para quem isto incomoda. Mas falamos aqui de algo bem diferente: a grande maioria das pessoas que estão se “turbinando” estão abaixo dos trinta.

Mexer nos efeitos pouco servirá! Há que se trabalhar nas causas! Mas, quem quer? Isso não dá ibope, não faz virar celebridade instantânea, nem se conquista em poucos dias. É um processo para a vida toda, desafiante, com avanços e retrocessos, mas que traz para dentro do Ser, algo que nenhum cirurgião, esteticista, creme ou qualquer coisa do gênero poderá jamais proporcionar!

Enxergar através do véu das aparências só é permitido aos que aceitaram o desafio de aprender a pensar por si mesmos e fazerem suas escolhas a partir do seu próprio referencial interno.

O mito de Narciso, dentro das suas muitas versões, talvez tenha uma que nos foi ocultada, que é aquela onde ele ao admirar sua própria beleza não esteja apenas vendo o seu físico, mas o lago refletindo a beleza da sua alma, motivo do seu magnético fascínio.

Espelho, espelho meu... onde foi que a verdadeira beleza se perdeu?

Ethel Peisker
peisker@terra.com.br
www.quemsoueu.com.br

Texto revisado por Cris
Publicado dia 22/2/2007

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