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Faça a coisa certa



Acho interessante como ainda é predominante, na nossa cultura, a visão do Universo como composto de bem ou mal, certo ou errado. Possivelmente, ainda demore séculos para que uma nova perspectiva se torne senso comum. Ainda vamos ver por muito tempo pessoas procurando “a coisa certa” a fazer.
Tudo bem. É compreensível que procuremos alguma orientação externa para nos ajudar a decidir o que fazer, a encontrar uma perspectiva mais abrangente, mas, no final, não há realmente uma “coisa certa” a fazer que esteja codificada ou determinada em alguma regra absoluta ou em alguma autoridade exterior.

Na verdade, creio que o primeiro problema é a própria colocação da questão: entre “certo” ou “errado”, entre “bem” ou “mal”. Proponho, aqui, uma outra representação: podemos substituir a expressão “bem” ou “mal” pelas expressões “bem feito” ou “mal feito”. Assim, não existiria uma única forma correta de realizar algo, de viver, mas infinitas, indo desde as mais “bem feitas” até àquelas menos.
Percebe? Não se trata aqui, de seguir regras externas que definirão se somos “bons” ou “maus”, embora nós, mesmo que instintivamente tenhamos formado nossas personalidades tendo que aderir a um ou outro desses estereótipos. Assim, se fomos ensinados que determinadas atitudes “são boas” e nos identificamos como “bons”, nos sentimos compelidos a seguir essas regras, mesmo quando elas se mostram disfuncionais. Por outro lado, podemos ter escolhido sermos “maus”, o que nos obrigou a “não seguir essas regras”, mesmo quando fosse o melhor para nós.

Não somos bons nem maus... Essas identificações podem constituir um peso muito grande, principalmente se nossa referência externa de “bem” ou “mal” for muito disfuncional. E, não se espante, essas regras de “bem” ou “mal” podem ser muito estranhas, fazendo a pessoa acreditar que, para ser digna e feliz, precisa se comportar dessa ou daquela maneira, indo a detalhes absurdos tais como a forma de se vestir, que alimentos comer ou como deve ser rotina diária.

Está bem. Para muitas pessoas, pode ser o suficiente. Regras claras, precisas sobre o que fazer, sem ambigüidades, sem dúvidas, sem hesitações. Não questiono isso. Muitos precisam dessas limitações para viverem bem, saber o que fazer, pois, de outra forma não teriam condições de lidar com a imensa responsabilidade que ter um grau maior de liberdade e autonomia acarreta.
Porém, pelo que vejo, nem as pessoas, nem o Universo funcionam dessa forma. Uma pessoa, seguindo a mesma regra, pode se sentir feliz e realizada e produzir algo positivo, enquanto outra pode produzir um desastre para si própria e aos que convivem com ela.
Certamente que há uma ordem maior no Universo. Certamente que há leis, nele. Mas elas não nos dizem o que devemos ou não fazer... Isso compete à nossa consciência, ao nosso referencial interno. Somos livres, porém, estamos inevitavelmente ligados às conseqüências de nossas atitudes e ações.

E, quando falo que estamos ligados às conseqüências de nossos atos não o faço com um sentido moralista. Não é algo do tipo: fez o mal, recebe o mal... Mas sim, num sentido mais técnico: não compreendeu direito as leis naturais nem as condições a que estava submetido, não compreendeu bem suas próprias motivações e necessidades, agiu e produziu um resultado que não desejava. Sem julgamentos ou toda essa quantidade de atitudes de desaprovação ou aprovação que hoje fazem parte do senso comum.
Por exemplo, está claro, hoje para mim, que recebemos do Universo somente aquilo que damos... Há uma ligação entre todos nós. É mais profundo do que fazer o “bem” ou o “mal” para receber o “bem” ou o “mal”, mas sim, identificar o que queremos dar e receber da Vida. É a de saber qual é o nosso papel dentro desse Universo e dentro do contexto em que estamos inseridos. Isso não está em nenhum código, em nenhum livro. Cada pessoa tem sua diretriz única, seu próprio passado, seus erros, seus acertos, seus próprios recursos, suas próprias limitações e oportunidades.
Assim, ao invés de procurarmos pelo “certo” ou “errado” de uma situação, podemos, procurar entender qual é o contexto maior em que ela se insere e qual o papel que podemos exercer nela.
Quando entendemos que infalivelmente, recebemos o retorno daquilo que damos, tentamos ter a melhor atitude que conseguirmos, procuramos obter a perspectiva mais lúcida que formos capazes, agimos da forma mais eficiente e habilidosa que pudermos. Não porque seja o “certo”, mas porque é natural que trabalhemos a favor de nossa própria felicidade.

Texto revisado por: Cris
Publicado dia 27/5/2007

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