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FESTIVAL DE SÍMBOLOS



Todo fim de ano temos uma avalanche de verdes e vermelhos, dourados e brilhos, luzes e sons, comidas e bebidas, saudades e encontros, perdões e choros. Em seguida desmontamos tudo e refazemos o cenário. Logo após temos fogos e champanhes, cor branca e roupa nova, festa e glamour, abraços e beijos, sonhos e desejos de uma vida melhor!

Não vamos considerar os atropelos, desilusões, cancelamentos, dívidas, desencontros, dores diversas, longas viagens, crianças com medo de figuras estranhas, bebês acordando com fogos, solão de 40 graus e muitas tempestades! Fazemos tudo parecer normal, que é só mais um ano. Vamos nos gerenciando e rogando aos céus paciência conosco e com os demais! Os excessos, nem vou comentar!

Mas, nessas datas muito especiais há um imenso incomodo dentro de nós: é como se o despertador de um certo monstro tivesse tocado! Existe a sensação de que algo muito expressivo está para acontecer! Há um frio na espinha, quase um passeio de montanha russa no escuro. Prazer e medo! Sabemos que haverá muita festa, muita emoção e muita novidade. Será isso? Nos anos passados, muitas surpresas e contratempos, nem tudo saiu como queríamos, se é que sabíamos como queríamos... que tivesse sido! Ou será isso? Que loucura, seria melhor contar só com o inesperado, é mais seguro!

Apesar da fase muito estranha, não paramos para senti-la. Sentir? O quê? Nem sabemos o que é! Será que ainda sabemos sentir? A última vez, acho que foi quando éramos crianças e nosso presente foi dado ao nosso vizinho. Juramos não passar por isso novamente, melhor controlar tudo, do princípio ao fim. Não podemos nem mais correr esses riscos, ora!

Mantemos as borboletas no estômago e vamos tentando chegar ao ponto! Ocupamos-nos com as centenas de ocorrências e animadamente saímos em busca dos presentes e dos festejos.

Dentro de nós há um alfabeto interno impressionante, maravilhoso e rico, um mundo de símbolos. Para cada coisa há um significado, para cada significado uma emoção, para cada emoção uma vivência.

Fico me perguntando por meus símbolos! Onde foi parar minha neve simbólica neste fim de ano tropical? Aquela que eu precisava prá tirar a cor de tudo que já existia e ver que acima disso posso renascer magnificamente depois que beber a água de seu degelo... Preciso parar tudo, fazer melhor foco nesta paisagem insólita e vê-la numa grande figura!

No meio de muita transformação debaixo da nova estação, há uma vida deixando de existir para que outra renasça. O frio e o isolamento que uma camada de neve causa na vegetação, nos contornos e na vida que por ali passou, estão nesta hora se desligando para apagar todos os acontecimentos que ficaram para trás. Os ciclos da natureza são absurdamente justos!

Muitos de nós nos sentimos tristes e pesarosos nessas datas espetaculosas. Não sabemos que estamos nos despedindo de algo e resistimos internamente a esta troca de pele, de folhas, de cor... saímos numa corrida frenética para o mundo de afazeres que nos tira da sensação de afastamento. Nem as chuvas torrenciais que divinamente lavam nossa alma nesta época, tentando nos trazer prá dentro de nossa morada, podem nos livrar desse calvário auto-imposto!

Vamos onde a multidão se aglomera e enfilera, pode ser qualquer lugar, pois lá está ela! Ocupamos todos os espaços como se buscássemos abrigo, na tentativa de formarmos uma nova união. Tecemos uma bandeira de primeiros socorros com nossos presentes, na tentativa de fazer o outro não se sentir mal por suas perdas e, assim, se todos fizerem o mesmo, poderemos estar salvos através da alegria compartilhada! Alguns chamam isso de materialismo, mas pode ser solidariedade!

Podemos, sim, através de um marco, um ritual, a sós ou com pessoas, ultrapassar este portal para a vida nova. Nosso pinheirinho verde será a vida que renasce, as flores, frutas e fitas que o adornam serão as bençãos, as luzes a esperança, a ceia a comunhão entre todos e o Cosmo.

Com tantos presentes trocados, muitos foram ganhos e a cada um damos um valor, um significado... nos sentimos mais coloridos novamente, nos sentimos valorizados, mais significantes e mais amados, afinal! Ganhamos a chance de trilhar nosso presente com novas energias, ganhamos do invisível - do desconhecido morador do extremo norte, quase lá no céu – através desse presente, uma certeza de que somos bons, somos dignos de confiança porque somos especiais, somos divinos e capazes de tudo! Ganhamos o senso de pertencer! Recobramos o sentido da vida!

Passado o momento da surpresa vem uma ressaca ou nossa alma se aquieta, é como se a morte na neve tivesse ganho o final feliz! Passamos um bom tempo com essa conexão interna nos dando sinais, ligados à Fonte que tudo provê, nos sentimos amados e esperançosos. Pensamos até que foram os encontros, os abraços, os festejos, os prazeres da vida... e é verdade, porque isso também são presentes em forma de conquistas pessoais.

Vamos mergulhar nesta louca experiência que é viver! Quanto mais tivermos a certeza de que “tudo passa” mais viveremos nossos presentes e nossa jóia interior para assim darmos lugar a novos renascimentos com abertura, imitando a natureza sábia que tudo transforma em festa.


Imagem: Internet/Inês Bastos

Texto revisado por Cris


Publicado dia 10/12/2007

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