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Hassidismo: aspectos básicos

por Marcos Spagnuolo Souza

Publicado dia 10/2/2008 em Autoconhecimento

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Autoconsciência

Um homem perguntou a um místico: "Como se explica que Deus, sendo onisciente e onipresente, precisasse perguntar a Adão onde ele está? Será que Deus realmente não sabia?" Disse-lhe Rabi Shneur Zalman: "Deus perguntou a Adão Onde estás? não porque não o soubesse. Deus queria que Adão tomasse consciência de onde ele estava, agora, depois de ter cometido a transgressão. E essa pergunta não vale só para Adão ela vale para cada um de nós, ao longo de toda a nossa vida e ao longo de todas as gerações."

Cada ser humano é Adão e a cada ser humano Deus pergunta “Onde estás?”. Deus não quer saber algo do homem, Ele quer causar algo no homem. Deus quer que o ser humano tenha consciência por si mesmo da existência separada do divino. Mesmo que o homem tenha muitos sucessos, goze inúmeros prazeres, alcance poder, consiga feitos gigantescos a sua vida fica sem caminho enquanto ele não se entrega à Voz de Deus.

Na sociedade massificada a grande maioria das pessoas só em raros momentos sente com plena consciência que não está realizando a sua própria existência. As buscas desesperadas de satisfações superficiais revelam a presença constante do sentimento da falta da realização espiritual. Nas constantes buscas de satisfações materiais o ser humano sempre vai mais longe da realização espiritual e não se sabe onde vai parar.

O Caminho Específico

Uma pessoa perguntou ao seu Mestre: “Mostre-me o melhor caminho para servir a Deus”. O Mestre respondeu: “Não convém dizer ao homem qual o caminho que deve tomar. Pois existe um caminho de servir a Deus através da doutrina, outro através da oração, ou do jejum ou ainda através do comer. Cada um deve atentar para qual caminho puxa a sua própria consciência, em seguida, deve escolher esse com toda sua força”.

O caminho do homem não é o mesmo nem para todos, nem para alguns. O caminho é absolutamente individual. Cada ser humano possui a sua própria missão, missão única, algo sério, algo único. Quando um ser humano imita o caminho do outro ele não realiza a si mesmo e nem alcança a meta do outro. Ninguém pode servir de exemplo por mais grandioso e santificado que seja. Ninguém pode indicar um caminho para o outro. Os Mestres apenas mostram o objetivo a ser atingido, mostram que Deus pode ser encontrado. Por mais insignificante que seja aquilo que conseguimos comparado com as ações dos patriarcas, todavia tem valor, pois o obtivemos por conta da nossa própria maneira de ser e por nossa força. Todos os seres são desiguais em suas essências sendo impossível querer igualar os seres humanos.

Buscar o caminho significa procurar o próprio caminho. Conhecer o próprio caminho é necessário conhecer sua própria essência, conhecer as propriedades e tendências que nos caracterizam. Cada ser humano está no mundo para encontrar o que é valioso para a sua própria essência. O encontrar o que é valioso para nossa essência somente é possível quando tomamos consciência do impulso que movimenta a nossa própria essência, o nosso ser mais íntimo.

Não é o sujeito que decide sobre o como alcançar a própria realização espiritual. Ele só vai alcançá-la quando ele corresponde a algo fora de si, mas destinado a ele. Não é questão de escolher livremente o caminho, mas de encontrá-lo, pois ele já está pronto, foi elaborado por Deus.

O homem está no mundo, mergulhado nos desejos mundanos e a ascese coloca o homem em contato com Deus, o que faz surgir um novo homem; o novo homem santificado livre da escravidão do mundo, tendo vencido o mundo e a morte volta novamente ao mundo para um encontro santificado com o mundo.

Determinação

Um discípulo de um Mestre jejuava durante os sete dias da semana. Na tarde da sexta-feira foi tomado por uma sede cruel. Viu um poço e foi lá tomar água. Chegando à margem do poço desistiu de tomar água, pois iria quebrar o seu jejum. Ele não bebeu e se afastou do poço. Sentiu orgulho por causa da dura provação que venceu. Quando atentou que sentiu orgulho por não ter bebido a água voltou ao poço, pois seria melhor beber a água do que se sentir orgulhoso.

Observamos uma luta interior entre a necessidade do corpo e a alma não ceder ao orgulho. O discípulo não foi amigo da ascese. O jejum praticado visava atingir um degrau superior, caminho que possui uma fase inicial e momentos críticos do desenvolvimento pessoal. A censura está no constante avançar e recuar; o vai-e-vem, o aspecto do avançar, recuar, avançar e recuar é o aspecto grave no percorrer o caminho da ascese. Avançar e recuar é um trabalho de retalho. A ascese exige o trabalho de uma só forma, o trabalho da alma unificada. O trabalho de avançar e recuar é o resultado de uma alma complicada, contraditória. O ato de avançar e recuar é próprio da alma perturbada. Durante o caminho não se consegue a unificação da alma, a unificação da alma tem que ser trabalhada antes de iniciar o caminho. A unificação da alma deve ter início antes de uma obra extraordinária. Um fracasso, uma falsa vitória não contribui para a unificação da alma. Só obras condizentes com o estado da alma permitem progresso.

Existem vários níveis de unificação da alma, pois, quanto maior é a unificação maior é a relação com o divino. Existe um caminho gradativo de unificação e o ser humano tem que buscar ou zelar pela coerência do estado da alma. Sabemos que a ascese é livrar da escravidão do mundo exigindo um constante desligamento do mundo em etapas constantes. O que é criticado é justamente o constante desligar e ligar novamente ao mundo. Unificação da alma é a determinação em seguir um caminho sempre em frente, mesmo que seja com passos lentos e vagarosos.

Começar Consigo

Ter consciência de que toda problemática externa existe devido a uma problemática interna. Todo conflito possui origem no próprio interior da pessoa. O conflito existe pela desarmonia entre pensamento, palavra e ação: não fala o que pensa e não faz o que fala e não pensa no que faz. O ser humano está desagregado, está desarmônico consigo mesmo, precisa criar ordem dentro de si mesmo, procurar superar o conflito interior.

O ser humano não deve acusar ninguém pelos conflitos, não jogar as culpas nas circunstâncias, mas identificar sua parcela de contribuição no conflito que está na falta de coerência interna e sanar a falta de coerência antes de voltar para o convívio. O ser humano que não consegue harmonia interior torna-se necessariamente ridículo. O ser humano precisa encontrar a sua essência, a sua essência profunda.

O começo para sanar todos os conflitos depende unicamente de iniciar um trabalho de busca da essência interior e nesse momento não precisa se preocupar com nada no mundo a não ser com esse começo. Tudo depende da própria pessoa, da vontade de fazer a grande virada que é se pôr em ordem.

Referências bibliográficas no final da série de artigos sobre Hassidismo.

Texto revisado por Cris

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