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Hipocondria... mania de doença



O hipocondríaco chega ao consultório médico com uma longa lista de sintomas e dos remédios que toma, quase sempre por indicação de vizinhos, amigos ou divulgados pela mídia. Arrisca alguns diagnósticos antes da conclusão do especialista e não vai embora sem uma receita médica. Afinal, a receita é a maior prova de que ele estava certo ao acreditar que tinha alguma doença.

Frequentador assíduo de farmácias, clínicas e hospitais, sua literatura predileta é a bula e, com a maior sem-cerimônia, o hipocondríaco costuma se automedicar. Ele tem mania de doença e uma preocupação excessiva com a própria saúde. Não raro, guarda em si uma tristeza e uma melancolia tão profundas que esbarram na depressão. São pessoas que acumulam muita informação técnica sobre diversos remédios e gostam de experimentar tudo o que é novo.

Na verdade, não há uma definição categórica para o termo hipocondria, mas os hipocondríacos ficaram assim conhecidos por localizarem, geralmente, nos hipocôndrios as queixas de algum tipo de dor. Logo abaixo do diafragma, no abdome, temos duas regiões denominadas hipocôndrio direito e esquerdo. Do lado direito estão o fígado, a vesícula biliar e a cabeça do pâncreas. Do lado esquerdo ficam o baço e o estômago. Juntos, esses órgãos constituem o que os cientistas chamam de hipocôndrio. “Dói aqui, doutor”, diziam muitos deles, circundando com a mão, toda essa região abaixo das “cartilagens que compõem os arcos costais”. Os terapeutas identificam essa região como o plexo solar, um centro de força, de circulação de energia do organismo, cuja irradiação dourada comanda as fortes emoções e influencia nossas intenções em relação à própria saúde.

Mas de onde vem essa mania de ir frequentemente ao consultório ou, pior ainda, tomar remédios por conta própria e sem necessidade? As razões, via de regra, estão em nossa mente. Ao mesmo tempo que ajuda a promover a cura e manter o organismo afastado de diversos males, a mente humana pode também levar uma pessoa a adoecer.

É na mente que se adulteram nossos pensamentos, que nascem as ilusões, que reina a imaginação e crescem as idéias fantasmagóricas. Entre elas, a possibilidade de se estar doente ou em vias de ficar, caso não se recorra rapidinho a um medicamento. E as opções são tantas e tão tentadoras! As embalagens muitas vezes seduzem, a mídia reforça sua eficácia, divulgando o impacto inicial do alívio que analgésicos, antigripais, anti-ácidos, descongestionantes ou remédios hepáticos propiciam. A automedicação é mestra em tornar uma pessoa, já fragilizada, dependente de substâncias químicas ou desencadear doenças que poderiam ser evitadas.

O problema da hipocondria pode começar na esquina de casa, devido à falta de seriedade de algumas farmácias alopáticas. Atitude sintomática é a empurroterapia, tática de empurrar diferentes marcas de medicamentos para os consumidores que barganham facilmente sua indisposição por comprimidos e outras drogas desnecessárias e, não raro, inadequadas. Há ainda os medicamentos amplamente anunciados na mídia. Geralmente são laxantes, emagrecedores, digestivos e expectorantes.

As causas da hipocondria vão desde um trauma ou susto até outros fatores emocionais como carência, ansiedade, insegurança e baixa auto-estima. O ambiente também influi. Entre as emoções, pensamentos e fantasmas que povoam nosso plano mental, um deles acaba sendo forte atrativo de doenças: o medo de ficar doente.

Cuidar da saúde é, com todo o direito de parecer redundante, uma atitude saudável. O que não se torna adequada é a preocupação excessiva que leva ao medo de ficar doente. Afinal, “tudo o que é demais, é doença”. Nesse sentido, sejamos razoáveis. Se a pessoa está se queixando demais de sintomas cujas causas os médicos não identificam nem através de exames laboratoriais, algo anda errado com ela. E com certeza, idéias mórbidas povoam sua mente.

O hipocondríaco é, sem dúvida, um exagerado. Não só por sua imaginação fértil, que enxerga o mal onde ele não existe, mas porque abusa também dos remédios que acredita capazes de resolver todos os seus males. Dia a dia não mede as doses de analgésicos ou anti-ácidos que toma para sedar suas dores ou com a ilusão de manter-se afastado de prováveis enfermidades. Sem noção ele se entope de vitaminas contra gripes ou estresse da mesma forma que pode incluir em seu cotidiano o uso de Aspirina para prevenir colapsos cardíacos. Tudo isso, claro, sem orientação médica.

Cuidar dos males da alma é, sem dúvida, a melhor saída. Conhecer-se é ainda o melhor remédio. Sabe-se que as razões da hipocondria são muito mais profundas do que os sintomas físicos dos quais o hipocondríaco se queixa. Além de distúrbios psicológicos a pessoa que tem mania de doença pode ter desenvolvido uma espécie de hipocondria crônica, por causa de uma outra mania: a de se queixar de suas dores, um hábito que se intensifica ao longo da vida.

O hipocondríaco é muito bem informado sobre doenças, sintomas e remédios, mas conhece pouco de si mesmo. Ele tem uma grande dificuldade de entrar em contato consigo. Está sempre procurando fora a própria cura. Transferir para o corpo a dor que sente na alma pode ser uma forma de tornar mais acessível o tratamento de algo que está contido e que ele não consegue acessar. Ele recorre ao remédio como quem espera um milagre, algo que possa tirá-lo do sofrimento ou impedi-lo de sofrer. Sua angústia, sua dor, seus sintomas podem estar sinalizando a necessidade dele se autoconhecer, de buscar dentro de si as verdadeiras causas de seus males.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 3/7/2007

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Autor: Maria Isabel de Oliveira   
Maria Isabel de Oliveira tem formação em Cosmobiologia e Naturopatia, especialização em Fitoenergética e pós-graduação em Análise Bioenergética.
E-mail: marybelterapeuta@gmail.com | Mais artigos.

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