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Ilusão e desilusão

Atualizado dia 9/12/2014 10:01:59 PM em Autoconhecimento
por Adriana Garibaldi


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Na inclinação que temos em nos iludir encontra-se implícita a consequente decepção.
Não existe frustração sem que antes não tenhamos uma propensão natural a fantasiarmos a realidade, projetando nela aquilo que queremos acreditar.
Se num certo ponto isso pode se mostrar positivo, no sentido de criar as condições internas que alimentam a nossa criatividade , como toda ilusão , mais o menos dia transformar-se-a em desilusão.
Desilusão é o resultado inevitável, quando adentramos num processo de cegueira emocional.

Os outros são o que são, e nada podemos fazer a respeito disso, a não ser aprendermos a olhar o mundo a partir de una perspectiva mais realista.

Criamos inconscientemente a ideia de termos um poder sobrenatural de transformar água em vinho, ou em azeite.
Puro engano, puro delírio da mente que costuma nos fazer embarcar na canoa furada das fantasias e nos condicionamos a acreditar nisso por pura carência, numa atitude impiedosa para conosco.
Não nos amamos o suficiente e imaginamos que o outro tem o poder de fazer isso por nós, o poder de preencher as nossas lacunas de amor, amor que somos incapazes de dar a nós mesmos.

Imaginamos o outro quase como um semi-deus com a obrigação de nos resgatar de todos nossos infernos e demônios, mas, ele não pode, mesmo que queira, porque tanto quanto nós, carrega suas dores e seus próprios traumas a serem resolvidos.
Mas a gente se ilude, quer acreditar a todo custo num milagre que nunca irá acontecer, e sofremos por isso, muitas vezes desnecessariamente, impunemente.

Aí, ficamos revoltados, ansiosos, embarcando nos infinitos porquês. Por que isso? Por que aquilo? Por que comigo? Por que sempre comigo?
Perguntas e mais perguntas as quais nunca seremos capazes de responder.
O melhor nesse ponto seria sairmos dos porquês e nos concentrarmos em nós COMO. Como chegamos nessa situação e principalmente como sair dela. Onde teve início Isso tudo? Onde foi concebido? Cuando que começamos a embarcar na fantasia, na autossugestão, na projeção? e principalmente, como fazer para nos afastar?
Perceber em que momento começamos a criar em nossa mente uma realidade paralela, fabricando histórias a respeito do outro, idealizado-o.

Tem uma frase muito boa que diz: O início do problema é o começo da solução.
Precisamos meditar a respeito de qual foi o início . Em qual momento começamos a nos afastar da realidade e nos afundamos na fantasia?

O pior é que quanto menos conhecermos a pessoa, quanto mais ele representar um mistério insondável, mais o campo da imaginação fica propenso a se perder nas suas criações indesejadas. Então, projetamos nele as nossas carências, vivendo no faz-de-conta das ilusões, imaginando que o irreal pode vir a se transformar em algo real um dia, como passe de mágica.
A desilusão chega e derruba impiedosamente a torre construida tijolo a tijolo pelos nossos desejos inconscientes, como refletido no Arcano Dezesseis do Tarô (a Torre): Um raio fulminante que destrói todas as nossas construções mentais e emocionais e nos lança para fora do castelo das ilusões criadas.

Sem dúvida, um momento de grande dor, mas também de libertação e de consciência.

A lâmina da Torre nos mostra a fragilidade de tudo aquilo que pode ser fabricado no mundo da mente.
Mostra que quando não somos capazes de olhar com clareza para as nossos processos mentais, a vida nos obriga a fazê-lo, devendo enfrentar a destruição inevitável das ilusões de uma forma contundente.

Sem dúvida nos movemos num universo subjetivo, as nossas marcas mentais e inclinações  funcionam como um molde de comportamento e de crenças.
Muitas vezes, somos incapazes de ver sem interpor entre a realidade e nós um amontoado de paradigmas e visões individuais e irreais, crenças que funcionam como capas e mais capas que cobrem os nossos olhos impedindo-nos de ver com clareza aquilo que se mostra de forma escancarada a nossa frente, mas nos negamos a ver, imaginando com isso nos proteger da realidade que nos parece cruel e inaceitável.
Queremos que as coisas sejam de uma forma, mas elas são de outro jeito.
Chega um momento em que um raio nos fulmina e nos liberta, é  quando o filme da nossa própria autoria, que estivéramos projetando no outro pára de girar, a realidade vem à tona de forma a enxergar o outro como ele é na realidade.
Observándo com certo cuidado veríamos que ele sempre tem se mostrado da mesma maneira, mas infelizmente fôramos incapazes de vê-lo, enganando-nos e construindo uma realidade superposta a verdadeira realidade.

Às vezes, até casamos com alguém, nutrindo a ilusão tola de mudar a outra pessoa, como querendo transformar água em vinho. Queremos que ela corresponda a nossos desejos, ao que vai nas nossas mentes e, quando isso não acontece, fazemos de conta que aconteceu na realidade, criando uma ilusão e até nos apaixonando pela ilusão criado, mas,  o processo da Torre, mais dia ou menos dia chega até nossas vidas e joga por terra tudo aquilo que foi criado , e aí a decepção se faz presente, tanto quanto a dor que nos machuca e a tristeza que nos fere.

Nesse ponto, somente nos resta uma saída, chorar até que as lágrimas tenham o poder curativo de limpar os detritos acumulados das ilusões, libertando a nossa alma para empreendermos o caminho de regreso à realidade, onde possamos construir novos e renovados alicerces de vida através da consciência das experiências mal-sucedidas.

 

 

 

 

 


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