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Liberte-se, Ricardo!

por Flávio Bastos

Publicado dia 20/5/2008 em Autoconhecimento

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Durões e insensíveis, como representavam ser os cavaleiros medievais, Ricardo simbolizava o que muitos de nós somos à medida que começamos vestir a armadura de ferro que bloqueia a passagem do que precisa sair do nosso interior e do que necessita entrar para que ocorram as mudanças que acrescentarão em autoconhecimento e qualidade de vida.

Ricardo "o coração de leão", era mais um "cavaleiro medieval" perdido no tempo. Suas incógnitas existenciais e emocionais, sua mágoa, raiva e dissimulado ódio, haviam construído em volta de si, um sistema de auto-defesa anti-tudo, inclusive, anti-amor. Observava a vida por detrás do capacete de ferro que o mantinha vigilante e protegido contra impressões ou sentimentos suspeitos que pudessem mexer com a sua sensibilidade humana.

Nas sessões de psicoterapia interdimensional, como um narcisista clássico, era refratário, pois via na figura do psicoterapeuta à sua frente, um espelho cuja "auto-imagem" refletida deveria ser motivo de constante luta para poder superá-lo... superando-se a si mesmo. E essa constante motivação para a luta e necessidade de auto-afirmação revelava o terrível medo que, inconscientemente, Ricardo tinha de sentir-se desprotegido de sua armadura de ferro. Situação que mostraria as origens dos inconscientes mecanismos de sua insegurança psicológica.

Depois de algum tempo de infrutíferas tentativas - porque Ricardo jogava um jogo de xadrez com o processo terapêutico, à medida que às vezes mostrava-se na defensiva e outras na ofensiva - conseguimos finalmente, agendar uma experiência regressiva. Porém, o cavaleiro medieval resistia e, no dia marcado não apareceu. Ligou no outro dia alegando contratempo. Marcamos outra data, também não compareceu alegando uma indisposição estomacal. A resistência era muita, pois inteligente como era, sabia que a experiência poderia desvendar "mistérios" que ele pressentia mas que não revelava na psicoterapia.

Marcamos a terceira data para quando terminasse o segundo tratamento floral, fórmula preparada à base de essências florais cuidadosamente elaborada para trabalhar sutilmente suas embotadas emoções, sentimentos e os mais arraigados pensamentos.

Esperei que a iniciativa de ligar sugerindo a nova data fosse dele. Após três semanas de terapia floral Ricardo ligou e marcamos nova data. No dia agendado, dez minutos antes do horário, ele já se encontrava na sala de espera do consultório. Aparentava calma e "resignação". O floral associado ao processo psicoterápico até aquele momento crucial haviam trabalhado, unidos, para que Ricardo chegasse à decisão de enfrentar a experiência regressiva.

Inicia-se a regressão. Após dez minutos de absoluto silêncio, Ricardo começa, aos poucos, a contrair os músculos da face. Com o passar dos minutos as contrações vão generalizando-se e, de repente, ele contrai todo o corpo como tentando se libertar de algo que o sufoca e impede seus movimentos. Via-se num campo de batalha. Observava seu corpo caído no chão e coberto por uma armadura de ferro. No entanto, fora do corpo, sentia-se ainda vestindo aquela pesada armadura medieval.

Percebia que seus companheiros de luta, à medida que o viam caído, começavam a bater em retirada do cenário de batalha. Começou a sentir-se abandonado, inseguro e com medo. Estava só e um pavor da morte envolveu-lhe impiedosamente. Encontrava-se despreparado para aceitá-la, pois na verdade nunca acreditara que um cavaleiro de sua estirpe, orgulhoso comandante de exércitos, fosse tombar da forma como tombou na frente de seus comandados.

COMENTÁRIO

O ser que encontra-se com a alma livre do pesado fardo da existência sente-se leve para alçar vôos mais altos em busca do processo do autoconhecimento.

Não era o caso de Ricardo, uma vez que sintonizado naquela vida em que fora um comandante militar de expressão, custou a perceber e aceitar - em função do "peso" de seu espírito alicerçado no orgulho, na vaidade e no sentimento de ódio mortal contra seus inimigos - que morrera vitimado pelo próprio ódio que gerara. Rancor, raiva e incredulidade que ainda conservava atrás da armadura de ferro pela qual continuava a observar na vida atual seus inimigos em potencial... Nesse contexto, o diagnóstico de "narcisismo paranóide" é apenas uma distante referência perdida em uma nomenclatura técnica que somente fará sentido se penetrarmos através da experiência regressiva nas verdadeiras motivações geradoras da atual patologia.

O importante para Ricardo é que ele começa a perceber o real significado de sua armadura e, acima de tudo, porque esteve até a pouco tempo olhando a vida passar de dentro dela.

Libertar-se de sua rigidez vital será, a partir de agora, o maior desafio da vida de Ricardo. E para que isso ocorra, a retirada de sua armadura será a sua mais significativa e definitiva vitória.

O verdadeiro nome da pessoa foi preservado.

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
flaviobastos

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com
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