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Machu Picchu: uma jornada rumo ao autoconhecimento


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Ajustei a mochila nos meus ombros, criei coragem e desci do trem. Por alguns minutos fiquei parada, entre trilhos e mochileiros, sem saber ao certo o que eu enfrentaria nos próximos cinco dias. O trem apitou e lá se foi a minha última chance de desistir de andar até Machu Picchu. Uma placa enferrujada na entrada da ponte sobre o Rio Urubamba marcava o km 88. O sol tentava sair por detrás das nuvens, iluminando a aparência ansiosa dos meus companheiros de aventura. Ninguém falava nada.

Um rapaz de estatura média, pele morena queimada do sol e roupas bem coloridas se aproximou, quebrando o silêncio. Ele se apresentou como sendo Jesus, responsável por nos conduzir até o santuário. O nome dele me fez pensar em rezar antes de dar meu primeiro passo na trilha. Com dificuldade para falar em português, ele mantinha um olhar penetrante, emitindo confiança, e em um gesto com a mão pediu atenção, entregando um punhado de folhas de coca para cada um do grupo. Convencida que era para mastigar com o intuito de ajudar na subida à montanha, quase me engasguei quando escutei:

 — É uma oferenda para a grande mãe Terra Pachamama — disse Jesus, em voz cerimoniosa. — Vocês devem jogar essas folhas ao cruzar a ponte, agradecendo a oportunidade de estar aqui. Peçam energia para vencer o percurso de 45 km.

Iniciei a travessia da ponte com o coração batendo forte, como se uma força maior estivesse agora no comando. Parei na metade para olhar a correnteza das águas azuladas do rio. Acho que devo ter ficado ali mais tempo do que eu deveria porque, de repente, me vi sozinha, com algumas folhas na mão que escaparam da minha boca. Fechei os olhos e terminei o ritual.

Já do outro lado da ponte, corri para alcançar o grupo. O cenário era magnífico, com um contraste de cores digno de registro com o auxílio de minha mais nova câmera fotográfica, equipamento profissional que sonhei muitos anos em adquirir. A cada passo, um visual admirável. Paramos em um sítio arqueológico chamado Llactapata. Lindos terraços podiam ser observados, um exemplo notável da arquitetura Inca. Aproveitei para tirar a mochila pesada dos ombros, enquanto escutava Jesus contar um pouco da história local.

— Os Incas se estabeleceram na região de Cusco — disse ele, se acomodando em uma pedra perto de um riacho. — Eles formaram uma civilização interessante, com habilidades artísticas, conhecimentos de arquitetura e agricultura. Foram, também, muito organizados, conquistando uma boa parte do Peru, Equador, Bolívia, norte do Chile e Argentina. Por volta do século XV, com o imperador Pachacuti Yupanqui, eles dominaram a região entre as montanhas andinas e as planícies do litoral do Pacífico, formando um grande império. Alcançaram grande progresso, mas duraram apenas cem anos. Logo depois que o novo rei Atahualpa tomou o poder, em 1532, um pequeno e bem armado exército espanhol invadiu e destruiu tudo o que eles tinham construídos.

Depois de uma pausa, continuou: — A história da conquista Inca é uma das mais difíceis de acreditar. Para entender, é preciso conhecer um pouco das lendas locais. O rei Atahualpa quando viu os espanhóis, com o tom claro de pele e dos cabelos, acreditou que eles estavam chegando para cumprir uma antiga profecia sobre a volta de Viracocha, o profeta de longo cabelo e barba clara. Para Atahualpa, eles eram Incas verdadeiros, os Filhos do Sol. Todos ficaram pensativos.

Eu estava mais preocupada com o meu ombro que estava dolorido.

Trecho do livro “A Casa de Chá”, por Soraya Benevides, editora Chiado Books.


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Conteúdo desenvolvido por: Soraya Benevides   
Jornalista, instrutora de yoga e autora do livro "A Casa de Chá".
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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