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Um bom caminho na busca da tranquilidade

Um bom caminho na busca da tranquilidade

por Bernardino Nilton Nascimento

É muito importante, na vida, examinarmos os grandes interesses em torno dos quais se edifica o caráter e a sensibilidade. Mas, os pequenos interesses, que atrapalham as nossas horas de lazer, proporcionam uma expansão da tensão nervosa, causada por preocupações que podem mudar o rumo de nossas vidas.

A tensão nervosa e a incapacidade que temos de nos interessarmos por alguma coisa que não tenha importância prática podem nos causar infelicidade. Tudo isso pode ser causa ou efeito da importância que damos às coisas que não nos afetam diretamente. À medida que você se torna mais cansado, diminui seu interesse pelas coisas e à medida que esse interesse se dissipa você acaba ficando mais cansado. Esse círculo vicioso só poderá terminar num colapso nervoso ou numa depressão.

Um passo importante deve ser dado com a mente descansada, tranquila.Aqueles que, antes de tomar uma decisão, se aconselham com o seu bom e velho travesseiro, estão profundamente certos. Mas não é somente durante o sono que o processo do descanso mental atua. Podemos descansar a mente enquanto estamos entregues a outros afazeres. Ler um livro que não se relacione com as nossas atividades profissionais é uma distração muito prazerosa. Por mais importante que possa ser o motivo de sua preocupação, você não deve pensar no assunto durante suas horas de leitura. A meditação, a música, a dança, um filme, um passeio, ou mesmo uma conversa, onde o assunto não seja o do seu dia-a-dia de trabalho, são muito satisfatórios para estancar a tensão nervosa.

Em primeiro lugar, é bom ter uma visão verdadeira do mundo compatível com as atividades necessárias. Cada um de nós permanece no mundo durante um período de tempo não muito longo e, nesses poucos anos de vida temos que adquirir o conhecimento necessário deste estranho planeta e do lugar que ele ocupa no universo. Ignorar as oportunidades de conhecimento que nos apresentam, por mais imperfeitas que sejam, é o mesmo que ir ao cinema e não prestar atenção ao filme. O mundo está cheio de coisas trágicas ou cômicas, heróicas, bizarras ou surpreendentes, e aqueles que deixam de interessar-se pelo espetáculo que ele oferece, estão renunciando a um dos privilégios que a vida nos concede.

Em nossas vidas há um senso de proporção extraordinariamente valioso e, às vezes, bastante consolador. Somos inclinados a mostrarmo-nos indevidamente impressionados ante a importância do pequeno canto do mundo em que vivemos, bem como ante o breve espaço de tempo que vai do nosso nascimento à nossa morte.

Um dos defeitos da educação superior é dedicar demasiada atenção à aquisição de certas espécies de habilidades e pouquíssima atenção ao desenvolvimento espiritual, mediante uma análise imparcial do mundo. Deixamo-nos absorver, digamos, por uma disputa pessoal e trabalhamos arduamente para a vitória da nossa própria vaidade.

Até aqui, nada de mal. Mas poderá acontecer que, no decorrer de sua vida, se apresente alguma oportunidade de vitória que exija o emprego de métodos que, certamente, aumentarão o ódio, a violência e a dúvida da existência de uma energia superior. Se nossa visão mental é limitada, ou se agimos embriagados pela doutrina, para a qual a única coisa que importa é o que se costuma chamar “perfeição”, podemos ser vitoriosos em nossos propósitos imediatos, enquanto as consequências mais distantes poderão ser desastrosas. Se, ao contrário, tivermos vibrações positivas presentes em nossos pensamentos, estaremos prontos para qualquer emergência da vida. Se, tais pensamentos moldarem os nossos hábitos, perceberemos que as batalhas momentâneas que travamos não são tão preocupantes como achávamos. Nunca retrocedemos quando pensamos positivo..

Mais ainda, se formos derrotados em nosso empenho imediato, encontraremos apoio. Teremos, além de nossas atividades imediatas, objetivos distantes que se descortinam lentamente à nossa frente, para os quais não somos apenas indivíduos isolados, mas integrantes do grande exército daqueles que têm conduzido a humanidade rumo a uma existência civilizada.

Uma vez conseguida tal visão, uma felicidade profunda jamais nos abandonará, qualquer que seja o nosso destino pessoal. A vida transformar-se-á numa comunhão com os grandes de todas as épocas, e nossa morte pessoal não nos parecerá, senão, um acidente sem importância.

Se tivéssemos uma percepção viva do passado, compreenderíamos , lucidamente, que o futuro com toda probabilidade, será incalculavelmente mais longo do que ele, profundamente conscientes das particularidades deste planeta em que vivemos e do fato de que a vida neste planeta constitui apenas uma passagem, onde as ações do presente é que têm real valor. Diante de tais fatos, que tendem a ressaltar a importância de cada um de nós, um outro conjunto de fatores destinados a imprimir o espírito é a grandeza de que se é capaz, bem como o reconhecimento de que coisa alguma nas profundidades do Universo possui, para nós, igual valor do que esta oportunidade de estar vivendo neste planeta.
Não abandone esta grandiosa oportunidade de viver os prazeres da vida.

BNN

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Atualizado em 31/01/2009

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