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Mandalas terapêuticas


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Primórdios da arte

Carl Gustav Jung descobriu as mandalas em seus estudos das culturas orientais e popularizou o seu uso no ocidente como ferramenta terapêutica, pedindo que seus pacientes desenhassem sonhos ou situações conflituosas.

O símbolo da mandala existe entre nós desde os primórdios da humanidade em vários povos e civilizações, sempre ligada a motivos religiosos, mesmo que de forma bem simplificada. Se desejássemos saber de forma exata sobre o surgimento da mandala entre os homens, seria uma tarefa praticamente impossível. No ocidente, as mandalas aparecem como rosáceas das catedrais cristãs e também em rituais indígenas; no oriente, é usada como um recurso auxiliar para a meditação (Catarina, 2009; Fioravanti, 2007).

Quem popularizou a mandala no ocidente foi Carl Gustav Jung, que sistematizou seu uso clínico, passível de interpretação como ferramenta terapêutica. Todavia, Jung não foi o seu inventor, mas a descobriu em seus estudos das culturas orientais e dela fez uso terapêutico. Jung começou a usar alguns recursos artísticos como técnica terapêutica, pedindo que seus pacientes desenhassem sonhos ou situações conflituosas. Observou que um tema comum nestes desenhos era a forma circular, passando a chamá-los de mandalas e os interpretando como representações do inconsciente pessoal ou coletivo (Sei, 2011; Fincher, 1991; Jung, 2008). Ele também mantinha um diário com seus sonhos, pensamentos e desenhos e, sobre isso, diz:
 

 
 

Todas as manhãs, eu esboçava num caderno um pequeno desenho circular, uma mandala, que parecia corresponder à minha situação interior no momento... Só aos poucos fui descobrindo o que é propriamente a mandala: ... O Self, a totalidade da personalidade, que, se tudo vai bem, é harmonioso.” (Jung, citado por Fincher, 1991).
 
Na verdade, podemos dizer que todos nós fazemos um pouco do que Jung fazia. Por exemplo, sempre que estamos numa aula, reunião ou falando ao telefone distraidamente e desenhamos “rabiscos” abstratos num papel, estamos certamente fazendo mandalas que intentam compensar a nossa dispersão mental e nos ordenar internamente naquele momento. E se observarmos estes desenhos, vamos ver que a maioria possui formas geométricas simples, que as ancoram. Estas simples mandalas são como uma gentil proteção psíquica –não uma defesa– que não deixa que conteúdos perturbadores venham à tona numa hora inapropriada (Machado, 2012a).

Em seu artigo sobre mandalas, Jung conta que as pinturas de seus pacientes também variavam conforme o estágio do processo psicoterápico e que havia sempre um efeito benéfico e tranquilizador no ato de desenhá-las, pois estas atuavam diretamente no inconsciente através do seu conteúdo simbólico, ajudando na integração da personalidade e contribuindo para o processo de individuação. É como se houvesse uma nova ordenação e um novo centramento da personalidade naquele ato. E depois, com os desenhos prontos, eles ainda tinham significados para os pacientes, sendo um caminho para a evolução pessoal (Jung, 2008;Sei, 2011;Fincher, 1991). Logo Jung identificou que mandalas apareciam instintivamente também em sonhos, esculturas, na imaginação ativa ou em danças coreografadas, como sinal de que a individuação estava ocorrendo ou tentando compensar estados de crise e alavancar a cura. (Fincher, 1991; Machado, 2012a).

Neste sentido, a mandala é o arquétipo de um receptáculo que, de um lado delimita e compensa a perda de energia psíquica e, de outro, evita a fuga do ego diante de conteúdos inconscientes que tentam vir à tona. Jung também afirmava que, através das mandalas, o inconsciente se modifica, pois ela tem uma função protetora para o Self, estimulando a sua integração harmoniosa com a personalidade (Jung, 2008; Zacharias, 2007; Fincher, 1991). Ele usou a mandala para representar o Self, o ponto central da psique, a partir do qual se forma o ego, que dele faz parte e depende, sempre andando em torno deste Self em busca de ordem, orientação e significado.O Self organiza tudo à sua volta e emana energia para vir a ser a essência e promover a individuação (Jung, citado por Fincher, 1991).

A mais reconhecida estudiosa de mandalas terapêuticas até hoje foi Joan Kellogg, uma arteterapeuta que passou muitos anos pesquisando milhares de mandalas espontâneas de centenas de pacientes com o intuito de entender melhor a personalidade das pessoas que os criavam (Fincher, 1991). Para ela, o uso da mandala não precisa se restringir ao uso religioso ou terapêutico, mas “pode ser empregada como um caminho válido por si só, como um veículo para a autodescoberta [...] em direção ao Self, sem garantia de chegada, apenas com a esperança de eterna transformação” (Kellogg, citada por Fincher, 1991).

Desenvolvimento

Aprofundando o significado da palavra mandala, segundo o Dicionário dos Símbolos, ela provém do sânscrito e significa “círculo”. Decompondo a palavra, temos: “manda” = “essência” e “la” = “conteúdo”, podendo ser entendida como “o que contém a essência” ou “o círculo da essência”. A palavra ainda pode designar uma figura geométrica esquemática, sempre concêntrica, em que há um quadrado dentro de um círculo ou vice-versa, com ou sem subdivisões em múltiplos de quatro (Machado, 2012a).

A mandala é um símbolo e usar símbolos faz parte da natureza humana. Desde sempre o homem procura nestes símbolos, padrões para dar forma concreta ao subjetivo e intangível. Neste sentido, a mandala representa o mundo, a iluminação e a perfeição humana. O seu centro é o equivalente a Deus e tudo aquilo que está por trás da natureza visível; os símbolos em volta do centro o protegem e representam a humanidade e o mundo concreto e, o círculo externo simboliza a unidade e a completude (Porto, 2009; Jung, 2008). Mas, podemos nos perguntar, por que o círculo? Segundo Fincher(1991):

[...] Crescemos a partir de um pequenino ovo redondo, abrigado no útero de nossa mãe. Neste, somos circundados e firmemente apoiados num espaço esférico. Quando chega a hora de nascer, somos empurrados para baixo num canal tubular por uma série de músculos circulares e chegamos ao mundo através de uma abertura também circular.”
 

“Após o nascimento, encontramo-nos num planeta circular, que se movimenta numa órbita circular em torno do sol. Ancorados à Terra pela gravidade, não temos consciência de que estamos girando. No entanto, o nosso corpo sabe. Se olharmos ainda mais profundamente para o nível dos átomos que formam o nosso corpo, encontramos um outro universo onde os elementos rodopiam em padrões curvos. A experiência subliminar do movimento em círculos, como a memória do útero da mãe, está codificada em nosso corpo. Assim, estamos predispostos a reagir ao círculo. Compartilhamos esses fatos da vida humana com todos os outros seres da nossa espécie, sejam eles antigos ou modernos.

As formas circulares não param por ai, pois há estruturas circulares em construções antigas; as crianças brincam de roda e seus primeiros desenhos são tentativas de fazer círculos. Podemos entender que a experiência do círculo está em nosso corpo, ambiente e história. O círculo parece ser a disposição própria da natureza. Segundo Dibo (2006) “[...] podemos observar o padrão de mandala no caule de uma flor [...] quando aumentamos sua imagem mil vezes [...] e o padrão de mandala se repete no caule de um lírio, com aumento de cento e vinte vezes [...]”. É por isso que, ao trabalhar com mandalas, podemos vivenciar momentos de clareza em que os opostos de nossa personalidade se equilibram na consciência e experimentamos uma realidade de harmonia, paz e significado. Fincher (1991)afirma que:

Quando criamos uma mandala, geramos um símbolo pessoal que revela quem somos num dado momento. O círculo que desenhamos contém – e até atrai – partes conflitantes da nossa natureza. Mas, mesmo quando faz um conflito vir à tona, o ato de criar uma mandala produz uma inegável descarga de tensão. [...] O efeito tranquilizador de desenhar um círculo também pode ser causado por uma capacidade de servir como símbolo do espaço ocupado pelo nosso corpo. Desenhar um círculo talvez seja algo como desenhar uma linha protetora ao redor do espaço físico e psicológico que identificamos como nós mesmos.”

“[...] Quando fazemos uma criação espontânea de cor e forma dentro de um círculo, atraímos para nós a cura, a autodescoberta e a evolução pessoal. [...]”.

O trabalho com mandalas estimula a criatividade de quem o faz. Criatividade, do latim “creare”, significa “existência de algo”. Então, quem é criativo, produz algo, externa ou internamente, concreta ou subjetivamente. Criar significa compreender, relacionar, ordenar, configurar e dar forma nova a algo. Por isso, no ato criativo, podemos resolver questões nem sempre observáveis do lado de fora do sujeito(Lopes, 2012). Ostrower (citado por Lopes, 2012), deixa claro a relação entre a criatividade e o desenvolvimento pessoal:

 
 

Criar é basicamente formar. É poder dar forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo da atividade, trata-se nesse novo, de novas coerências que se estabelecem na mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar.”  

Saúde e cura

Para Carl Rogers, a criatividade está ligada à tendência de todo ser humano de procurar a saúde. Para ele, se o sujeito está aberto a experimentar ideias e emoções novas, sendo ele próprio o juiz de suas ações e emoções, ele está sendo criativo. Assim como Rogers, Maslow, também vê a criatividade como um ato da pessoa saudável para satisfazer suas necessidades básicas, havendo tanto mais criatividade quanto mais se está individuado. Segundo ele, na experiência criativa, a pessoa se sente livre de bloqueios e medos e se liga a potenciais curativos e de alargamento da consciência (Cury, 2006). Portanto, ao sermos criativos, rompemos barreiras e ousamos arriscar um risco necessário e estruturante, comunicando e integrando significados, dando um sentido novo ao ser. Deste modo, ser criativo não significa viver fora da realidade, mas recriar esta mesma realidade em novas dimensões mais elevadas, crescendo a cada recriação (Machado, 2012a).

Se a criatividade é importante, a arte, como um produto concreto da criatividade também o é, afinal, o ser humano faz arte desde a época das cavernas (Sei, 2011). E se a arte através dos tempos pode nos mostrar como é o homem de cada época e como ele se inseria dentro do seu tempo (Catarina, 2009), podemos usar a arte como instrumento de autoconhecimento. Assim, nasce a arteterapia que, segundo Zacharias(2007), objetiva liberar conteúdos internos para a conscientização, facilitando a cura terapêutica.

Esta linha terapêutica objetiva facilitar a manifestação de conteúdos intensos ou profundos, que muitas vezes não encontram na comunicação verbal uma forma de expressão, mas podem encontrar uma saída válida no gestual artístico. Pois no ato de fazer arte há uma fala, uma linguagem e uma história sendo comunicada, seja ela verbal ou não (Catarina, 2009). 

Arteterapia e cura

Esta linha terapêutica se baseia na ideia de que o processo criativo da atividade artística tem um forte potencial de cura, enriquece a qualidade de vida de quem a pratica, promove o crescimento pessoal, possibilitando mudanças positivas e o autoconhecimento, além de um significativo aumento da consciência de si mesmo e do outro. Outro importante objetivo da arteterapia, com certeza, é dar oportunidade para que o inconsciente se manifeste, vencendo as barreiras e promovendo a liberação de energias retidas. Sentimentos e sensações indefinidos, intensas ou profundas, muitas vezes não encontram na comunicação verbal uma boa forma de expressão, mas podem encontrar uma saída válida no gestual artístico (Machado, 2012a).

A abordagem teórica e técnica em arteterapia pode se apoiar em distintos referenciais teóricos. No Reino Unido, há a analytic art therapye a art psychoterapy que usam um referencial teórico psicanalítico. Já no Brasil, as bases teóricas mais comuns são a Gestalt-terapia e a Psicologia Analítica, sendo pouco significativa a sua atuação dentro da orientação psicanalítica (Sei, 2011).

Texto revisado

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Conteúdo desenvolvido por: Rosana Ferreira Machado   
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