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MESTRE E DISCÍPULO

Atualizado dia 8/11/2006 10:09:08 AM em Autoconhecimento
por Joäo Virginio Silva


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Toda espécie de recompensa é extraordinariamente agradável para a maioria de nós; principalmente, uma suposta recompensa espiritual, que podemos desfrutar quando somos, até um certo ponto, indiferentes às honrarias do mundo.
Ou também nos sentimos muito agraciados quando não somos bem sucedidos neste mundo, mas pertencemos a um grupo “eleito” por um suposto ser espiritual, altamente adiantado, porque então, fazemos parte de um conjunto de pessoas que trabalha por uma grande idéia e naturalmente seremos recompensados pela nossa obediência e pelos sacrifícios que fizermos pela causa.
Se não for propriamente uma recompensa, é no mínimo, um reconhecimento do nosso adiantamento espiritual, assim como uma organização bem administrada se reconhece a eficiência de alguém a fim de incentivá-lo a fazer mais e melhor.
Num mundo onde se adora o bom êxito, compreende-se e estimula-se esta espécie de progresso pessoal. Mas quando outra pessoa me diz que sou discípulo de um Mestre, ou quando penso que o sou, isso conduz, sem nenhuma dúvida, as mais cruéis formas de exploração. Infelizmente, tanto o explorador como os explorados sentem uma vaidosa exultação nas suas mútuas relações. A expansão contínua dessa vaidade é considerada nos meios ditos “espirituais” como progresso espiritual. Torna-se, entretanto, particularmente feia e brutal quando há intermediários entre o discípulo e o Mestre, principalmente quando o Mestre se encontra em um outro país ou, por outra razão qualquer, é inacessível e não há um direto contato físico com o discípulo.
Esta inacessibilidade e essa falta de contato direto com o suposto Mestre abre a porta à automistificação e a ilusões grandiosas, porém infantis, e estas ilusões são exploradas pelos mais espertos, pelos ambiciosos de glória e de poder.
Só há recompensa e punição, quando não há humildade. Até porque a humildade não é um resultado final de exercícios e renúncias espirituais. A humildade também não é uma perfeição ou uma virtude que devemos cultivar. Porque uma virtude cultivada, não é mais virtude, mas apenas aquisição de uma nova excelência, superação de resultados anteriores.
Uma virtude cultivada não é negação do “Ego”, mas, a exaltação negativa do “Ego”. O “Ego” pode ser exaltado tanto negativa como positivamente.
E tem mais - onde há humildade não há qualquer divisão entre superior e inferior, entre mestre e discípulo. Só onde não há humildade é que há separação e divisão. Enquanto existir a separação entre mestre e discípulo, entre a realidade e cada um de nós, é impossível a compreensão da vida em sua totalidade. Na compreensão da verdade não há mestres e nem discípulos, não há adiantado e nem atrasados. A verdade é a compreensão das coisas em sua essência, de momento em momento, livre da carga ou do resíduo do momento passado. A recompensa e a punição só têm o efeito de fortalecer ainda mais o “Ego” do individuo, e o fortalecimento do “Ego”, nega, evidentemente, a humildade. A humildade está no presente e não no futuro. Ninguém pode tornar-se humilde. Vir a ser isto ou aquilo é dar continuidade à arrogância do “Ego”, a qual se esconde na prática de uma virtude. Há na maioria de nós uma enorme vontade de sermos bem sucedidos, de chegarmos a ser alguma coisa que na realidade não somos.
Como é possível andar juntos o bom êxito pessoal e a humildade? E é exatamente a isso que aspiram tanto o explorador como os explorados “espirituais”, e, aí, só se encontra conflito e sofrimento.
O que importa se o mestre existe ou não? Claro que para os exploradores ou para as escolas e sociedades secretas o mestre existe sim.
Mas, para aquele que busca a verdade, a qual traz a felicidade suprema, esta questão, obviamente, que é totalmente irrelevante. O homem rico e o pobre são tão importantes como o mestre e o discípulo. Se os mestres existem ou não existem, se há distinções entre iniciados, discípulos etc, não tem a mínima importância - o que de fato importa é que cada um de nós compreenda a si mesmo - porque se é autoconhecimento, o que você pensar, o que você raciocinar, não tem base alguma. Se você não se conhecer em primeiro lugar, como você poderá conhecer o que é verdadeiro? É inevitável a ilusão quando não existe autoconhecimento. É infantil demais acreditarmos quando alguém nos diz que somos isto ou aquilo. Cuidado! Muito cuidado com todo aquele que vos oferece uma recompensa, neste mundo ou noutro qualquer.

Texto revisado por: Cris

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