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MESTRE E DISCÍPULOS

por Eduardo Paes Ferreira Netto

Publicado dia 14/3/2008 em Autoconhecimento

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A aragem fresca fazia farfalhar a folhagem das árvores da alameda que levava diretamente ao portal do templo. Um velho guru muito estimado por seus discípulos seguia calmamente pelo caminho em direção ao templo em companhia de um dos seus meninos.

- Mestre, tenho notado que, apesar de nossos esforços e do nosso trabalho árduo, dos estudos e intermináveis horas de meditação, temos merecido muito menos a sua afeição do que Antônio que quase nunca participa dos trabalhos nem das meditações noturnas a que nos entregamos diariamente. O que há de melhor nele do que em nós?

Marco, embora respeitosamente, inquiriu o Mestre com visível demonstração de ciúmes. O velho guru cofiou as brancas barbas, sorriu e nada respondeu, haviam chegado ao destino. Marco, amuado, não insistiu na pergunta; também seria indelicadeza para com o mestre insistir numa pergunta que ele certamente não desejava responder.

Antônio trabalhava fora do templo e apesar de sua pouca freqüência aos trabalhos era muito querido pelo guru e isso vinha causando grande mal estar entre os demais discípulos que se viam preteridos nas atenções do mestre. Não podiam entender como é que o mestre tratava aquele colega com tanto carinho e era tão enérgico e exigente para com os demais.

O velho mestre de há muito havia notado a aura do discípulo manchada pelas cores de um ciúme doentio. Entraram ambos no templo onde iria ter início a cerimônia vespertina usual. O guru, entretanto, chamando Marco, desviou-se para o corredor e dirigiu-se a uma outra dependência. Um pequeno oratório destinado apenas aos mestres e discípulos mais adiantados.

À frente do altar fizeram as reverências usuais, recitaram as fórmulas sagradas e permaneceram alguns instantes em profundo silêncio. Alguns minutos após o guru voltou-se para o discípulo, que já se havia preparado moralmente para agüentar a bronca, e disse numa voz cheia de bondade.

- Meu filho, aquiete o seu coração e tome a postura de lotus.

Marco obedientemente tomou a posição indicada e com o coração mais calmo pelas palavras do guru cerrou os olhos e aguardou.

O mestre colocou as mãos sobre sua cabeça, proferiu por diversas vezes o trigrama sagrado e imediatamente desenhou-se na mente do rapaz a seguinte cena: ele, Marco, em companhia do guru, assistindo ao cerimonial do templo, tendo sua visão espiritual perfeitamente aberta. O oficiante da cerimônia, um mestre relativamente jovem, recitava incessantemente os mantras sagrados visando despertar um estado espiritual próprio para o início do ritual.

Marco passou a observar as pessoas que estavam participando do cerimonial e ficou bastante incomodado com o que viu. Muitos dos seus colegas de estudos e práticas, estavam com suas auras sujas e de colorido muito irregular. Uns tinham a aura carregada com as cores dos desejos sexuais, outros com as cores da inveja, outros ainda, do medo; ele mesmo ao olhar mais atentamente para sua própria aura ficou indignado. Não podia acreditar que sua aura tivesse uma cor tão indefinível. Ele que tanto trabalhava no templo, que acordava altas horas da noite para a prática do Hata Yoga e da meditação transcendental, como é que podia ter uma aura tão suja e irregular como aquela?

Uma outra cena apareceu diante de sua mente. Passava-se numa oficina de marcenaria. Na bancada, aplainando uma peça de madeira estava Antônio, cantando sorridente um conhecido hino de louvor a Deus. A poucos passos seu velho pai passava verniz num braço de cadeira. Mais adiante a velha mãezinha fazia habilidosamente um trabalho de tapeçaria. Vez por outra a velhota levantava a vista cansada do trabalho e olhava com ternura, ora para o marido, ora para o filho a quem não cansava de abençoar, agradecendo a Deus a ventura de lhe ter dado um filho tão bom. O filho, nesses momentos, sentindo os eflúvios daquele olhar tão meigo e carinhoso, levantava a vista do trabalho e sorria para ela e, naquele sorriso ia toda uma mensagem de amor filial, que a velhinha recebia com grande alegria.

O velho pai "sentindo" também o que se passava ao seu redor, por sua vez, levantava a cabeça encanecida e sorria; sorria um sorriso de bem-aventurança que vinha aumentar em muito a profusão de Luz que iluminava toda aquela cena.

Continua

Texto revisado por Cris

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