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NAVEGANDO...



Navegando por este rincão universal sem estradas, atalhos e vias de espécie alguma vejo-me um ponto de interrogação ambulante. Um ponto de interrogação só sabe fazer uma coisa: perguntar. Sou um perguntador insistente. Que sou? Algo muito bem oculto por trás de meus pensamentos, mas, o que? O que vejo é o que é? Ou o que é em minha visão só eu vejo? Vejo? O que é ver? O que vejo? Cego não vê e surdo não ouve, então há algo bem maior que tudo isso que percebo. Ultrapassa todos os horizontes e está presente em mim, ou não me incomodaria com isso.

Se a evolução é uma realidade e cada ser evolui por espaços máximos a passos mínimos (conf. H. Rohden) no ponto em que meus pés pisam agora não posso mais que indagar sobre tudo. Onde estou afinal? O que é o universo? Já ouvi dizer que é tudo. E o que é isso: tudo? Qual a “finalidade” de tudo isso? Por que sou? E por que estar onde estou, ou onde penso que estou? Disseram-me que o ego – que bicho é esse? – é o responsável por tudo que vejo, sinto, ouço, cheiro, memorizo, raciocino e é o que me dá o sentido da vida como a percebo agora. Estará o segredo em deslindar esse tal de ego? E o que está por trás dele? Meu pensamento parece querer ir à origem do que percebo agora descobrindo que terei que ir à origem da origem, e então à origem da origem da origem até chegar a ...

Tenho a estranha impressão de ser induzido a pensar o que penso e como penso. Nem meus atos são tão lógicos quanto analisa a minha lógica, pois, poucas vezes estou atento ao que faço, penso, pr’onde vou... parece haver um monitor me conduzindo...

Dúvidas, dúvidas, dúvidas! Pareço e não pareço estar onde estou, tudo se apresenta surreal como numa pintura ou filme impressionista. Aí está, estou sendo impressionado mais que vivendo uma realidade? Se a vida é uma peça eu sou um objeto de teatro. Quem é o autor da peça ou será que estão a me pregar uma peça?

Minha mente é um tanto dispersiva, vive vagueando e pouco se fixa num ponto de estudo. Distrações diversas a entretêm e a fazem voar por universos apenas imaginários mesmo intuindo algo a brilhar e irradiar como um sol que meu coração diz só ser visto quando eu estiver completamente cego! Mas, não estaria neste momento exatamente cego?!? Vejo com todos os meus sentidos – ilusão de estar alerta – e uma vozinha extremamente sutil diz que não estou vendo... nada! Inquietações e medos invadem minha aparente e mentirosa quietude – nada que se possa entender profundamente como paz, lucidez ou sabedoria.

Olho tudo ao meu redor, todas as coisas e todos os movimentos e transformações e, se não estou doido, sinto-me integrado a tudo isso ao invés de ser uma entidade à parte. Estará tudo isso em mim ou estou engolido por esse estranho universo? Minha interatividade com pessoas conhecidas e desconhecidas passou ultimamente a ter um aspecto mais distante do que minha mente procura entender por realidade. Qual o verdadeiro sentido de tudo isso? Meu raciocínio põe em dúvida a importância intrínseca de tudo isso. Nada é importante em si mesmo, sempre há uma necessidade de algo existir ou estar acontecendo por uma razão que transcende o próprio existir ou acontecer. Então, jamais encontrarei o que procuro na imagem que percebo dos objetos e eventos que se sucedem ininterruptamente diante de meus sentidos. Onde procurar então? Buscando a realidade além das minhas percepções, além das imagens que meus olhos vêem, dos sons que meus ouvidos ouvem, da sensação de minhas terminações nervosas, além inclusive do que estou pensando agora.

Meus estudos direcionam minha atenção em direção ao nada que é tudo, direcionam-me à escuridão do imenso mistério de mim mesmo e vejo com olhos que não existem que nada do que se me apresenta existe por si mesmo, que a realidade que tudo produz não permite ser explicada porque explicação é somente aquele bicho estranho chamado ego que deseja. Ou mais que isso, será ele que me dá a impressão dessa necessidade, a explicação?

Já ouvi falar em meditação sob todos os seus aspectos possíveis e impossíveis e deduzi que meditação é tudo isso e nada disso. Estou praticando meditação enquanto escrevo este ensaio de auto-análise, de saída de um universo fechado de um mundo encerrado em suas concepções acabadas, mecânicas e limitadoras.

Imposições de crenças, regras, leis ditadas pelo domínio humano (ego): estou saindo... fugindo do horror deste circo extravagante.

Estou tentando penetrar o desconhecido – ou esquecido? – em busca do que pode me dar um sentido que não encontro neste chão duro e inconsistente da realidade material com seus engodos e absurdos.

E vou seguindo por essa terra indimensional sem vias, nortes ou suis...

NOTA

Este texto tem a finalidade de expor o espírito inquieto com as suas percepções neste mundo físico de relações e desejoso de escapar à atração gravitacional que o prende ao solo das lides ilusórias, sendo que o universo, não só o físico mas tudo, até o que não vemos nem sentimos o chama silenciosamente ao lar, à pátria espiritual, junto às estrelas suas irmãs, onde se reintegrará conscientemente à comunidade universal.
Essa reintegração pode e deve ser preparada agora, pois, é para isso que estamos aqui: passando pela prova de tirar o véu de maya (ilusão) de nossos olhos espirituais e transcender o ego que vem ditando até hoje as nossas verdades individuais em detrimento às verdades universais, estas sim contextualizadas com o Todo, a harmonia total, o amor em sua expressão máxima.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 28/6/2007

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