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No outro



Perceber a fragilidade em conhecer o que se passa ao redor é estabelecer a doçura do encontro encantado de uma conversa amiga e desinteressada, que não abre brechas para a vaidade de ser uma ou outra verdade.

Neste lugar, não há sentido ao ego, ao poder ou algo assim. Há apenas um endereço e um contexto a se guiar, pelas frases, palavras e expressões que serão usadas para delimitar um novo modo de olhar, daquele que em minha frente está.

Olho e vejo algo. Vejo muito. Vejo a melodia ser criada pelas mãos habilidosas de um artista, que se insere na canção como uma bailarina que se move a dançar tão empolgante.

Vejo nas lacunas os olhos molhados pelo encontro não escondido, que refuta os caminhos que se apresentam, para viver como um embriagado que luta para sair do lugar e rodopia sem conseguir se encontrar;

Vejo os vendavais que clareiam as estradas mutiladas pela aparência da beleza e dos arranha-céus; vivem das verdades herdadas pelas muletas atrofiadas da ilusão.

Vejo o rosto querido, meio introvertido, entre a multidão. Um rosto delicado, judiado pelo sol que o queimou; vívido como a água destilada de um rio entre as nascentes. Nesses rostos, vivem a esperança de alcançar os sonhos de uma criança, que brinca e espera apenas pela atenção daqueles que lhes detêm a tutela.

Vejo rostos tristes, perdidos nos espinheiros, cansados e famintos, querendo apenas um cisco daquilo que vê carregado nos ombros ao seu lado.  Ah, quanta estranheza! Quantos choros e lamentos, atormentados por um momento que não sai do seu pensamento. Brota em mim uma esperança de a esses ajudar, como se a vida fosse um grande freio, que parasse onde o tempo determinar e dali em diante seguisse conforme a própria aceitação de viver.

E vejo as casas, as fontes, os rios, as montanhas; vejo as flores, a fornalha, o grilo entre as folhas; vejo o caracol que se estimula a permanecer em terras tão frias, vejo o meu Eu, vendo esses detalhes e custa-me acreditar que o olhar que possuo não é o mesmo olhar que suponho possuir.

No outro sempre haverá algo a mais para se buscar, mas em nós onde esse limite nos levará?

Anya Piffer

Texto Revisado


Publicado dia 30/11/2018
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Autor: Anya Piffer   
Escritora, Mentora, terapeuta energética. Atua há 17 anos no desenvolvimento de pessoas e grupos com metodologia que desenvolveu por meio de diversas técnicas e aguçadas experiências nos atendimentos terapêuticos e profissionais. Autora do livro Enquanto me curo. site: anyapiffer.com.br / Instagran: @anya.piffer / Whatsapp 27 99288.9636
E-mail: anyapiffer@gmail.com | Mais artigos.

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