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No Silêncio



Uma vez já ouvi de alguém: tenha cuidado, porque a mente, mente! Na época, prestei pouca atenção a isso, mas de uns tempos para cá tenho me pegado pensando que isso é uma afirmativa correta e que, muito mais que isso, eu ando muito cansada de viver no mental. Que coisa cansativa, nem dormindo a gente tem descanso... enquanto meu corpo deita, relaxa e acorda mais renovado, a mente não me deixa em paz, falando, falando, mostrando-me cenas... enfim, procurando me comandar, ordenar minha vida da forma que deseja, deixando-me quase nenhum espaço para que eu me sinta, me ouça. É uma tirana, a mente, e vem com as vozes de inúmeras pessoas que muitas vezes nem conheço e que se acham no direito de me dizer o que “devo ou não fazer”. Isso é muito sério! Mesmo quando acordo, durante a noite, percebo que não estava tranquilamente descansando, mas vivendo naquele mental que não me deixa em paz!

Pelo menos, uma coisa eu já consegui: tomar consciência disso. A verdade não está me fazendo bem, mas me dá condição de procurar mudar. Uma vez eu vi um filme, muito tempo atrás, em que havia uma livraria e a pessoa que lá entrava, ao invés de ver livros arrumados nas prateleiras, ouvia vozes, muitas vozes, que lhe falavam frases, estórias, pensamentos, teorias... sem parar. Uma poluição sonora, que criava uma poluição mental. Uma confusão enorme, um horror! Essa imagem está me vindo muito clara agora. Como podemos sequer respirar e sobreviver, quando essas vozes todas foram convidadas a viver dentro de nós? Deve haver uma forma de deletar as que são mais fortes, mais autoritárias, as que acham que sabem tudo, as que não nos deixam escolhas, as que nos escravizam. Os mestres orientais sentam-se na posição de lótus e, no silêncio, afastam as “vozes” e se escutam. Que beleza! Que alívio! Que momento revitalizador e restaurador. E assim, na imobilidade, eles acreditam que vivem em plenitude. Eu os compreendo mais e mais.

Já tentei meditar e não tem sido fácil pra mim, pois as “vozes” se revoltam e ainda gritam mais, numa revoada constante de pensamentos que se cruzam pra lá e pra cá, dando-me agonia e me fazendo sair da tentativa de meditação. Porque elas querem e exigem ser ouvidas e obedecidas, porque já tomaram conta de meu ser e eu quero, no momento, uma outra coisa bem diferente: quero o silêncio... quero me sentir e poder me ouvir, se palavras forem necessárias. Quero me entregar, quero me receber, fazer contato, me amar. Isso é o que quero. Silêncio!

Não sei se você que me lê está compreendendo, como eu gostaria, porque muitas vezes as palavras me fogem. Mas é isso: menos pensar e mais relaxar e amar. Só e simplesmente isso. É o que vou, de agora em diante, me empenhar em viver. E o que estou sentindo pra lhe dizer.

Texto revisado por: Cris
Publicado dia 1/6/2007

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Autor: Maria Cristina Tanajura   
Socióloga, terapeuta transpessoal.
E-mail: tinatanajura@terra.com.br | Mais artigos.

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