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Nós e a Tecnologia



Os meios de comunicação têm se desenvolvido com uma tremenda rapidez, trazendo-nos a condição de contato rápido com pessoas que estejam perto, ou longe de nós.

Noutro dia, porém, me percebi vivendo uma situação muito esquisita e cheguei a me assustar. Estava na sala vip de um aeroporto internacional e no meio de muitas pessoas de nacionalidades diferentes. Algumas me pareciam interessantes. Esperava meu avião, que ainda iria demorar e gostaria muito de aproveitar aqueles instantes para conhecer alguém novo. Olhei em volta e comecei a tentar fazer um contato, mesmo que apenas através do olhar, com uma pessoa qualquer e, então, percebi que quase todos estavam com os computadores abertos, trabalhando, lendo, ou escrevendo, sei lá. Outros falavam no celular e alguns ouviam música através dos fones de ouvidos.

Tive vontade de rir, pois parecia que eu estava vendo um filme fantástico e não vivendo uma realidade. Ninguém olhava para ninguém. Cada um procurava estar imerso no seu mundinho pessoal. Os instantes continuavam passando e acho que eles não percebiam, ou não se preocupavam com isso. Não estavam interessados no que acontecia em torno, no mundo de oportunidades perdido, no instante mágico que se ia pra sempre.

Pensei comigo mesma: nada acontece por acaso e não estamos todos juntos aqui, num país que talvez não seja o nosso, para que não nos olhemos, sequer. Senti claramente como estamos desperdiçando as oportunidades únicas de novas descobertas, de travar novas amizades, enfim, de viver o presente.

Há alguns anos, não muitos assim, eu me sentiria assistindo a um filme de ficção científica. Mas... infelizmente não era uma fantasia minha. É a realidade de um mundo que construímos, aparentemente para criar pontes entre as pessoas, mas que ao que parece está erigindo barreiras entre elas. Tantas pessoas novas, interessantes para eu conhecer, mas não estão interessadas...

O celular encurtou distâncias ou nos vem deixando mais solitários, carentes de afeto, de um abraço, de um beijo carinhoso, de um toque? Será que eu substituo uma visita, por um telefonema? Por que envio um e-mail para o colega que está na sala ao meu lado e não me levanto para ir lá e lhe falar, olho no olho? Por que me sinto mais segura conversando com pessoas pela internet, sem ter a oportunidade de vê-las, sem ouvir sequer a voz delas, que expressa tanto do que são?

Acho que esta imagem, de uma sala confortável, aconchegante, cheia de pessoas bem vestidas e interessantes que não se cumprimentam, sequer se olham, vai ficar por muito tempo na minha mente. Dizem que o acaso é a mão de Deus nos mostrando um novo caminho... Como podemos entender o recado dEle, se estamos totalmente fora da realidade, ocupados com o que se passa fora deste momento que já vai se distanciando?

E assim caminha uma grande parte da humanidade. Para aonde estará indo? Somos muitos, a cada momento mais, porém estamos muito sós...

Que mundo é este que estamos ajudando a construir? Será que estamos usando a tecnologia para que a vida seja mais feliz, ou será que estamos nos tornando escravos dela?

Texto revisado por Cris
Publicado dia 24/9/2007

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Autor: Maria Cristina Tanajura   
Socióloga, terapeuta transpessoal.
E-mail: tinatanajura@terra.com.br | Mais artigos.

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