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Nunca Desista dos Seus Sonhos


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Eu sei. O título parece uma frase clichê de um livro de autoajuda. Até parece que uma pessoa entusiasmada por seus sonhos vai um dia pensar em desistir.

Eu acreditava nisso, até que um dia, eu desisti.

Comecei a vida com a profissão da família: costureiro de bolsas. Mais tarde formei uma dupla com meu irmão, tocávamos música sertaneja e diversos outros estilos. Não gostava de costurar e mais tarde entrei em depressão. A música popular que tocava não fazia mais sentido pra mim. Conheci em 1998 a música new age e ali nascia minha nova paixão. Aquele era o Sonho da minha vida.

Tive um ciclo ioiô: saí da fábrica, fui pra música popular, voltei pra mesma fábrica, pra música, pra fábrica, pra música e desta vez nunca mais voltei para a fábrica. O que me fez decidir sair de lá de uma vez por todas foi um principio de infarto aos 30 anos de idade (causado por depressão, tristeza e por odiar trabalhar lá).

Minha depressão acabou me causando uma dor de cabeça crônica tencional diária.
Conheci o site Vida Nova, que hoje se tornou o Somos Todos Um (STUM, o maior portal de autoconhecimento do Brasil) e um de seus fundadores, o amigo Sergio Scabia. Como eu estava dependente, com contatos quase que diários pedindo ajuda. Com tratamento floral gratuito ele me ajudou enquanto pode. Gotas milagrosas acabavam com minha dor de cabeça instantaneamente. Mas eu estava distante da vida espiritual, Sergio encerrou o tratamento porque eu não estava me ajudando e anulando os efeitos que poderiam me curar. Com um antidepressivo, minha dor de cabeça reduziu em 90% e minha depressão se foi - ao custo de me anestesiar e dopar minha vida. Viver assim não era viver. Interrompi o tratamento 1 mês depois.

Sergio havia me indicado um livro, O Caminho da Autotransformação, de Eva Pierrakos. O livro trata da cura total da alma através da aceitação. “Depois deste livro você não precisará de mais nenhum”, disse ele, e estava certo. Acabei lendo também Autoestima, de Nathaniel Branden e tive a grata surpresa de que o livro, apesar do título, tratava da aceitação do ponto de vista psicológico. E assim, aceitando todas as coisas, boas e ruins, me curei. Sergio estava certo, o tratamento e a cura estavam dentro de mim.

Ainda enquanto trabalhava na fábrica lutei e consegui obter um fundo da Lei Rouanet. Sim, o Universo me concedeu sua grande bênção e gravei meus 2 primeiros CDs e publiquei um livro com o auxílio do país. Como ainda não conseguia viver somente da música new age, abri um sebo on-line pra ficar mais perto da cultura, que sempre adorei, e juntamente passei a vender meus CDs e livro.

A música popular, que chegou a me render 7 salários mínimos mensais nos tempos áureos, decaiu com a chegada do karaokê na cidade toda e a perturbação do silêncio. Alvarás foram caçados, perdi quase todos os lugares para tocar e fiquei praticamente sem renda. O sebo on-line me salvou (apesar de eu quase ter falido com isso também), mas as vendas dos meus CDs e livros foram tímidas demais. Não consegui viver somente da minha música como acreditei.

Meu pai, também costureiro, teve a ideia de eu vender suas bolsas pela internet. O sucesso foi imediato. Tive uma vida muito próspera nos 9 anos seguintes (2006 a 2015). Comprei minha primeira casa com a ajuda de um programa do governo (Minha Casa Minha Vida), meu primeiro carro, com IPI zero, 2 carros zero km em seguida e pela primeira vez na vida viajei para o exterior, chegando a conhecer 8 países. Nosso país atravessa seu período mais próspero e isso foi bom para os negócios. Meu irmão mais velho acabou entrando também na sociedade. Acabei abandonando o sebo online e a música popular de vez. Minha música new age, que era meu grande sonho de liberdade, me gerava pouca renda. Dedicava cada vez menos tempo a ela e fui deixando esse sonho cada vez mais de lado.


Em 2013, uma de minhas gatinhas de estimação, Agni (Guininha) nos deixou, depois de 13 anos de companhia. Um princípio de crise financeira se iniciava e fui salvo por um prêmio da quina da Mega Sena. No final de 2015, porém, meu mundo se abalou. O país iniciava um processo de impeachment contra a presidenta. Lá fora só se ouvia falar mal do país e isso foi terrível para os negócios, pois a matéria-prima era importada e os preços dispararam, devido a desconfiança dos investidores estrangeiros. O preço do transporte também subiu e perdemos clientes dos lugares mais distantes do país. Para não deixar de pagar meus fornecedores, incluindo meu pai e irmão, fiz empréstimos bancários e estourei cartões. Meu pai me culpou pela baixa de vendas, nos desentendemos e acabamos separando a empresa.

Minha outra gatinha de estimação, Killa ( Kiki, filha de Agni) adoeceu, gastei dinheiro que não tinha para operá-la. Vendi meu carro e financei outro dando uma pequena entrada e utilizando o restante para saldar parte das minhas dívidas. Logo em seguida, bati meu carro e tive que vender meu apartamento para saldar o restante do que devia aos bancos.

Em 2017, esgotado, tomei uma decisão que acreditei que jamais tomaria. Estava no estacionamento do mercado quando olhei para minha mulher e disse:

- Estou cansado de lutar, lutar e não conseguir sequer ganhar dinheiro para sobreviver da música. Não posso mais sofrer por tentar, tentar e nunca alcançar a linha de chegada. Vou desistir da música new age. Ela me olhou e não me disse nada, pois sabia que nada do que dissesse me demoveria.

Comecei a me reerguer novamente, mas o país parecia ter tomado o rumo da ladeira abaixo. Enfrentei duas outras grandes crises e desde a primeira já estávamos pensando em um segundo negócio que nos sustentasse caso o principal falhasse. Negócios sem amor, apenas para ganhar dinheiro. Bem, eu já estava acostumado. Tentamos, nenhum rendeu frutos e mais dinheiro foi gasto. Kiki, agora com 20 anos, adoeceu gravemente e tive que tomar a decisão mais difícil que já tomei em toda minha vida, a eutanásia. Se por um lado eu havia recusado de realizar a eutanásia em Agni, sua mãe, por acreditar que poderia salvá-la (e me arrependi quando ela morreu em minha frente), de outro me arrependi de ter aceitado fazer com a Kiki, por acreditar que poderia ter tido outro jeito, que ela poderia ter sobrevivido. Experiências diferentes, dores e arrependimentos igualmente dolorosos.  Quase morri junto com com a Kiki e nessa hora a gente leva aquele choque de que nada importa mais do que a vida de quem a gente ama. Lições de que temos consciência, mas que só quando acontecem sentimos as suas dolorosas garras.

A pandemia chegou 3 meses depois. Devido a crise eu e minha esposa tivemos que absorver todo o trabalho da pequena empresa sozinhos. Ela assumiu as vendas on-line, atendimento ao cliente, compra de fornecedores e eu voltei para a minha antiga função na velha máquina de costura, também no corte, montagem, embalagem, como motorista para compra de materiais e até como entregador. Estávamos trabalhando 10x mais. Ocasionalmente, meu irmão vinha dar uma ajuda. Mal podíamos pagar, mas era necessário.

Minha situação piorou ainda mais e tive que me desfazer de praticamente tudo que tinha: coleção de CDs, livros e DVDs raros, assinaturas de internet, streamings de música, livros, filmes, móveis, eletrônicos. Ainda pensando no que poderia fazer para ter uma segunda fonte de renda e tendo tentado outras coisas, sem sucesso, pensei: “Depois de ter tentado tantos novos negócios, nenhum dos quais eu queria ou gostava, que tal fazer algo que eu gosto? Nada deu certo mesmo, não tenho mais nada a perder.”

“Música”, pensei. “E se eu tivesse continuado? E se tivesse tentado que essa fosse minha segunda fonte de renda? E se eu não tivesse desistido?”

Abri meu relatório de vendas de música pela internet. Desde 2013 até 2020 havia tido quase 800 mil views nos 9 álbuns já publicados. As empresas de streaming pagam muito pouco, o valor arrecadado era baixo, mas nesse momento tive um insight. Se eu tivesse trabalhado mais, produzido mais músicas, poderia estar fazendo somente aquilo que gostava. Fiz todas as contas possíveis e estatisticamente isso teria sido possível! Foi aí que me bateu a dor do arrependimento. Se eu tivesse prosseguido teria conseguido.

Por que eu havia desistido? Com tantos livros lidos, com tanta gente dizendo “Nunca desista”, “Persista”, “Insista” e comigo mesmo me dizendo que jamais desistiria, eu desisti! E se todos diziam para nunca desistir, era por que a maioria deles já haviam passado pela esmagadora dor do sofrimento de um sonho não realizado (que dói sim, dói demais). Mas constatei que todos estavam certos. Persistir era o caminho do êxito. Se a cada álbum lançado com pouco êxito eu não tivesse desanimado e lançado ainda mais álbuns, se não tivesse desistido e gravado mais músicas, inclusive nesses 3 anos ociosos, eu teria conseguido! Ok, tive momentos muito dificeis na vida, mas ao invés de ter desistido, deveria ter feito apenas uma pausa e retornado ao Caminho quando possível.

Devo considerar esse tempo como perdido. Foi um erro ter me afastado cada vez mais dos meus sonhos. Foi um erro ter desistido e me arrependo amargamente. Mas ao mesmo tempo foi um erro necessário. Se eu não tivesse desistido jamais teria aprendido o que devo fazer.  Jamais teria descoberto que me dedicando mais eu teria tido êxito. E principalmente, jamais teria redescoberto que a música é aquilo que gosto e amo fazer. Quando estou longe dela minha vida fica vazia e tudo parece dar errado. Talvez isso realmente aconteça quando nos desviamos do nosso verdadeiro objetivo.

Acessei o site STUM e renovei minha assinatura depois de 7 anos afastado. A sensação era de estar retornando a uma casa que abandonei. Revisei artigos velhos, consertei links quebrados, enviei para lixeira artigos com os quais não me identificava mais. Olhei para a casa, renovada, reformada, parecendo nova. Uma nova casa para uma Vida Nova. Desta vez para sempre.

Ontem, dia 05/06/2021, 1 ano após ter retornado a produzir música, tive uma grata surpresa ao analisar meu relatório de streaming e venda de música e ver meu saldo mais que triplicar de um mês para o outro. Foi muito gratificante pois tenho trabalhado bastante nesse sentido e isso me trouxe uma injeção de ânimo.

Eu iria deixar para escrever este artigo quando finalmente estivesse fazendo somente música. Mas aprendi a lição que ouvi há anos, de que o caminho importa mais do que o destino. Sim, eu ainda quero que a música seja minha fonte de renda principal, mas eu desisti de tentar montar um segundo negócio para ter uma segunda renda. Não quero mais caminhar sem sentido e, afinal, já atravessei diversas crises sem nenhum outro negócio para me dar apoio financeiro. Poderia ter prosseguido com a música ao invés de ter me preocupado com isso e ter feito dela meu segundo negócio, que poderia ser hoje o único. E a partir de agora é o que farei. Final feliz? Não preciso esperar isso para escrever este artigo. Pois não existe final. Existe o agora. A vida de amanhã é a vida de hoje.

Mas, se quisermos dar um final feliz para tudo isso, o que existe de melhor em saber que, independentemente dos resultados, você nunca, nunca mais irá desistir, pois sabe que está fazendo aquilo que gosta, algo que traz sentido à vida, que está no caminho certo e finalmente tem essa certeza? Se isso não é a Suprema Realização, se não é o “Viveram Felizes para Sempre”, eu não sei mais o que pode ser.

Lisandro
www.lisandros.com

Texto Revisado

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Autor: Lisandro   
Lisandro é músico new age. Conheça sua One Page: www.lisandros.com
E-mail: guerreiroonline@yahoo.com.br | Mais artigos.

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